terça-feira, setembro 12, 2017

Resenha: Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently

Livro de Douglas Adams. Pronto, nem preciso escrever essa resenha, vocês nem precisam ler para saber que é maravilhoso. hahaha Mentira, leiam sim, que esse é diferente!





Resenha: Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently, de Douglas Adams


Se pudéssemos definir a qualidade de um livro pelo título, já poderíamos dizer que Douglas Adams arrasou nessa obra. Eu não fazia a menor ideia do que se tratava até ler. E o título é a cara do autor, é de uma curiosidade humorística irônica que só ele consegue.

Fazer um resuminho do enredo é bem complexo, porque o livro não tem Dirk Gently e sua Agência de Investigações Holísticas exatamente como centro da trama. No mais belo estilo Douglas Adams, a história começa a ser contada pelas pontas, as quais vão sendo conectadas lá pela metade do livro. Ou seja, ele começa a narrar acontecimentos banais de diferentes personagens e vai se aproximando do que realmente interessa aos poucos.

Quem nunca leu Douglas Adams pode pensar agora "nossa, que chatice, deve ser arrastado". Puro engano! O autor é cômico e irônico desde as primeiras linhas de suas histórias, e o que ele narra é tão absurdo que gera muita curiosidade. O modo peculiar como ele "se vinga" dos computadores e softwares que nunca fazem o que são construídos para fazer, a forma como ironiza os costumes ingleses, a raça humana... É o tipo de livro para rir alto e depois se perguntar "O quê?" e então não querer mais desgrudar até entender tudo.

O enredo! Vocês podem estar se perguntando e, bem. Veja bem. Se eu disser que o personagem lá está procurando alguma coisa cruzando o caminho deste e daquele outro, vou estragar toda a experiência de que for ler. O que posso adiantar é que ele conta alguns dias da vida de mais ou menos quatro personagens e que o fio que conecta essas histórias é inesperado e totalmente louco. Mas, isso só se mostra depois da metade do livro, quase no final.

Diferente de "O Guia do Mochileiro das Galáxias" que é ficção científica, fantasia e absurdo do início ao fim, esse parece uma história qualquer. Levemente conectada com o outro lado da vida, "Agência de Investigações Holísticas Dirk Gently" é um mistério antes mesmo de o investigador entrar em ação. E o que é mais legal, só fica claro que se trata mesmo de um mistério quado ele é desvendado.

Se quiser entender melhor o universo do "Guia do Mochileiro das Galáxias" acesse Sobre a vida, o universo e tudo mais!

Quando isso acontece, começamos a pensar em tudo que lemos até ali. Aquelas passagens bobinhas, da qual rimos, tinham muita importância. Dá vontade até de voltar e ler tudo de novo, pra ver se era isso mesmo, se não perdemos algum detalhe. Gente! Entendem isso? É uma trama desconstruída e tão bem costurada que não dá pra admirar esse tal Douglas Adams.

Algo que fiquei pensando enquanto lia, e que é um dos motivos para adorar esse autor, é que a história é divertida do início ao fim. Alguns livros são arrastados em algum ponto, ou demora a engrenar. Com Douglas Adams não é assim. Aliás, nem um climax, plot twist e final arrebatador ele faz. É um livro pra aproveitar cada página. E o final é só o fim. Basta o leitor ter o mínimo de bom humor e loucura para gostar muito.

Eu tentei ler bem de vagar, porque esse é o penúltimo livro que existe para eu ler do autor. Mas, é bem difícil, a leitura flui de um jeito, que quando via já tinha lido vários capítulos. É uma história que não cansa.

Então, como já deve imaginar quem leu até aqui, recomendo muito. Para quem já é fã, para quem nunca leu, e até para quem não é chegado em fantasia ou ficção científica. É uma obra perfeita para iniciar a leitura de Douglas Adams.

E, existe uma série no Netflix do investigador Dirk Gently. Já ouvi dizer que tem nada a ver com o livro, só algumas referências. Particularmente, e apesar disso, pretendo assistir somente depois de ler "A longa e sombria hora do chá", outro livro com o investigador.

E vocês, já leram Douglas Adams, esse livro, estão pensando em ler? Gostam de Ficção Científica? Contem aí nos comentários.


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Resenha E tem outra coisa, de Eoin Colfer
A vida, o universo e tudo mais... E tem outra coisa

=P

sexta-feira, setembro 01, 2017

O que é indie rock?

O que é indierock? Bem, comece não julgando um texto pelo título. A pergunta parece boba, mas, juro que tenho uma reflexão para compartilhar e não só um monte de baboseira, definição e algo parecido com o que se encontra na Wikipedia. O que quero escrever hoje é sobre algo que volta e meia eu me pergunto, e que voltou a circular nas minhas ideias quando meu antigo professor perguntou que estilo era "The Killers". 




