quinta-feira, novembro 16, 2017

Eu, Robô | Leia o livro, não assista ao filme!

O filme "Eu, Robô" não tem nada a ver com o livro, e isso é até normal, mas ele vai de encontro ao que o autor pretendia ao escrever seus contos de robô, e isso é imperdoável.


Quem viu o filme "Eu, Robô" com o Will Smith tem uma ideia muito errada sobre o livro de mesmo nome. A produção cinematográfica foi inspirada na obra de Isaac Asimov (nem a pau!), é o que diz na sinopse. Enquanto lia o livro algumas pessoas me falaram do filme, que era bom, perguntavam se eu já tinha assistido. Não tinha.

Por uma feliz coincidência, não tive a oportunidade de assistir "Eu, Robô" antes. E se tivesse assistido, teria deixado de ler o livro com toda certeza. O filme conta a história de um policial que tem "sisma" com robôs. O planeta está tomado por robôs humanoides que auxiliam os humanos. Lá pelas tantas um grandão da CIA US Robotics é morto, no que parece um suicídio, e esse policial pira. E ele tem razão, as máquinas estão elaborando um plano maligno para uma revolução e pretendem dominar a Terra. Afe!

O que permite aos robôs serem super inteligentes é a tecnologia da US Robotics. Empresa responsável pelo desenvolvimento dos cérebros positrônicos. E o que permite a ótima convivência com os humanos são as três leis da robótica, as quais impedem os robôs de ferir um humano, não agir quando um humano estiver em perigo e não se autodestruir. Exatamente nessa ordem.

Pois bem, no parágrafo anterior listei o que tem de similar com os contos escritos por Asimov reunidos no livro "Eu, Robô". No mais, esqueça!

Nos contos do livro, os robôs foram proibidos na Terra. Eles auxiliam os humanos em outros planetas, fazendo trabalhos que seriam difíceis ou impossíveis para nós. Na Terra têm apenas máquinas equipadas com a tecnologia, a fim de calcular e gerenciar a economia, a produção etc. 

As estórias têm um peso psicológico, a Dra, Susan Calvin começa a contar essas histórias em uma entrevista com um repórter. Ela conta situações limites em que os humanos responsáveis pelos testes dos robôs tentam identificar uma aparente falha. O desenrolar do problema até identificar a causa, normalmente cai em uma das três leis da robótica. E é hilário e irônico ao mesmo tempo como as coisas se resolvem.

A Dra. Calvin é a poderosa da empresa, ela é psicóloga roboticista e entende como ninguém o modo como os robôs pensam. Quando não sabe, ela consegue descobrir. Ou seja, ela tem uma baita importância na US Robotics, enquanto no filme ela (que é novinha demais) só ajuda o Will Smith (o tal policial paranoico). E isso é bem ridículo.

Um dos contos do livro aparece no filme como uma cena grotesca em que um robô se mistura a tantos outros para se esconder do policial. No conto, esse robô recebe uma ordem de "sumir" e é obrigado a isso devido às leis que precisa seguir (está programado para isso). A maneira habilidosa com que ele se esconde e persuade os demais a escondê-lo é genial.

Uma das estórias que mais gostei foi "Razão", em que um robô apresenta crenças religiosas. Ou o "Mentiroso!" um robô que lia pensamentos. A resolução desse especificamente é absurda de boa.

Em todos os contos a sagacidade do cérebro positrônico é mostrada com tanta genialidade, que não tem como não acreditar que aqueles personagens existem. Eu ficava pensando naquelas situações. Que tipo de "seres" seriam eles? Que direitos teriam? Robô teria alma? Seria muito legal se tivéssemos robôs andando por aí e pensando, tomando decisões.



Sobre Isaac Asimov 


O autor Isaac Asimov começou a pensar em histórias de robôs em 1939, quando os robôs eram retratados como uma criação perigosa. Inevitavelmente eles sempre se voltavam contra a humanidade e a catástrofe era inevitável. O autor, que era apaixonado por ficção científica e nerd total, não queria acreditar que conhecimento se tornasse em algo perigoso, por isso discordava das histórias de robôs acabando em desastre.

Asimov queria retratar robôs de um modo diferente, e inspirado num conto chamado "Eu, Robô" começou a escrever as suas histórias. Elas eram publicadas em revistas conforme ele conseguia espaço. Até que em um determinado momento veio o convite para reuni-las num livro que recebeu o nome do conto que o inspirou. Foi ideia do editor e não dele. 

As três leis da robótica foi a grande criação dele para que a máquina não se voltasse contra a humanidade. E a porcaria do filme usa justamente isso como pretexto. Seria como se os robôs fossem humanos, pensassem como tais. O que não é "verdadeiro", sequer possível, nos contos de Asimov. Os robôs chegam a ser ingênuos, são puros, como diz a Dra. Calvin em alguns momentos. 

Os robôs de Asimov não chegariam naquela selvageria retratada no filme. São muito melhores do que isso, mais espertos. E têm um jeito mais eficiente e criativo para lidar com os riscos que os homens oferecem a eles mesmos. 


Então, se você aguentou a leitura até aqui deve ter compreendido, porque detestei o filme não recomendo. E quanto ao livro: Leiam! É mais do que ficção científica e história de robôs. Tem provocações muito interessantes.

=P

quinta-feira, novembro 02, 2017

Sound Bullet lança o novo álbum "Terreno" em Porto Alegre e Caxias

Todas as vezes que tuitei e deixei comentários na página da banda eu não acreditei. É sério! Sempre interajo com as bandas que eu gosto ressaltando que sou de Porto Alegre. Penso que se todos os fãs fizessem isso, as bandas poderiam ter uma noção de onde tem público. Assim não há engano, na hora de pensar para que cidade ir. E no fim, vira uma grande brincadeira.

Foto: fb.com/soundbullet

Brincadeira? Sim, porque é de se imaginar que uma banda independente não tem muitas chances de viajar para longe. Por que talvez não tenha público suficiente para justificar essa empreitada. Mas, às vezes o destino nos prega peças!

A Sound Bullet é uma banda independente, do Rio de Janeiro. A minha sorte é que eles são muito gente boa e têm amigos. Amigos no Rio Grande do Sul (os melhores hahah). E assim surgiu a possibilidade de virem tocar aqui nos pampas.


Quando a notícia foi confirmada, com três shows em três cidades, fiquei impressionada. Mas, a ficha demorou a cair. Só quando entrei no Oculto e ouvi aquela música e a voz do Guilherme é que pensei "Caralho!!! Eles estão aqui mesmo." (desculpa o palavrão, mãe, aprendi com eles!) Eles estavam passando o som quando cheguei e eu já fiquei impressionada. A banda é muito boa! Disse uma das pessoas do bar que estava por lá. E é verdade, outro nível!


O vídeo abaixo foi feito no OCulto, tá ruim mesmo, só ouçam. XD



Vê-los tocar no OCulto foi muito legal. O lugar é pequeno, tem uma atmosfera intimista. Sem palco, as pessoas ficam a alguns passos dos músicos. A seriedade deles e a presença durante a apresentação parece de gente que já toca há anos. E se fecharmos os olhos, a perfeição e a qualidade musical, meio que confirma essa impressão. Daí a gente olha para eles, aquelas carinhas bebê, e fica se perguntando como isso é possível? hahah

Durante o Show foi "Atlas" (óbvio) que me fez chorar! Ouvir essa música ao vivo, timbres de guitarra, baixo e a voz do Guilherme PUTA QUE PARIU! VAI TOMAR NO CU (isso foi um elogio! hahah - Desculpa de novo, mãe). Foi lindo.

Foto: Wesley Fávero - fb.com/WesleyFaveros

No segundo show, em Caxias do Sul, a dinâmica foi um pouco diferente. (a loka que não queria pensar na possibilidade de Sound Bullet tocando sem a sua presença no RS). Lá o show foi no Atillio's Bar. Maior do que o Oculto, e com muito mais gente, mas também sem palco. Além da Sound Bullet, Baby Budas e a Grandfúria (responsáveis pela vinda da Sound Bullet - Amo vocês para sempre).

A Sound Bullet tocou depois de Baby Budas. O clima já estava bem animado, e eles conquistaram o pessoal já na primeira música, Incorporar? (memória prejudicada, estava lá para ver o show e não para trabalhar - desculpa).

Foto: Wesley Fávero

Neste show eu já estava mais a vontade, e o ambiente era outro, já deu pra dançar um pouco mais, e não teve Atlas, então correu tudo bem do início ao fim. A "surpresa" foi eles tocarem DOXA. Que som! Fica ainda mais intenso ao vivo. Ceis tão de parabéns!

E por falar nisso, já emendo aqui meus comentários sobre a diferença do som deles em estúdio e ao vivo: quase não tem. Ao vivo tem mais energia, é claro, mas não perde em nada para o que se ouve no álbum. E olha que "Terreno", álbum novo que vocês podem ouvir aqui, é rico em arranjos, tem metais acompanhando em várias músicas. Fez falta? Fez, porque as músicas são muito boas com esse complemento. Só que, alguma mágica acontece ali naquelas guitarras, baixo e bateria, que não prejudicaram em nada a qualidade.

Foto: Wesley Fávero


Daí vocês podem dizer "Ah, claro que ela vai só tecer elogios, é tiete". Bem, sinto informar que mesmo quem nunca tinha ouvido, ou quem só tinha ouvido algumas músicas da banda, adorou. E até na passagem do som aqui em Porto Alegre eles causaram muito boa impressão. Então, não era eu babando ovo nos caras depois do show. Eu estava por perto, só olhando e confirmando as minhas suspeitas: eles são muito bons e o povo curtiu muito!

O Show de Canoas acabou não rolando, um balde de água fria para os caras que vieram de tão longe, com dinheiro do próprio bolso, só querendo levar sua música para mais pessoas. A casa/produtora deu esse furo. Uma bosxsta!