Enrolei quase um ano para terminar esse texto. A pergunta aparentemente aleatória aconteceu quando fui com a camiseta da banda para a aula de alemão (saudades). O professor, por não conhecer a banda deduziu, pelo nome, que fosse Hardrock. Hardrock? perguntou ele. Ao que respondi "não, indie".

Respondi e fiquei pensando. A palavra "indie" ficou ecoando na minha cabeça, envolta pelo pensamento: ora! Se ele não conhece The Killers, provavelmente não sabe o que é indie. E como se tivesse lido a mente dele, percebi que o Lehrer ficou repetindo "indie, indie, indie..."  e finalmente me saiu com a pergunta: "indie pop"? Eu achei graça, respondi que não, que era indie rock.

Bem, depois dessa conversa no elevador fiquei pensando (de novo) sobre o que era indie rock. Revisitei mentalmente as bandas que eu gosto e que são, de acordo com a minha humilde opinião, indie. E consegui duas classificações mais palpáveis: 

Indie = independente

Bandas que não têm gravadora, fazem seu trabalho por conta própria ou com financiamentos coletivos.

Indie = estilo de música

E nesse "indie" caberia inclusive o "indie pop" sugerido pelo professor.


The Killers, a banda em questão, começou como Indie, no sentido "independente" da palavra, depois cresceu absurdamente e continuou fazendo um som não muito convencional. Não se tornou necessariamente pop, e aí? Onde é que ela vai se encaixar? É aí que eu acho que o "indie" vira gênero também. Ainda que bandas como The Killers tenham aparentemente pleno controle das suas carreiras, sendo independentes, não pertencem mais ao cenário underground, e estão num ambiente mais comercial, é o que me parece pelo menos.


E quando se fala de gênero, o que é Indie Rock, afinal?


Voltei a lembrar das músicas que ouço e que acredito serem Indie e me dei conta de que não existe um padrão que se possa definir. Talvez por isso as pessoas "normais" odeiem quando tem um fã de indie perdido no meio de uma conversa sobre música (só não somos mais insuportáveis que musicistas, técnicos e teóricos - hahah). Existe uma infinidade de bandas por aí, cada uma com o seu estilo, referências e pretensões. Não tem como colocar todas em um único balaio. 

A raiz do indie rock está nas bandas de rock alternativo, o pós-punk e o new wave dos anos 80, mas vem se modificando ao longo do tempo. Se olhar para o cenário nacional, a diferença é gritante. A prova disso está em três ou quatro bandas que eu posso citar aqui: Plutão já foi planeta, Scalene, Sound Bullet e Valente, por exemplo. Considero as três "indie rock", adoro as três, e são poucas as semelhanças entre elas.

O mesmo não acontece se pegar exemplos fora do braziu. Consigo notar algumas semelhanças entre as bandas que eu gosto, e entre outras bandas que não gosto, mas que são reconhecidas como representantes do indie rock, tais como: White Stripes, Arctic Monkeys e The Strokes. Estilos parecidos que me cansam. (desculpa aí). Prefiro sons mais melódicos, pós-punk, como: Tocotronic, após o álbum "Schal und wahn" (banda alemã), New Mayans, New Politicians, Doves, The Joy Formidable

A semelhança entre as bandas ditas "Indie" é que elas não estão na novela da globo? Se fosse assim a Scalene não seria mais indie, e já ouvi falar que não são, e discordo. Magnetite está aí para nos mostrar que a banda não está seguindo uma tendência, não está necessariamente buscando ser tocada no rádio. Pelo menos não seguindo caminhos comerciais para isso. Aliás, as bandas indie nacionais se diferenciam de bandas como Coldplay, Kaiser Chiefs, The Killers e tantas outras que estão debandando para uma pegada eletrônica, ficando todas muito parecidas, de novo.


O undergound não é mais tão underground


Se ser indie era ser underground, ninguém mais o é! Graças a Internet, as bandas podem se tornar mais conhecidas. Eu só conheci Sound Bullet por causa do Twitter, e se não fosse a rede não conheceria metade das bandas nas minhas listas do Spotify. E sem as redes sociais, certamente a Scalene não estaria tocando na novela da globo, eu não conseguiria continuar acompanhando a Valente, a Plutão já foi planeta, a Stella ou a Baby Budas.

Então, indie rock ou pop, nada mais é do que uma produção independentemente criativa. Essa foi a conclusão a que cheguei. Porque se não é a visibilidade, popularidade, estilo ou o selo, sobra o criativo para a classificação. E, também acredito que a classificação quer dizer nada. Música boa tem que ser aquela que nos toca, que nos faz bem (de preferência). Essa a minha relação com a música pelo menos.