Foto: Wesley Fávero

O que me consola é que depois do show em Caxias tive a oportunidade de conhecer o lado festeiro e doido desse pessoal. Gente boa é pouco pra falar desses cariocas esxscrotos. O resultado é que agora vão ter que me aturar implorando para que voltem, e logo! hahah E, também, para tocarem com a Valente. Tô pensando em como isso pode ser possível.


Como eu disse antes, estava lá para curtir e não para trabalhar, então os vídeos que fiz tão beeem zoados, mas dá pra ter uma ideia de como foi a vibe.

Vídeo de "Em um mundo de milhões de buscas" no Atillio's Bar Caxias do Sul


Ah! E parece que vai ter vídeo profissional dessa tour, aguardando já! :D

E, por fim, ficam aqui os meus agredecimentos: ao meu poia querido que tornou a presença no Show em Caxias possível, a Vanessa pelo pouso em Canoas, ainda que ele não tenha se concretizado, ao fotógrafo/cinegrafista/menino de rua Wesley Fávero por conceder as fotos que enfeitaram esse post, baita achado! e ao Guilherme, Henrique, Fred MATTOS e Pedro, pela paciência, pelo carinho. Vocês são únicos e talentosos! Nada esxscroto, nem cuzão, isso é intriga, pura inveja dos separatistas que não entendem pohha nenhuma.

Para ver os outros posts que escrevi sobre a Sound Bullet, acesse Indie Rock no Brasil e Terreno, o novo álbum da Sound Bullet

=P

quinta-feira, outubro 19, 2017

Resenha: Os últimos dias de Krypton de Kevin J. Anderson

Parece que faz uns 50 meses que comecei a ler esse livro e só hoje consegui terminá-lo. E segui a leitura pura e simplesmente por teimosia, e não me orgulho muito disso não.



Sobre os Últimos dias de Krypton


A história narra, na verdade, o último ano de Krypton (mais ou menos) e não exatamente os últimos dias. Para se ter uma ideia, os pais do Super Homem sequer se conheciam, isso acontece nos primeiros capítulos e vai dividindo a cena com os demais acontecimentos. 

Kevin J. Anderson remontou uma possível cadeia de acontecimentos que teoricamente foram determinantes para a extinção do planeta. Desde o primeiro capítulo acompanhamos Jor-El e sua luta para fazer o Poderoso Conselho de Krypton se abrir para tecnologias, explorar o universo e aceitar as suas advertências quanto ao risco de uma catástrofe.

O conservadorismo exagerado do conselho e um acontecimento inesperado provoca mudanças muito significativas, disputas de poder, mais negação da ciência e no fim, o erro master que dá fim ao planeta. 

O autor descreve bem alguns personagens, conhecemos assim o Pai de Jor-El, a mãe, o irmão Zor-El. Os três homens da família são cientistas brilhantes, ou pelo menos foram. O Coronel Zod, Arthyr e Nan-Ek também são bem retratados, assim como alguns outros membros do conselho. Até o marciano J'onn J'onzz tem uma pontinha nessa história. 

Nos últimos capítulos também são mostrados algumas referências ao julgamento que aparece no filme, e aquela prisão (aquele espelho bacaninha que vem a se quebrar anos mais tarde, quando o Superman pensa salvar a Terra, enfim). O destino dessa prisão e alguns desses acontecimentos finais são um tanto diferentes. 


Kal-El (o Super Homem) nasce nos últimos dias de Krypton e e são nesses capítulos finais que conhecemos "de fato" o que se passou nos últimos momentos e como Jor-El e Lara chegam naquela solução que acompanhamos no filme clássico do Superman em que ele é colocado em uma nave em direção à Terra.


A minha opinião sobre "Os últimos dias de Krypton"


Fiquei um pouco desapontada com a narrativa, começando com Jor-El ainda solteiro. Seria bem mais interessante se já estivessem juntos e o autor usasse um recurso de flashback. Enquanto lia ficava pensando em que momento ele se apaixonaria, casaria, teria o filho para então o mundo explodir. A leitura é muito arrastada. O livro é bem escrito, mas num ritmo que dá sono. Nada acontece, muita coisa se repete, e muitas encheção de linguiça. Descrições rasas e sem objetivo, bem cansativas.

Quando finalmente Jor-El e Lara se conhecem, levei um tempo para me dar conta de que ela era a Lara, mãe de Kal-El. Do flerte para o casamento e a gravidez as coisas (entre eles) são meio apressadas e desajeitadas até. A história de amor não é bem construída, a gente não "nota". 

O autor escreve coisas como "todos já percebiam que eles estavam interessados um no outro" e "Jor-El não conseguia tirar Lara da cabeça". Mas, esse romance se passa em poucos parágrafos (e até aqui, arrastados), sem profundidade. Esses encontros ficam sem importância em meio as frustrações do cientista que tem seus projetos confiscados pelo conselho de Krypton.

E essa estória dos projetos serem negados pelo conselho são contadas até a exaustão. Acredito que Anderson quis reforçar o quão retrógrado era aquele conselho, assim como as más intenções do Zod. Ele fez questão de ressaltar a frustração de Jor-El e contou mais de três vezes como ele se sentia por todos os projetos rejeitados. E como seu pai fora injustiçado, e o quanto ele não era bom para política, diferente do seu irmão Zor-El que era líder de uma das cidades do planeta.

Aliás, esse é um conceito que acho chato em todas as histórias que envolvem outros "planetas". Um mundo inteirinho governado por uma pessoa, ou um grupo de pessoas, centralizados em uma cidade. E várias cidades espalhadas pelo planeta respondendo a esse único líder. É claro que nem todos os mundos tem que seguir a nossa organização política, mas acho sempre meio absurdo um planeta inteiro se resumir a meia dúzia de pessoas em uma estória.

Enfim. Há um golpe de estado, há uma insistência no pensamento retrógrado que nega a ciência e na burrice de temer o que não se entende. Alguns momentos são até interessantes, como quando eles se deparam com algo totalmente novo, diferente e desconhecido. E como as massas tendem a aceitar líderes totalitários quando estão com medo, e como as pessoas esquecem rápido e cometem os mesmos erros, de novo e de novo. O povo de Krypton é humano demais, chega a ser decepcionante.

Então. Quando baixei o livro imaginei que ele seria adrenalina pura do início ao fim. Afinal, era para ser os últimos dias do planeta. Em vez disso, li um monte de histórias paralelas e cansativas. Em um determinando momento até aceitei que não era um livro sobre o Superman e de pura adrenalina. Mas, é muito parado e repetitivo, nesse ponto, o autor pecou muito e estragou uma história que tinha tudo para ser ótima.

Minha nota pra esse livro fica em torno de 2/5 e estou sendo bem generosa.

Alguém aqui já leu, pensou em ler esse livro? Contem aí nos comentários!

=P

quarta-feira, outubro 04, 2017

Saiu! Terreno, o novo álbum da Sound Bullet

Finalmente saiu "Terreno", o novo (e primeiro) álbum da banda Sound Bullet, e ele é maravilhoso minha gente! Mas, calma, continua lendo o post, apesar do resumo "maravilhoso" que tenho mais a falar. Vem aí um faixa a faixa! :D


Sobre a Sound Bullet


Antes de sair comentando o álbum, vale a pena falar um pouco da banda em si. A Sound Bullet é uma banda de rock alternativo, indie rock, brasileira, lá do Rio de Janeiro. Sim, existe rock 'n roll na terra do samba e do funk. E tem indie rock de qualidade nesse país! Para saber um pouco mais deles, clique aqui e veja o post completo feito em 2015!

A Sound Bullet é uma banda de muita personalidade. Vocal marcante, influências de math rock e algo que vou chamar aqui de brasilidade, na falta de um comparativo melhor, que é surpreendente. Em sua formação têm Guilherme Gonzalez (guitarra e voz), Fred Mattos (contrabaixo e voz), Henrique Wuensch (guitarra) e Pedro Mesquita (bateria).




Sobre "Terreno", o novo álbum



Os guris estavam há algum tempo preparando esse álbum, o que deixou as pessoas que os acompanham nas redes sociais aflitos. A expectativa era grande, afinal é o álbum de estreia da Sound Bullet. Até então eles haviam lançado apenas um EP "Ninguém está sozinho" em 2013, e o single "When It Goes Wrong" em 2015. Aliás, recomendo!

Expectativa alta e ideia nenhuma do que eles estavam aprontando, chegaram três músicas que diziam muito pouco do que estava por vir, bem diferentes uma da outra. E quando ouvi o disco inteiro pela primeira vez, foi uma grata surpresa. Era Sound Bullet puro, fez muito sentido, muito indie rock, math rock, e Guilherme arrasando nos vocais.

As letras são bem subjetivas, uma característica da banda que particularmente eu adoro. Cada um que ouvir vai achar o seu barato nas músicas e dá pra pensar numa série de coisas e em coisa alguma se quiser. É perfeito.

Musicalmente falando, nota-se um salto enorme das primeiras demos que ouvi, para o EP e agora esse álbum. Nota-se um amadurecimento da banda, e a soma de diferentes elementos, a qualidade musical é incomparável. Hoje está certamente a altura da criatividade e talento que eles já mostravam há alguns anos. Estou curiosa para ouvir essas músicas ao vivo!



Faixa a faixa de Terreno


Incorporar

Perfeita para abrir o álbum, dá uma boa ideia do "tom", letras e da musicalidade da Sound Bullet. A batida diferentona, baixo inquieto, (são metais ali no meio? Tô achando que sim) e arranjos de guitarra de tirar o fôlego.


Amanheci

Amanheci ganhou clipe e já tinha ouvido antes. Ela é tensa, tem um ritmo que perturba um pouco, e a melodia e letra muito suaves. É muito Sound Bullet. Confere o clipe!



Em um Mundo de Milhões de Buscas

Quando cheguei nessa faixa fui apressadamente compartilha-la no Twitter. Estava certa de que era a minha favorita no álbum. Ela tem um ritmo alegre, transmite calma. Se quiser entender o que quero dizer com "brasilidade", aqui está! Tem guitarra indie, melodia bonitinha, mas ao mesmo tempo, tem uma pegada, um ritmo único. E tem instrumentos de sopro (olha os metais!).

E preciso fazer uma observação sobre a letra. Ela me cativou de primeira, porque estou passando por um momento bem "singular" e cada palavra me fez pensar sobre um monte de coisas.

Atlas

Essa é a melhor música do álbum na minha opinião, e arrisco dizer que é uma das músicas mais lindas de 2017. Concorre com "Phi" da Scalene ou "Alguém a Esperar" da Valente. Mas, deixemos esse assunto de lado. A música tem uma melodia que casa perfeitamente com a letra. Suave e intensa, indie rock puro. Nos vocais tem a participação da Aline Lessa, um brilho extra para uma canção que até plot twist tem. Ouçam!


Esquece

Essa segue uma linha mais calma, mas nem por isso menos intensa. Com solos de guitarra e riffs que me levaram para o norte da Inglaterra no melhor estilo indie rock.

O Que Me Prende

Ouvi essa música em looping infinito por algumas horas. Ela não cansa. É animada, divertida. Eu imaginei que o álbum inteiro seria assim, lembra um pouco MPB, misturado com o estilo Sound Bullet, com metais!!! (hahah) E tem, também, a participação da Aline Lessa. Tragam ela pra Porto Alegre, pf! Que voz linda!



Doxa

A impressão que dá quando se está ouvindo o álbum faixa a faixa é que deu problema na playlist e trocou de banda do nada. Rock pesado? Então, uma loucura ali no meio do álbum, o peso, o baixo, até entrar os vocais e a melodia voltar ao "normal", ainda que não por muito tempo. E esse refrão é sensacional!

"Fincar meus pés no chão
Forçar a terra ceder
Eu sou a razão"


Terreno Pt.1 - Extemporânea

Uma canção forte, introspectiva, que começa de leve e vai crescendo absurdamente. É difícil até de descrever.

Terreno Pt.2 - Quando Você Voltar

A parte dois segue nos torturando musicalmente (solos de guitarra maravilhosos) e a letra, assim como "Em um Mundo de Milhões de Buscas" me faz pensar demais. Um refrão desses...

"E se eu
Não te reconhecer
E te deixar passar
Desatar
O que me prende aqui
Não vai me fazer alguém melhor
No seu lugar"


Humano

Senti uma influência anos 80 na introdução, é vibrante, tem um riff de guitarra muito bom. Isso é Sound Bullet, melodia deliciosa e ritmo louco. Eles fazem isso de um jeito único. E de novo vou ter que adicionar um trecho da letra que é também perturbadora.

"E se eu não me aceitar
Como um plano seu?"


O Vazio Que Habitamos (Está Dentro de Nós)

Mais uma dançante, animada, um ritmo que não se mantém (metais!!!), ela perturba também. Apesar de ser animada, tem nuances psicodélicas e backing vocals desconcertantes.

"Me vejo sumir
A flutuar
Tento emergir
Mas estou envolto em calma"
Um fechamento perfeito para esse álbum, que é uma experiência incrível para quem ouve, imagino a maravilha que foi para os que o fizeram.

Duvida? Então ouve aí!

Ouça no Spotify


 


Também dá pra ouvir no: 

Deezer | iTunes | Youtube


E se você chegou até aqui, pode contribuir com a banda, comprar o novo álbum, umas camisetas, canecas e etc. Eles estão com o projeto no Catarse, é só acessar: catarse.me/terrenosb

Ficha técnica:

Produzido e gravado por Patrick Laplan no Fazendinha Estúdio.
Gravações adicionais: Jorge Guerreiro e Léo Ribeiro na Toca do Bandido.
Mixado por Pedro Garcia em Garcia Mix Room.
Masterizado em Hanzsek Audio, Seattle - EUA

Participação:

Sintetizador, pad e percussões: Patrick Laplan
Arranjo de metais: Patrick Laplan
Trombone - faixas 3, 6 e 10: Marlon Sette
Sax Tenor - faixas 3, 6 e 10: José Carlos Ramos “Bigorna”
Trompete - faixas 3, 6 e 10: Altair Martins
Voz - faixas 4 e 6: Aline Lessa



terça-feira, setembro 12, 2017

Resenha: Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently

Livro de Douglas Adams. Pronto, nem preciso escrever essa resenha, vocês nem precisam ler para saber que é maravilhoso. hahaha Mentira, leiam sim, que esse é diferente!





Resenha: Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently, de Douglas Adams


Se pudéssemos definir a qualidade de um livro pelo título, já poderíamos dizer que Douglas Adams arrasou nessa obra. Eu não fazia a menor ideia do que se tratava até ler. E o título é a cara do autor, é de uma curiosidade humorística irônica que só ele consegue.

Fazer um resuminho do enredo é bem complexo, porque o livro não tem Dirk Gently e sua Agência de Investigações Holísticas exatamente como centro da trama. No mais belo estilo Douglas Adams, a história começa a ser contada pelas pontas, as quais vão sendo conectadas lá pela metade do livro. Ou seja, ele começa a narrar acontecimentos banais de diferentes personagens e vai se aproximando do que realmente interessa aos poucos.

Quem nunca leu Douglas Adams pode pensar agora "nossa, que chatice, deve ser arrastado". Puro engano! O autor é cômico e irônico desde as primeiras linhas de suas histórias, e o que ele narra é tão absurdo que gera muita curiosidade. O modo peculiar como ele "se vinga" dos computadores e softwares que nunca fazem o que são construídos para fazer, a forma como ironiza os costumes ingleses, a raça humana... É o tipo de livro para rir alto e depois se perguntar "O quê?" e então não querer mais desgrudar até entender tudo.

O enredo! Vocês podem estar se perguntando e, bem. Veja bem. Se eu disser que o personagem lá está procurando alguma coisa cruzando o caminho deste e daquele outro, vou estragar toda a experiência de que for ler. O que posso adiantar é que ele conta alguns dias da vida de mais ou menos quatro personagens e que o fio que conecta essas histórias é inesperado e totalmente louco. Mas, isso só se mostra depois da metade do livro, quase no final.

Diferente de "O Guia do Mochileiro das Galáxias" que é ficção científica, fantasia e absurdo do início ao fim, esse parece uma história qualquer. Levemente conectada com o outro lado da vida, "Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently" é um mistério antes mesmo de o investigador entrar em ação. E o que é mais legal, só fica claro que se trata mesmo de um mistério quado ele é desvendado.

Se quiser entender melhor o universo do "Guia do Mochileiro das Galáxias" acesse Sobre a vida, o universo e tudo mais!

Quando isso acontece, começamos a pensar em tudo que lemos até ali. Aquelas passagens bobinhas, da qual rimos, tinham muita importância. Dá vontade até de voltar e ler tudo de novo, pra ver se era isso mesmo, se não perdemos algum detalhe. Gente! Entendem isso? É uma trama desconstruída e tão bem costurada que não dá pra admirar esse tal Douglas Adams.

Algo que fiquei pensando enquanto lia, e que é um dos motivos para adorar esse autor, é que a história é divertida do início ao fim. Alguns livros são arrastados em algum ponto, ou demora a engrenar. Com Douglas Adams não é assim. Aliás, nem um climax, plot twist e final arrebatador ele faz. É um livro pra aproveitar cada página. E o final é só o fim. Basta o leitor ter o mínimo de bom humor e loucura para gostar muito.

Eu tentei ler bem de vagar, porque esse é o penúltimo livro que existe para eu ler do autor. Mas, é bem difícil, a leitura flui de um jeito, que quando via já tinha lido vários capítulos. É uma história que não cansa.

Então, como já deve imaginar quem leu até aqui, recomendo muito. Para quem já é fã, para quem nunca leu, e até para quem não é chegado em fantasia ou ficção científica. É uma obra perfeita para iniciar a leitura de Douglas Adams.

E, existe uma série no Netflix do investigador Dirk Gently. Já ouvi dizer que tem nada a ver com o livro, só algumas referências. Particularmente, e apesar disso, pretendo assistir somente depois de ler "A longa e sombria hora do chá", outro livro com o investigador.

E vocês, já leram Douglas Adams, esse livro, estão pensando em ler? Gostam de Ficção Científica? Contem aí nos comentários.


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Resenha E tem outra coisa, de Eoin Colfer
A vida, o universo e tudo mais... E tem outra coisa

=P

sexta-feira, setembro 01, 2017

O que é indie rock?

O que é indierock? Bem, comece não julgando um texto pelo título. A pergunta parece boba, mas, juro que tenho uma reflexão para compartilhar e não só um monte de baboseira, definição e algo parecido com o que se encontra na Wikipedia. O que quero escrever hoje é sobre algo que volta e meia eu me pergunto, e que voltou a circular nas minhas ideias quando meu antigo professor perguntou que estilo era "The Killers". 




Enrolei quase um ano para terminar esse texto. A pergunta aparentemente aleatória aconteceu quando fui com a camiseta da banda para a aula de alemão (saudades). O professor, por não conhecer a banda deduziu, pelo nome, que fosse Hardrock. Hardrock? perguntou ele. Ao que respondi "não, indie".

Respondi e fiquei pensando. A palavra "indie" ficou ecoando na minha cabeça, envolta pelo pensamento: ora! Se ele não conhece The Killers, provavelmente não sabe o que é indie. E como se tivesse lido a mente dele, percebi que o Lehrer ficou repetindo "indie, indie, indie..."  e finalmente me saiu com a pergunta: "indie pop"? Eu achei graça, respondi que não, que era indie rock.