E para vocês, como vêem essas classificações, vocês ouvem alguma coisa muito diferente, que ninguém conhece? Contem aí nos comentários! 

E para deixar vocês por dentro do que é indie rock para mim, fica aí uma das minhas playlists.




=P

segunda-feira, agosto 21, 2017

Magnetite, confira o faixa a faixa do álbum novo da Banda Scalene!

A Banda Scalene acaba de lançar o novo álbum, Magnetite, e como não poderia deixar de ser, fiz um faixa a faixa comentando cada uma das músicas.



Antes do faixa a faixa, alguns comentários gerais: 


A Scalene tem como característica o preciosismo com conceito, imagem, não somente com o som. A comunicação deles é muito boa. E isso reflete muito o que fazem nos álbuns. Com Magnetite não foi diferente. O álbum está visualmente lindo.

Quanto a qualidade musical, seguem se reinventando. As músicas (todas) tem muito da Scalene. O peso das guitarras e das gritarias de Real/Surreal estão mais presentes, e muito da sutileza do Éter (primeiro e segundo álbuns da banda), com um toque Magnetite que surpreende. Se tiver que classificar de alguma forma esse novo álbum, diria que ele tem uma roupagem nova, muito brasileira. Que traz referências de onde eles cresceram a vivem, do que ouvem, do que gostam, de um modo muito original.

As letras maduras, bem pensadas, impecáveis, agora têm um peso maior em críticas, provocam reflexões, algumas incomodam. E qual é a função de uma banda de rock se não causar esse desconforto? A Scalene faz isso em Magnetite sem ser óbvia, com personalidade, com força. Muitas mensagens sendo transmitidas em melodia poética. Ao longo do faixa a faixa vocês vão poder identificar as minhas preferidas.



Faixa a faixa do álbum Magnetite


extremos pueris

A música que abre o álbum apresenta muito bem o que podemos esperar das 11 músicas que se seguirão. Ela é forte, intensa, sensível, delicada. Características que resumem o trabalho da Scalene de um modo geral.


ponta do anzol

Eu não fiz esse faixa a faixa ouvindo as músicas na ordem, e "ponta do anzol" ficou por último. Já disse tanto sobre tudo e as músicas do álbum são tão interconectadas em conceito e qualidade de letra e som que fica difícil não ser repetitiva. A música é diferente, tem um pouco de eletrônico, baixo muito marcado, e uns arranjos novos se comparados com os outros álbuns. É boa!


cartão postal

Ao som de um quase mantra que diz "vou, até onde eu aguentar", "cartão postal" me tocou. A letra tem uma harmonia com a música, elas vão se intensificando na medida. A melodia vai dançando nas ideias. Eu amo esse tipo de música, melódica sem ser grudenta, surpreendente a cada nota. E a guitarra característica da Scalene nos momentos mais delicados. Sensacional!


esc (caverna digital)

Essa tem a brasilidade aflorada, lembrando sei lá, chico Science. Um baixo que nos lembra o toque do berimbau, aquela guitarra que não sei explicar (porque não sou musicista hahaha). E esse tema da caverna digital, minha gente, casamento perfeito. "Ah se eu pudesse, eu tiraria você de mim", que letra, que melodia gostosa!


distopia

Essa a gente deveria imprimir em cartazes, fazer camisetas, enviar por email, postar no Facebook. Musicalmente Scalene, letra de crítica social. Que banda maravilhosa (tô surtando nesse faixa a faixa porque não tem outro jeito!) Olha essa letra:

Homens de terno,
podres por dentro,
e a bíblia na mão,
pregam o ódio
e a intolerância,
a cada sermão, cada sermão
usam do medo
ingenuidades
roubam de quem
pouco já tem
Falam de entrega
de sacrifícios
ônus não tem
$ó o que lhes convém
Quando alguém vai ter o peito e coragem de se posicionar do jeito?
Que o absurdo fere,
que esse crime pede,
não é como se fosse
um abuso novo,
autoridade não
se faz com oração.

Sabe... Não precisa dizer mais nada.


frenesi

Essa me parece algo experimental. É diferente de tudo e tem uns arranjos curiosos. Parece uma brincadeira de estúdio que foi levado a sério. Uma reinvenção. Ouvi-la em alto e bom som é gratificante.


maré

Uma calmaria em meio a tempestade. Quase todas as músicas são uma loucura, não necessaria pesadas, mas intensas. Maré distoa das demais. Tem a mesma pegada experimental de "frenesi", brasilidade e uma dose de calmante. É linda, sensível.


fragmento 

Rock 'n roll nacional. Não, não estou dizendo que se trata de rock anos 80 (re)conhecido como rock nacional. Estou falando de musicalidade brasileira pura em forma de Rock 'n roll. O peso na guitarra é o que nos faz lembrar que ainda é Scalene. Scalene na veia.