Bem, depois dessa conversa no elevador fiquei pensando (de novo) sobre o que era indie rock. Revisitei mentalmente as bandas que eu gosto e que são, de acordo com a minha humilde opinião, indie. E consegui duas classificações mais palpáveis: 

Indie = independente

Bandas que não têm gravadora, fazem seu trabalho por conta própria ou com financiamentos coletivos.

Indie = estilo de música

E nesse "indie" caberia inclusive o "indie pop" sugerido pelo professor.


The Killers, a banda em questão, começou como Indie, no sentido "independente" da palavra, depois cresceu absurdamente e continuou fazendo um som não muito convencional. Não se tornou necessariamente pop, e aí? Onde é que ela vai se encaixar? É aí que eu acho que o "indie" vira gênero também. Ainda que bandas como The Killers tenham aparentemente pleno controle das suas carreiras, sendo independentes, não pertencem mais ao cenário underground, e estão num ambiente mais comercial, é o que me parece pelo menos.


E quando se fala de gênero, o que é Indie Rock, afinal?


Voltei a lembrar das músicas que ouço e que acredito serem Indie e me dei conta de que não existe um padrão que se possa definir. Talvez por isso as pessoas "normais" odeiem quando tem um fã de indie perdido no meio de uma conversa sobre música (só não somos mais insuportáveis que musicistas, técnicos e teóricos - hahah). Existe uma infinidade de bandas por aí, cada uma com o seu estilo, referências e pretensões. Não tem como colocar todas em um único balaio. 

A raiz do indie rock está nas bandas de rock alternativo, o pós-punk e o new wave dos anos 80, mas vem se modificando ao longo do tempo. Se olhar para o cenário nacional, a diferença é gritante. A prova disso está em três ou quatro bandas que eu posso citar aqui: Plutão já foi planeta, Scalene, Sound Bullet e Valente, por exemplo. Considero as três "indie rock", adoro as três, e são poucas as semelhanças entre elas.

O mesmo não acontece se pegar exemplos fora do braziu. Consigo notar algumas semelhanças entre as bandas que eu gosto, e entre outras bandas que não gosto, mas que são reconhecidas como representantes do indie rock, tais como: White Stripes, Arctic Monkeys e The Strokes. Estilos parecidos que me cansam. (desculpa aí). Prefiro sons mais melódicos, pós-punk, como: Tocotronic, após o álbum "Schal und wahn" (banda alemã), New Mayans, New Politicians, Doves, The Joy Formidable

A semelhança entre as bandas ditas "Indie" é que elas não estão na novela da globo? Se fosse assim a Scalene não seria mais indie, e já ouvi falar que não são, e discordo. Magnetite está aí para nos mostrar que a banda não está seguindo uma tendência, não está necessariamente buscando ser tocada no rádio. Pelo menos não seguindo caminhos comerciais para isso. Aliás, as bandas indie nacionais se diferenciam de bandas como Coldplay, Kaiser Chiefs, The Killers e tantas outras que estão debandando para uma pegada eletrônica, ficando todas muito parecidas, de novo.


O undergound não é mais tão underground


Se ser indie era ser underground, ninguém mais o é! Graças a Internet, as bandas podem se tornar mais conhecidas. Eu só conheci Sound Bullet por causa do Twitter, e se não fosse a rede não conheceria metade das bandas nas minhas listas do Spotify. E sem as redes sociais, certamente a Scalene não estaria tocando na novela da globo, eu não conseguiria continuar acompanhando a Valente, a Plutão já foi planeta, a Stella ou a Baby Budas.

Então, indie rock ou pop, nada mais é do que uma produção independentemente criativa. Essa foi a conclusão a que cheguei. Porque se não é a visibilidade, popularidade, estilo ou o selo, sobra o criativo para a classificação. E, também acredito que a classificação quer dizer nada. Música boa tem que ser aquela que nos toca, que nos faz bem (de preferência). Essa a minha relação com a música pelo menos.


E para vocês, como vêem essas classificações, vocês ouvem alguma coisa muito diferente, que ninguém conhece? Contem aí nos comentários! 

E para deixar vocês por dentro do que é indie rock para mim, fica aí uma das minhas playlists.




=P

segunda-feira, agosto 21, 2017

Magnetite, confira o faixa a faixa do álbum novo da Banda Scalene!

A Banda Scalene acaba de lançar o novo álbum, Magnetite, e como não poderia deixar de ser, fiz um faixa a faixa comentando cada uma das músicas.



Antes do faixa a faixa, alguns comentários gerais: 


A Scalene tem como característica o preciosismo com conceito, imagem, não somente com o som. A comunicação deles é muito boa. E isso reflete muito o que fazem nos álbuns. Com Magnetite não foi diferente. O álbum está visualmente lindo.

Quanto a qualidade musical, seguem se reinventando. As músicas (todas) tem muito da Scalene. O peso das guitarras e das gritarias de Real/Surreal estão mais presentes, e muito da sutileza do Éter (primeiro e segundo álbuns da banda), com um toque Magnetite que surpreende. Se tiver que classificar de alguma forma esse novo álbum, diria que ele tem uma roupagem nova, muito brasileira. Que traz referências de onde eles cresceram a vivem, do que ouvem, do que gostam, de um modo muito original.

As letras maduras, bem pensadas, impecáveis, agora têm um peso maior em críticas, provocam reflexões, algumas incomodam. E qual é a função de uma banda de rock se não causar esse desconforto? A Scalene faz isso em Magnetite sem ser óbvia, com personalidade, com força. Muitas mensagens sendo transmitidas em melodia poética. Ao longo do faixa a faixa vocês vão poder identificar as minhas preferidas.



Faixa a faixa do álbum Magnetite


extremos pueris

A música que abre o álbum apresenta muito bem o que podemos esperar das 11 músicas que se seguirão. Ela é forte, intensa, sensível, delicada. Características que resumem o trabalho da Scalene de um modo geral.


ponta do anzol

Eu não fiz esse faixa a faixa ouvindo as músicas na ordem, e "ponta do anzol" ficou por último. Já disse tanto sobre tudo e as músicas do álbum são tão interconectadas em conceito e qualidade de letra e som que fica difícil não ser repetitiva. A música é diferente, tem um pouco de eletrônico, baixo muito marcado, e uns arranjos novos se comparados com os outros álbuns. É boa!


cartão postal

Ao som de um quase mantra que diz "vou, até onde eu aguentar", "cartão postal" me tocou. A letra tem uma harmonia com a música, elas vão se intensificando na medida. A melodia vai dançando nas ideias. Eu amo esse tipo de música, melódica sem ser grudenta, surpreendente a cada nota. E a guitarra característica da Scalene nos momentos mais delicados. Sensacional!


esc (caverna digital)

Essa tem a brasilidade aflorada, lembrando sei lá, chico Science. Um baixo que nos lembra o toque do berimbau, aquela guitarra que não sei explicar (porque não sou musicista hahaha). E esse tema da caverna digital, minha gente, casamento perfeito. "Ah se eu pudesse, eu tiraria você de mim", que letra, que melodia gostosa!


distopia

Essa a gente deveria imprimir em cartazes, fazer camisetas, enviar por email, postar no Facebook. Musicalmente Scalene, letra de crítica social. Que banda maravilhosa (tô surtando nesse faixa a faixa porque não tem outro jeito!) Olha essa letra:

Homens de terno,
podres por dentro,
e a bíblia na mão,
pregam o ódio
e a intolerância,
a cada sermão, cada sermão
usam do medo
ingenuidades
roubam de quem
pouco já tem
Falam de entrega
de sacrifícios
ônus não tem
$ó o que lhes convém
Quando alguém vai ter o peito e coragem de se posicionar do jeito?
Que o absurdo fere,
que esse crime pede,
não é como se fosse
um abuso novo,
autoridade não
se faz com oração.

Sabe... Não precisa dizer mais nada.


frenesi

Essa me parece algo experimental. É diferente de tudo e tem uns arranjos curiosos. Parece uma brincadeira de estúdio que foi levado a sério. Uma reinvenção. Ouvi-la em alto e bom som é gratificante.


maré

Uma calmaria em meio a tempestade. Quase todas as músicas são uma loucura, não necessaria pesadas, mas intensas. Maré distoa das demais. Tem a mesma pegada experimental de "frenesi", brasilidade e uma dose de calmante. É linda, sensível.


fragmento 

Rock 'n roll nacional. Não, não estou dizendo que se trata de rock anos 80 (re)conhecido como rock nacional. Estou falando de musicalidade brasileira pura em forma de Rock 'n roll. O peso na guitarra é o que nos faz lembrar que ainda é Scalene. Scalene na veia.


trilha

Uma pegada de blues e guitarras distorcidas, um ritmo meio perturbador. Os vocais sombrios completam a estranheza e beleza dessa música. A transição quase natural dessa faixa para o "Velho lobo" lembrou-me muito do que acontece no "Real/Surreal". É muito legal para quem tem o hábito de ouvir um álbum inteiro de uma vez, na ordem certa.


velho lobo

A continuidade de "trilha" eleva essa canção. Ela vem de sombria para uma intensidade que vai ganhando espaço gradativamente que nos envolve. Lembra um pouco, mas muito pouco, só no início, a Scalene do Éter. Tem uma vibe eletrônica, uns trechos diferentes que brinca com nossos sentidos. A melodia mais leve agrada.


heteronímia

Ouvindo essa música eu fiquei pensando em como a Scalene faz isso com a cabeça da gente. Não há grande diferença das músicas do primeiro álbum para esse. Mas é notável o amadurecimento dos músicos apesar disso. Parabéns especial a esse baixista criativo/maluco/perfeccionista. E esse refrão "quero resistência sem dor". Que letra!


phi - A minha preferida até aqui

Os toques agudos no piano, os solos de guitarra ao fundo, as batidas graves intensificando-se junto com a melodia das palavras. E que palavras. A letra impecável. Eu poderia dizer "inacreditável" mas a Banda Scalene sempre surpreende nesse quesito. Não é novidade, superam-se a cada álbum, a cada canção.

E com "phi" o álbum termina com gostinho de quero mais.


O álbum pode ser comprado online aqui. Faça como eu e compre, mesmo que não tenha onde ouvir, porque a banda merece! Um trabalho lindo como esse precisa ser incentivado!

E vocês podem ouvir no Scalenetube, onde eles já postaram todas os "Lyric Vídeos".

E, claro, para ouvir nas plataformas digitais: Spotify | Deezer | iTunes
Download no iTunes


E aqui, a minha favorita. O que são esses toques no piano? "perfeita simetria"




E eu já estou sonhando com a possibilidade de ter esse disco em vinil. #oremos



Pra ler mais posts relacionados, clique em #banda scalene
=P

quarta-feira, agosto 16, 2017

Resenha: Mulheres que não sabem chorar, por Lilian Farias

Essa resenha vai ser difícil, porque "Mulheres que não sabem chorar" escrito pela autora Lilian Farias levanta uma série de questões. Não é o tipo de leitura que eu costumo fazer, porque evito os temas fortes. Mas, foi um presente da autora, e fiz questão de ler, analisar, e vir aqui contar para vocês as minhas impressões.



Resenha: Mulheres que não sabem chorar


Como o nome indica, ele fala de mulheres. Histórias de pessoas. Então, esperem realidade. Não posso dizer que é um "choque de realidade" porque quem assiste TV ou lê jornal ou conversa com outras pessoas, certamente já se deparou com pelo menos uma das tragédias contadas no livro.

Duas personagens vão contando suas histórias de vida paralelamente. E ao longo da narrativa, vamos tendo contato com os dramas delas e das pessoas que as cercam. Dramas familiares, opressão social. As mulheres tem as suas vidas devastadas simplesmente por serem mulheres. É uma realidade triste.

Por ser mulher, é claro que esse tema não é novo para mim. Essa discussão está sempre rondando a minha mente. E acredito que a da maioria das mulheres. E a gente fica nessa paranoia de achar que o mundo pensa com a gente e se depara com uma declaração assim: "Pelo menos os anos 50 a vida já era melhor para as mulheres". A resposta para a pessoa em questão foi óbvia: meu amor, ser mulher HOJE ainda é muito difícil.

O livro da Lilian é sensível a causa e abusa nas cenas explícitas de violência e preconceito. E há quem pense que esse tema não é "mais" necessário, que tudo é exagero. E no livro ela fala muitas vezes: tentaram nos calar antes, vão continuar tentando nos calar. A violência sofrida pela mulher é tratada com desprezo pela sociedade, como se a culpa fosse da mulher. Aquela pessoa que sofre, que é humilhada, ela é a culpada, "No mínimo não presta", "fez por merecer".

O livro também fala de amor, e de como pessoas sequeladas psicologicamente podem destruírem-se apesar do amor. E como as pessoas podem superar todo o drama pessoal e ter uma vida. E assim é a narrativa, vai nos provocando e nos instigando a pensar mais, a refletir.

É inegável que ela é boa de juramentos, pois só agora, depois da morte da mãe, que conseguiu amar quem nasceu para amar: outra mulher.

E tem mais essa, as mulheres dessa trama descobrem o amor entre mulheres. Algumas mais cedo, outras mais tarde. E além de tudo, precisam lidar com o preconceito, com seus medos e toda questão envolvida nesse tema. Sempre que penso sobre isso, tento imaginar como seria viver sem ser eu mesma. Se me fosse tirado o direito de ser o que eu sou. É muita crueldade querer regular outra pessoa por ela não ser normatizada nessa sociedade doente. "Apenas".

A leitura flui, os parágrafos são curtos e o texto é leve, de fácil compreensão. Li em poucos dias. Mas, não é um texto fácil de digerir. Alguns capítulos foram um soco no estômago e precisei dar um tempo. É pesado, e quando penso no todo, acredito que não poderia ser diferente. Acho que a obra tem um papel importante, poucos se atrevem a tocar nesse assunto. E não podemos deixar assim. Que bom que a Lilian teve a coragem e a iniciativa de colocar essa história no papel.


Sobre a autora:


Lilian Farias é autora dos livros O Céu Está Logo Ali e Mulheres Que Não Sabem Chorar. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, homossexualidade, violência sexual e alcoolismo. A escritora mantém um blog literário e está sempre bem informada sobre questões sociais que acontecem em nosso país. É defensora da tese de que todos são diferentes e merecem ser tratados com equidade. Ela adora escrever sobre temas que incomodam e diz não ter medo do preconceito.






Sinopse:


A vida de Marisa é regida pelo controle. Seja à frente do seu trabalho ou da vida dos filhos, ela é racional, mantendo-se sempre fria, um ser à parte das banalidades, cuja única preocupação é ser um exemplo. Olga é sua antítese. Sentimentos à flor da pele, dor flagelando a carne, pensamentos embaçados pelo esquecimento proporcionado pelo álcool. Sozinha, preocupa-se em apenas ser, em um mundo cercado por fatos que não reconhece mais como seus. Enquanto isso, Ana e Verônica esbarram com o acaso. Duas senhoras solitárias, vizinhas e antagônicas. Será que um dia alguém acharia que poderiam viver em paz? Mais ainda, será que poderiam se apaixonar? Duas jovens livres e independentes. O que as impede de ficar juntas? Mulheres que não sabem chorar é mais que uma história de amor entre iguais. Junto a estas personagens tão humanas, o leitor vê-se despido dos preconceitos, pudores e medos. Ora crua, ora poética, a trama nos obriga a enfrentar o espelho e se ver como nunca imaginou antes. Pois ao mergulhar neste romance, o que fará você
pensar não é a forma como vê o amor, mas sim a forma com que ele se volta em sua direção. Esteja preparado.

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quarta-feira, agosto 02, 2017

Resenha: Neuromancer, por William Gibson

Mais do que uma resenha, vou neste post vou falar um pouco sobre o que esperar de Neuromancer, quem é William Gibson e o que é a trilogia do Sprawl.




O que esperar de Neuromancer


A obra de William Gibson praticamente inaugura o termo Cyberpunk, um sub gênero de Ficção Científica, quando o termo era bastante desconhecido, a ponto de nem o autor saber se era esse gênero mesmo que ele tinha escrito. Publicado em 1984, o livro tem uma linguagem suja, futurista e cheia de termos e jargões próprios. 

É um desafio e tanto imaginar todo o universo que ele constroi ao longo da história. Tudo é novo, diferente e tem nomes próprios. Nem a organização das cidades do mundo são as mesmas, o dinheiro quase não existe fisicamente. E se isso é difícil de conceber para quem vive em 2017, imagine o que foi o lançamento desse livro nos anos 80? Isso é o que torna essa obra única!

Então, a primeira coisa que se precisa entender ao mergulhar nesse universo, é que o início vai ser meio truncado até ajustar as ideias e passar a compreende-lo melhor. Vale dizer que não se trata de um livro mal escrito, mas escrito em de uma forma diferente, sobre coisas com as quais não estamos habituados. E quem gosta de ficção científica (raiz), não tem como não gostar.


Como cheguei ao Neuromancer


A primeira notícia que tive do livro foi nas aulas de Cibercultura na faculdade. Sempre achei que aquelas aulas não tinham servido para muita coisa. Mas, no fim, o professor falava tanto desse livro, de cyber punk e da questão da libertação do corpo e do homem pós-moderno, que algum conhecimento despertou minha curiosidade e me fez (anos mais tarde) recuperar essa obra. Se tivesse lido naquela época talvez as aulas do Rüdiger tivessem sido melhor aproveitadas.



Quem é William Gibson?


Gibson cunhou o termo "ciberespaço", em seu conto Burning Chrome e posteriormente popularizou o conceito em seu romance de estréia e obra mais conhecida, Neuromancer, que é o primeiro volume da aclamada trilogia Sprawl.

O autor idealizou o que conhecemos como ciberespaço como conhecemos hoje (isso explica porque conheci ele em uma disciplina de cibercultura), idealizou ambientes virtuais utilizados em games, e seus conceitos e ideias influenciaram diretamente a trilogia cinematográfica Matrix, de autoria das Irmãs Wachowski. E este é outro bom motivo para ler Neuromancer: quem gosta de Matrix, precisa ler.


O que é o Sprawl?


Sprawl é nome dado à megacidade composta pela junção entre todo o terreno urbano existente entre Boston e Atlanta, incluindo Nova York e Washington, nos Estados Unidos. Por isso, também é conhecido pelo nome de BAMA (Boston-Atlanta Metropolitan Axis, ou seja, Eixo Metropolitano Boston-Atlanta). 

Para terem uma ideia essa informação está no glossário que encontrei nas últimas páginas do Neuromancer. Além dessa palavra, várias outras estão nesse glossário para facilitar/assustar os leitores.

A trilogia do Sprawl é, por tanto, o nome dado ao conjunto de três livros: Neuromancer, Count Zero e Monalisa Overdrive. Histórias diferentes (até onde li de Count Zero) independentes, todas acontecendo no universo criado por Gibson, o Sprawl.


E, finalmente a resenha de Neuromancer


Quando li "Admirável mundo novo", por Aldous Huxley, esperava me surpreender como fui surpreendida em Neuromancer. E agora posso explicar melhor porque daquela resenha amarga escrita antes (leia aqui). A obra escrita muito tempo atrás, sem noção do que viria a se tornar o mundo da ficção científica pode se tornar obsoleta. Como acredito que aconteceu em "Admirável mundo novo". Tudo é espetacular, mas as invenções de lá pra cá são tão mais surpreendentes, que ficamos com a análise dos personagens, do enredo, e isso é fraco. 

Em Neuromancer, também uma distopia futurista, o mundo é outro, bem construído, descrito em detalhes (muitos detalhes). Mistura coisas que temos hoje com outras muito ultrapassadas, que até poderiam não fazer sentido. Mas, estamos observando esse universo sob a perspectiva de quem está à margem da sociedade, roubando tecnologia (na maioria das vezes). Isso explica alguns equipamentos e improvisos. Sempre se tem a possibilidade de do lado rico a realidade ser diferente. E de fato é. Estou vendo isso na sequência, Count Zero.

O enredo é até simples: Cage, um "cowboy" do ciberespaço e hacker da Matrix que, após tentar enganar seus patrões, é demitido e afastado da vida de cowboy para sempre. Como punição pelo seus atos a empresa injeta nele toxinas que o impedem de acessar o mundo virtual. Ele vive em Tóquio numa vida de merda, cometendo pequenos crimes para sobreviver, até que se envolve numa empreitada esquisita e perigosa.

A forma como William Gibson conta essa história é bastante envolvente. Narrada em 3ª pessoa, cheia de diálogos e descrições bastante realistas (algumas parnasinistas até) que nos aproxima dos fatos dando vida aos personagens. Há bastante descrições dos cenários, o que nos permite "ver" os ambientes, a experiência de imersão é muito boa. Quando terminou eu queria ler tudo de novo.

É bom avisar que o livro tem um milhão de personagens, todos bem caracterizados, e isso bagunçou um pouco as minhas ideias. Eu tenho dificuldade para gravar nomes e, como o texto já trás uma infinidade de palavras novas, muitas vezes eu me perdi. Algumas partes eu tive que ler mais de uma vez, às vezes voltava no início para conferir um nome. 

O ambiente virtual é bem confuso, Cage fala com IAs que se passam pelos personagens, menciona os equipamentos, nome de empresas. Mas, nada que uma leitura bem atenta não dê conta de entender e se entreter!

Como eu disse antes, quem gosta de ficção científica, universo cyberpunk, Matrix, inteligência artificial, vai gostar muito desse livro. Pra mim ele foi perfeito. 

E tem a edição nova da Editora Aleph. Um à parte nessa história. Os livros da trilogia são lindos, tamanho ideal, páginas amarelas, cheio de tinta cheirosa (vício). 


=P

quinta-feira, julho 20, 2017

Resenha de Pareidolia, por Luiz Franco

Sabe aquele livro que tu começa a ler cheio de vontade e de repente vai diminuindo o ritmo para aproveitá-lo ao máximo? Assim é "Pareidolia" de Luiz Franco (Poeta de Chapéu). Eu nem sei bem por onde começar essa resenha, porque são tantas observações a fazer. Espero não esquecer de nada, nem desmerecer a obra a mim confiada com tanto carinho pelo autor.



O Livro Pareidolia


A capa dura, o aspecto velho, as folhas grossas de cores diferentes, as fontes em tamanho e formatos, diagramadas diferentemente pelas páginas de acordo com o conto, só aí já dá vontade de ler o livro e entender essa confusão. Aproveitando o ensejo, parabéns ao ilustrador Gustavo Lambreta pelo excelente trabalho.

Pareidolia, de acordo com a wikipédia, é: um fenômeno psicológico que envolve um estímulo vago e aleatório, geralmente uma imagem ou som, sendo percebido como algo distinto e com significado. É comum ver imagens que parecem ter significado em nuvens, montanhas, solos rochosos, florestas, líquidos, janelas embaçadas e outros tantos objetos e lugares. Ela também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo. A palavra pareidolia vem do grego para, que é junto de ou ao lado de, e eidolon, imagem, figura ou forma. Pareidolia é um tipo de apofenia.

Ok! Com essa informação, comecei a leitura.


Pareidolia é um livro de contos. 


O primeiro deles já me tirou da zona de conforto. Um caso envolvendo Pombos, um assassinato e um julgamento. Passado o desconforto causado pela estória, o final é poético e surpreendente. Ao ler os momentos finais, um filmezinho foi passando na minha cabeça. "Beto e as pombas" tem o que mais me encanta em um texto, a capacidade do autor de observar algo aparentemente banal, do nosso dia-a-dia e transformar em algo surreal.


Procura-se um novo domingo


É o segundo conto. Saí do "Beto e as pombas" leve... Comecei a ler esse texto que tem folhas pretas pensando que seguiria a mesma linha. De fato é leve, mas é curioso. Uma repetição maluca acontece, um looping infinito de possibilidades. Quem já acompanha meu blog e instagram sabe que eu amo ficção científica e histórias que mexem com o tempo. Esse conto é simples, mas vai esgotando um tema de um jeito tão curioso e particular. Só lendo para entender.







Perlavado


Esse outro conto é o que os "jovens" chamariam de "um tapa na cara da sociedade". Tem lição de moral, tem surrealismo, tem o ser humano sendo exposto em toda a sua imbecilidade diante de algo que não entende. A construção do texto segue/acompanha a história, com mudança de fundo indo do branco, passando pelo cinza e chegando no preto, ideia de movimento meio perturbadora. Eu ainda não sei como o Luiz Franco fez isso! O conto termina e eu fico pensando...


Instante


É um conto que se passa num instante, um giro pelo apartamento, a cidade, o mundo, a hipocrisia e toda incoerência humana. O espaçamento entre as letras e palavras é quase zero, deixando uma sensação muito boa de ideias se sobrepondo. Um tipo de texto descritivo meio lunático. Curioso.


O relógio da estação


O curioso caso da relatividade do tempo, das obrigações, do tempo que não passa, do tempo que passou. Em poucos minutos, numa estação de trem, um rapaz fica perturbado com a passagem do tempo e o horário "registrado" nos relógios. É angustiante. Eu, como pessoa atrapalhada e atrasada que sou, senti toda a tensão do personagem. Terminei de ler o conto sentindo o peso das reflexões provocadas.


E daí começo a ler "Uma dose de rum a menos"


Imaginei o autor sentado em algum lugar bebendo e pensando nessa história. Talvez até fumando um cigarro. De chapéu, camisa branca abotoada só até a metade, bermuda bege e chinelo de dedo, nem aí pra nada. Rindo das próprias loucuras. Sim, porque o conto que fecha o livro é de rir alto no ônibus e deixar as pessoas a tua volta te julgando. É engraçado e com uma lição muito importante sobre "aparências".

Algo inusitado acontece com um dos personagens e, a partir dali, o no sense é tão grande que eu nem quis mais questionar como aquilo tinha acontecido. Fiquei só querendo saber no que iria dar aquela loucura toda. E o final é um final. A diversão vem em todo o conto antes dele.


Considerações importantes!


Pareidolia mexe com nossos sentidos, com o nosso humor de várias formas, mexe com os sentidos. Ler esse livro, além de tudo é delicioso para quem gosta de cheiro de livro novo. O cheiro da tinta vai nos enfeitiçando.



Algumas questões rondaram as minhas ideias enquanto andava com esse livro para cima e para baixo nos dias em que o li. Mostrei-o para todos os meus colegas de trabalho. Como trabalho com comunicação, com designers, achei que eles precisavam ver aquilo. Um livro que se comunica não só com texto.

Num tempo em que se fala tanto em eBooks, fim do livro físico, editoras como a Cosacnaify fechando, Fnac sendo comprada por outra empresa que, dizem, está falindo. É de se pensar em edições assim. Nada pode superar a experiência de ler um livro como esse, todo pensado para te provocar. Agradeço ao autor, Luiz Franco, pelo envio da obra, por ter me proporcionado momentos maravilhosos com essa leitura.


E para quem chegou até aqui: compre o livro! Vocês não vão se arrepender.
Tem aqui oh na loja SOS Nave Mãe (com frete grátis!)

Também tem a versão digital na Amazon, no Kindle Ilimitado. Mas, por todos os motivos descritos antes, o livro físico tá valendo muito mais.

=P

segunda-feira, julho 17, 2017

"Acidentalmente apaixonados", por Juliana Santander [Primeiras Impressões]

Ganhei um tira gosto do livro "Acidentalmente apaixonados: o amor não estava nos seus planos" da autora Juliana Santander. A distribuição foi feita pela Editora Essência Literária dentro da parceria que temos aqui no Blog Sabe o que é? O objetivo era ter uma ideia da história e falar um pouco sobre. E justo quando a coisa começa a esquentar, a amostra acabou e fiquei na vontade de ler mais.



E aqui estão as minhas "primeiras impressões" sobre o livro


Logo de início percebi que o texto da autora é muito bom. Bem leve, muito fluido. Como gaúcha, achei bem legal ler a protagonista com seu "gauchês". Nada de regionalismos, só o português bem empregado, com tu e todos os "Ss" que ele pede. Acho charmoso.

Outra característica interessante é que o livro é narrado em 1ª pessoa, alternando a narrativa entre Mel e Tom. Algo parecido com o que vimos em "Eleonor & Park" e "Alriet". Esse tipo de narrativa nos deixa a par de ambas visões e vai completando nossas impressões sobre os acontecimentos. Gosto muito!

Mel é uma mulher moderna, decidida, independente e que gosta de curtir a vida e os homens, sem se apegar. Ela encontra Thomas, ex-soldado, com o mesmo estilo de vida que ela.
A história se passa em Nova Iorque. Mel vai morar lá com duas amigas depois de terminar a faculdade. Thomas é seu vizinho. O encontro dos dois é explosivo e fica claro que um grande romance, episódio inédito para ambos,  está para acontecer.

Até o ponto que li, a história estava nesse ponto de apresentações e engrenando. Mel precisa se estabilizar, em outro país, fora da casa dos pais, arrumar trabalho, estudar. Thomas tem pendências ainda por resolver do tempo que serviu no exército. Faz terapia e teve um grande problema no passado que ainda o atormenta. Além disso, no Apartamento em que mora com dois amigos, eles têm uma regra: não namorar vizinhas. Então acredito que muitos conflitos ainda surjam nessa trama até que esse casal se acerte.

Será que ele volta pro exército? Ela para o Brasil? Quanto eles vão negar um amor que venha a surgir? Quantos desencontros? E quanto aos encontros?

A história começa quente, a conversa entre Mel e suas amigas, e as de Thomas com os amigos dele, são bem atrevidas. Em um breve diálogo ele já estava ficando excitado, imaginando ele e Mel transando. Ou seja, para quem gosta de literatura assim, explícita, sensual e sem censura, essa é "o" livro.
A minha expectativa é que Mel se mantenha firme em seus ideais, seja forte e não caia de quatro por Thomas, mudando a sua personalidade. Se alguém tiver que sofrer, que seja ele. Precisamos, nós mulheres, de exemplos assim.

Quem se interessar, acompanhe o site da Editora Essência Literária para verificar a data de lançamento. ;)


Sobre a autora Juliana Santander.


Gaúcha que vive entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, tem uma história de amor com livros desde criança, quando suas avós liam contos de fadas para ela dormir. Ama se perder nas histórias e viver as fantasias que lê. Começou a escrever numa brincadeira entre amigas, depois disso, os personagens nunca mais a deixaram. Sonha em viajar pelo mundo e ter uma biblioteca particular parecida com a da Bela e a Fera, seu conto de fadas preferido no mundo todo.

terça-feira, julho 11, 2017

Resenha de "Uma vez você, uma vez eu" por Diego Martello

Hoje quero falar de um livro que me surpreendeu positivamente. "Uma vez você, uma vez eu" é, a primeira vista, uma estória simples. Quando li a sinopse pensei "é um drama familiar, ok!". Mas, leia esse post até o fim para ver que as coisas não são BEM assim.



Um pouco de história sobre essa aventura para "Uma vez você, uma vez eu"


Quando o livro chegou, surpreendi-me com a mensagem do autor, Diego Martello, de quem recebi o exemplar: "Ótimas reflexões para você", escreveu ele na dedicatória. Ali uma dúvida pairou sobre a minha cabeça. "O que será que isso quer dizer?". Tinha outras leituras em andamento, então tratei de ir terminando tudo para finalmente começar a ler esse livro.


Um sábado desses, no dia em que o último episódio da 10ª temporada de Doctor Who foi exibido. Em meio as lágrimas provocadas pelo "show", decidi pegar "Uma vez você, uma vez eu", um chazinho e me mandar para a praça começar uma nova leitura. O episódio tinha sido pesado, aflorado emoções, e ler é uma coisa que costuma me acalmar, distrai. Vale ressaltar que estava fazendo isso pela primeira vez na vida. Nunca tinha ido ler naquela praça.

Desci a rua pensativa, imaginando ainda os desfechos do episódio de Doctor Who. Ao chegar na praça, vi de longe o lugar que iria pegar. sentaria nos degraus do monumento ao Brigadeiro, pegar o solzinho de fim de tarde. Sentei-me e levei um tempo para me ambientar e me concentrar na leitura.

Quando finalmente mergulhei na estória, deparei-me com um texto bem escrito, português claro, bem empregado, leitura fluída. Meu cérebro vibrou (adoro!), ajeitei-me no degrau do "Seu Brigadeiro" para ficar mais confortável e deixei-me levar pelas palavras. Cinco ou seis minutos depois eu estava observando a figueira a minha frente, pensando na vida. Oi? Voltei à leitura sem entender o que tinha me distraído.

"'Uma vez você, uma vez eu' surpreende pela forma como uma pessoa pode se comportar ao ser afetada por pensamentos e lembranças (...)" Esse é o início do prefácio, e depois de me distrair muitas vezes no início da leitura eu finalmente compreendi o que Diego quis dizer sobre "boas reflexões" e o que Roque Aloísio Weschenfelder nos conta no prefácio. O cenário descrito pelo autor é simples, mas nada raso. Um tipo de conteúdo ao qual raramente eu tenho contato. E foi aqui que ele me ganhou. Daí pra frente a leitura foi num ritmo bom, nada alucinante, porque eu tinha que parar para pensar. Li em duas "sentadas" na praça.


Sobre a leitura e os mistérios de "Uma vez você, uma vez eu"


Como disse antes, o texto é muito bom, nota-se um zelo com cada sentença. Não tem erros de digitação, concordância, lapsos, nada. É curioso e muito gostoso de ler.  Embora não seja muito extenso, não é do tipo "objetivo demais". É todo feito de reflexões, e causa uma sensação de "andar nas nuvens". Sabe o efeito de sonho que vemos em filmes, uma névoa, passagem do tempo diferente, às vezes lenta, às vezes rápida? "Uma vez você, uma vez eu" vai se passando assim. 

Pouco a pouco vamos nos envolvendo com o drama de William, conhecendo a sua pequena família e sua história e simpatizando com ela. Começamos a desejar um bom final para tudo aquilo, até que vem a surpresa. Descubro porque do "Uma vez você" e entro em choque. - Como ele pode ter feito isso? - Sério! Um pouco adiante na história, descubro o "Uma vez eu" e saio da praça boquiaberta, quase tensa pelo cenário desenhado pelo autor. Não é possível!

Quando vem a terceira surpresa, o desfecho, eu já nem acreditava mais. A facilidade com que o autor cria cenários, desfaz esses cenários, conduz o nosso entendimento sobre os acontecimentos é impressionante. Tecnicamente perfeito.


A moral da história e o traço profissional do autor


Talvez não seja bem isso, mas, a narrativa no livro lembrou-me muito da que vi no que chamávamos na faculdade de "romance administrativo", o livro "A meta". Como Diego Martello tem formação na administração, imediatamente associei a isso essa "faceta" do seu livro. Em algumas passagens e diálogos ele descreve situações de gestão da empresa do pai, e uma dinâmica que está sendo organizada. Explica com muita propriedade esses acontecimentos e suscita bastante a reflexão sobre forças e fraquezas (alguns recordarão da FOFA ou SWOT) e também percebi alguns discursos empreendedores, sobre como vencer desafios, como estar preparado.

É provável que a minha formação tenha contribuído para perceber essas nuances que são, na verdade, o pano de fundo do aparente "drama". "Uma vez você, uma vez eu" é o tipo de livro que cada um pode encontrar uma interpretação diferente, porque ele nos faz refletir, comparar, e cada um tem o seu conjunto de experiências, de vivências e dramas, que certamente darão tons diferentes para cada situação no livro. Acredito também que seja o tipo de leitura para se fazer em diferentes momentos da vida, justamente para ter uma experiência literária nova com o mesmo texto. E isso que o faz tão especial.


Se recomendo? É claro que sim!



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Ficha técnica


ISBN: 9788542806298
Edição: 1
Páginas: 184
Data de Publicação: 23/07/2015
Autor: Diego Martello


Sinopse de "Uma vez você, uma vez eu"

Marcos e Willian, pai e filho, tentam se reconciliar após anos de desentendimento. Em paralelo, Eva, mulher de Willian, quer a todo custo engravidar, o que frustra o casal. A partir da visão do interior de cada um, esses personagens terão de reconfigurar o modo de pensar para enfrentar os seus conflitos. Nessa fase tão conturbada para todos, reflexões acompanham cada segundo da trajetória deles. Narrada de forma surpreendente, provocativa e crítica, esta obra não tem a pretensão de apresentar soluções para os problemas enfrentados, mas, sim, mostrar as armadilhas de nosso fluxo de consciência, para compreendermos que as soluções dos problemas dependem, muitas vezes, da forma como se lida com as ilusões, ou, ao contrário, como se enxerga verdadeiramente a realidade.


Sobre o autor: Diego Martello

Diego Martello é formado em Administração e Comércio Exterior. Trabalha com projetos automobilísticos, especialmente na área de Compras - nacionais e internacionais. Tem a leitura como seu principal passatempo e, durante anos, acumulou experiências que nortearam a origem deste livro. "Uma vez você, uma vez eu" é sua obra de estreia.


Clique aqui para saber mais sobre a obra e o autor.
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quinta-feira, julho 06, 2017

Review da 10ª temporada de Doctor Who

A 10ª Temporada de Doctor Who acabou, e hoje vou fazer um review SEM SPOILER para quem ainda pensa em assistir a série, e sendo solidária aos whovians que estão se sentindo meio órfãos com esse Finale e tensão até o episódio especial no natal.

Eu ainda não tinha me pronunciado sobre a era moderna de Doctor Who, pelo menos não formalmente em um post como esse. Mas, essa décima temporada foi tão arrasadora que não me contive. E vou começar a New Who falando do Doutor que está despedaçando nossos corações com esse sai não sai.

Vamos combinar algumas coisas sobre Spoilers

A BBC fez a maravilha de entregar quase tudo de todos os episódios da série e segue esfregando algumas verdades na nossa cara. Então, não vou dizer nada aqui que já não seja meio óbvio para quem acompanha algum site oficial, dos atores, da BBC ou da SyFy Br. Pelos tópicos vocês vão ter uma noção do nível de aprofundamento e vou colocar fotos para que vocês decidam se seguem a leitura ou se já tá demais.

Além disso, vou tentar explicar algumas coisas para quem não tem conhecimento da série clássica. Não que eu seja expert no assunto, quero apenas esclarecer algumas coisas, porque tem episódios bobos nessa décima temporada que só fizeram sentido para quem já tem alguma ideia do que aconteceu quando Doctor Who era em preto e branco (e para quem sabe o que é re-con - AAAAHHHH).



Review Geral da 10ª temporada de Doctor Who

A décima temporada foi mais do que aguardada e já estava gerando polêmica antes mesmo de entrar no ar. Tudo porque Peter Capaldi, que interpreta o Doutor desde a 8ª temporada) anunciou sem preparar o coração whovian que estava deixando o posto. Dali para frente os grupos e sites de fãs enlouqueceram. A BBC confirmou a mudança do doutor e começaram as especulações: sobre como seria a mudança, quando seria, e claro quem e de que sexo seria a próximo Doutor. Não se sabe ainda (eu pelo menos não sei e não quero saber) quem vai ser.

Quando a temporada finalmente começou, fomos presenteados com uma nova Companion. Antes de começar já sabíamos, mas no primeiro episódio descobrimos Bill Potts: negra, lésbica, trabalhadora comum da faculdade onde o Doutor está lecionando. Ora! Que legal! Doctor Who sendo Doctor Who, trazendo temas tão interessantes como racismo, sexismo, homosexualidade.

E mais! Bill é também uma menina que curte ficção científica. Ou seja, não é só uma companion que vai se encantar com o que o Doutor tem para oferecer. Ela chega questionando praticamente tudo. Além de curioso e divertido ver que o Doutor nem sabe mais como responder algumas questões óbvias, o comportamento da nova companheira do Doutor é um presente para quem começar a assistir a série agora. Porque todas as perguntas mais básicas que ajudam a compor o personagem e a série Doctor Who são respondidas. Isso foi genial!

Outra informação que não chega a ser uma novidade é que Nardole, personagem que é introduzido em Doctor Who no especial de natal "The Husbands of River Song" exibido em dezembro de 2017. No episódio em questão ele está como companion de River Song, personagem interpretado por Alex Kingston cujo papel em Doctor Who eu não vou comentar. Ela é misteriosa e importante, por isso deve ser descoberta na série e não contada.


Voltando a Nardole, trata-se de um personagem curioso, meio caricato, não humano, o que o torna bem misterioso. Não temos muita noção do que ele faz com  o Doctor, mas a temporada começa com um segredo guardado pelos dois. Os dois estão "presos" na Terra para guardar esse segredo. A BBC ESTRAGOU ESSA SURPRESA, mas eu não vou falar aqui. Vai que vocês tenham mais sorte. A relação entre ele e o Doctor é, portanto, bastante íntima, cúmplice. E Nardole vai nos conquistando a cada episódio. É muito legal acompanhar esse crescimento do personagem.

O interessante dessa impossibilidade de deixar a Terra já é uma referência por si só. Como falei aqui no blog um tempo atrás em O 3º Doutor da Série Clássica, o Doctor fica preso na Terra. Na verdade um exílio aplicado pelos Senhores do Tempo - seus conterrâneos. Então, soma-se a isso a abertura do episódio em que vemos na mesa do Doctor fotografias antigas (da primeira temporada, do primeiro Doutor) e de River Song, a gente se dá conta de que a temporada pode ser mesmo muito boa.

Mas, é claro, era preciso esperar até o final, porque Mr. Moffat (Showrunner da série) adora deixar ponta solta e não entregar o que promete. Os episódios foram passando, e a alegria de ver tanta referência à série clássica foi crescendo e gerando expectativas. Tanto que os episódios em que nenhuma referência era feita, eu ficada chateada. Nunca estou contente com nada mesmo.

O que foi prometido para a 10º temporada de Doctor Who



A volta do Mestre, da Missy, Ice Worriors (guerreiros de Marte) e Cyberman de Mondas. De brinde teve Dalek clássico e uma Embaixador. Eu surtei quando o Doctor contata o Embaixador. Esse personagem aparece em dois arcos da série clássica (do que eu vi até agora) e é quase insignificante. Ele faz parte de um conselho intergalático, e nada fez mais sentido nessa vida Whovian do que contatá-lo justo no episódio de referência mais direta. Foi perfeito!


Missy e Mestre dando show!




Sobre os antagonistas mais fodásticos de Doctor Who, Missy e Mestre. Eles vêm para reforçar a nossa capacidade de acreditar que exista algo de bom em seus corpinhos. Um show de interpretação da Michele Gomez (Missy) e entrada triunfal do John Sinn, que volta com um Mestre de cavanhaque, nos fazendo lembrar do personagem que infernizava a vida dos primeiros doutores. A dupla Mestre/Missy foi o ponto alto de episódios que já prometiam muito. Para quem já sabe do que o Mestre é capaz, eles confirmaram que são o demônio e a senhorita maldade. Genial!


E lá vem os Cyberman MONDAS!



Quando estávamos perto do fim e nada dos Cyberman de Mondas aparecer, pensei: deu ruim! Os previews dos episódios começaram a ficar sinistros e eu lembrei que foram esses malditos que levaram o Primeiro Doutor (que coisa mais triste, maquiavélica e maravilhosa). Eu estava pensando que não tinha mais surpresas e esses Cybermans, olha! Quem ainda não viu, antes de assistir, dá uma olhadinha no último arco do Primeiro Doutor. De repente dá uma olhada em outros episódios com Cyberman também.

Acontece que o Cyberman é um monstro que volta e meia aparece na série, mas nem todo mundo curte muito. Eu acho o máximo! A gente fala tanto em evoluir, e eles são evolução. Seres humanos bem sucedidos parece que não têm sentimentos. E os Cyberman são um upgrade perfeito. Máquinas com base humana transformada para não sentir coisa alguma. São implacáveis em suas ações. E deixam o Doutor louco com aquele DELETE do capeta.

E então o Moffat vem com a novidade (que não vou contar). Sério. Respeitei o cara pela primeira vez desde que ouvi o nome dele pela primeira vez. Todos as temporadas dele têm problemas, tem resoluções questionáveis, pontas soltas, o caramba! E junto em sua última temporada, última temporada do Capaldi, ele faz um fechamento brilhante!


CORRE QUE LÁ VEM SPOILERS




É claro que o homem não poderia deixar a série sem dar a sua última cagadinha. Achei repetitivo colocar a companion dentro de um dos monstros (de novo) sem perceber no que tinha se transformado. Pior ainda foi não matar a mulher de uma vez, transformá-la em algo fantástico e mandá-la passear pelo universo. Para fazer isso, algumas besteiras de edição/texto, não sei, aconteceram. Algumas falas e ações finais da Bill foram toscas.

Uma delas foi "confirmar" com o Doutor e o Nardole que eles sabiam que ela gostava de meninas da idade dela. Isso ficou solto, justo na despedida, que era para ser dramática. E depois, na despedida final, dentro da Tardis, a mocinha fala que o universo é imenso, mas que ela espera encontrar ele ainda algum dia. Mas, como, se ela nem sabe do truque dos Senhores do Tempo para enganar a morte?

Eu, inclusive acho que ela só deixou a Tardis porque achou que ele não voltava mais, que tinha acabado. Então... O que raios foi aquela despedida? Serviu somente para dar a pontinha de desperança, a lágrima que fez o doutor acordar (Olha o clichêzão aí gente!). 


Capaldi tá possuído, ele não vai não!



O 12º Doutor passa dois episódios em estado de quase regeneração, aquela mãozinha brilhando o episódio inteiro. Quando ele é acertado pelo maldito Cyberman já estava mais pra lá do que pra cá. E quando acorda, entre lágrimas, a gente vê todas as companions maravilhosas, a Clara e a Martha também (KKKKK) chamando por ele, que se levanta "o 11º" lembrando de quando era o Doutor, vê "o 10º" fazendo birra dizendo que não quer ir. E todos esses Doutores no corpo do baita ator que é o Peter Capaldi. Foi brilhante literalmente.

E daí eu já estava soluçando querendo entrar para dentro da TV quando nada mais, nada menos, do que o Primeiro Doutor surge no episódio, esnobando o 12º Doutor. GE-NI-AL. Eu me arrepio só de lembrar disso. E é assim que o episódio termina. Não tem regeneração (ainda), eu já tô querendo que o 12º faça como o 10º e nos dê mais uma palhinha de uma temporada. Estamos cansados de mudar tambem, fica Capaldi!


O Especial de Natal - E que especial!




Parei de clicar em links assim que o episódio final da 10ª temporada acabou. Eu não quero saber quem vai ser o próximo, nem como vai ser esse episódio MAIS QUE ESPECIAL com um pouco mais do Primeiro Doutor.

É claro que William Hartnell, que interpretou o 1º Doutor (saiba mais dele aqui) já foi pro céu de Gallyfrey. A BBC achou um outro ator com a voz e aparência muito parecidas. É emocionante vê-lo interpretar o personagem. Ah! Nostalgia. Assistir Doctor Who em re-com (vídeo com áudio original montado com fotos) faz a gente amar esse Doutor. Não dá pra explicar. Os episódios são toscos, o Doutor é meio tosco, e quando ele vai embora dá aquela saudade.

Doctor Who é um personagem rico, não por acaso é série mais antiga do mundo ainda no ar. Fãs foram assumindo roteiro, direção, elenco, e o resultado está aí. Peter Capaldi é um grande fã da série. E só pode ter sido ideia dele oferecer "jelly baby" em meio ao caos. Assim como as falas dos seus antecessores, o discurso final.

Fico me perguntando o quanto ele e Moffat confabularam sobre esse final apocalíptico com direito Cyrber Mondas e 1º Doutor. Um especial de Natal mágico se aproxima. Minha sugestão é que quem leu esse texto até aqui corra pra página do Universo Who, baixe tudo, assista tudo, ainda dá tempo de se tornar um Whovian.

Ainda não estou pronta para dizer adeus ao 12º Doutor. As sessões de rock na TARDIS vão deixar saudades. Sem mais...


=P

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