trilha

Uma pegada de blues e guitarras distorcidas, um ritmo meio perturbador. Os vocais sombrios completam a estranheza e beleza dessa música. A transição quase natural dessa faixa para o "Velho lobo" lembrou-me muito do que acontece no "Real/Surreal". É muito legal para quem tem o hábito de ouvir um álbum inteiro de uma vez, na ordem certa.


velho lobo

A continuidade de "trilha" eleva essa canção. Ela vem de sombria para uma intensidade que vai ganhando espaço gradativamente que nos envolve. Lembra um pouco, mas muito pouco, só no início, a Scalene do Éter. Tem uma vibe eletrônica, uns trechos diferentes que brinca com nossos sentidos. A melodia mais leve agrada.


heteronímia

Ouvindo essa música eu fiquei pensando em como a Scalene faz isso com a cabeça da gente. Não há grande diferença das músicas do primeiro álbum para esse. Mas é notável o amadurecimento dos músicos apesar disso. Parabéns especial a esse baixista criativo/maluco/perfeccionista. E esse refrão "quero resistência sem dor". Que letra!


phi - A minha preferida até aqui

Os toques agudos no piano, os solos de guitarra ao fundo, as batidas graves intensificando-se junto com a melodia das palavras. E que palavras. A letra impecável. Eu poderia dizer "inacreditável" mas a Banda Scalene sempre surpreende nesse quesito. Não é novidade, superam-se a cada álbum, a cada canção.

E com "phi" o álbum termina com gostinho de quero mais.


O álbum pode ser comprado online aqui. Faça como eu e compre, mesmo que não tenha onde ouvir, porque a banda merece! Um trabalho lindo como esse precisa ser incentivado!

E vocês podem ouvir no Scalenetube, onde eles já postaram todas os "Lyric Vídeos".

E, claro, para ouvir nas plataformas digitais: Spotify | Deezer | iTunes
Download no iTunes


E aqui, a minha favorita. O que são esses toques no piano? "perfeita simetria"




E eu já estou sonhando com a possibilidade de ter esse disco em vinil. #oremos



Pra ler mais posts relacionados, clique em #banda scalene
=P

quarta-feira, agosto 16, 2017

Resenha: Mulheres que não sabem chorar, por Lilian Farias

Essa resenha vai ser difícil, porque "Mulheres que não sabem chorar" escrito pela autora Lilian Farias levanta uma série de questões. Não é o tipo de leitura que eu costumo fazer, porque evito os temas fortes. Mas, foi um presente da autora, e fiz questão de ler, analisar, e vir aqui contar para vocês as minhas impressões.



Resenha: Mulheres que não sabem chorar


Como o nome indica, ele fala de mulheres. Histórias de pessoas. Então, esperem realidade. Não posso dizer que é um "choque de realidade" porque quem assiste TV ou lê jornal ou conversa com outras pessoas, certamente já se deparou com pelo menos uma das tragédias contadas no livro.

Duas personagens vão contando suas histórias de vida paralelamente. E ao longo da narrativa, vamos tendo contato com os dramas delas e das pessoas que as cercam. Dramas familiares, opressão social. As mulheres tem as suas vidas devastadas simplesmente por serem mulheres. É uma realidade triste.

Por ser mulher, é claro que esse tema não é novo para mim. Essa discussão está sempre rondando a minha mente. E acredito que a da maioria das mulheres. E a gente fica nessa paranoia de achar que o mundo pensa com a gente e se depara com uma declaração assim: "Pelo menos os anos 50 a vida já era melhor para as mulheres". A resposta para a pessoa em questão foi óbvia: meu amor, ser mulher HOJE ainda é muito difícil.

O livro da Lilian é sensível a causa e abusa nas cenas explícitas de violência e preconceito. E há quem pense que esse tema não é "mais" necessário, que tudo é exagero. E no livro ela fala muitas vezes: tentaram nos calar antes, vão continuar tentando nos calar. A violência sofrida pela mulher é tratada com desprezo pela sociedade, como se a culpa fosse da mulher. Aquela pessoa que sofre, que é humilhada, ela é a culpada, "No mínimo não presta", "fez por merecer".

O livro também fala de amor, e de como pessoas sequeladas psicologicamente podem destruírem-se apesar do amor. E como as pessoas podem superar todo o drama pessoal e ter uma vida. E assim é a narrativa, vai nos provocando e nos instigando a pensar mais, a refletir.

É inegável que ela é boa de juramentos, pois só agora, depois da morte da mãe, que conseguiu amar quem nasceu para amar: outra mulher.

E tem mais essa, as mulheres dessa trama descobrem o amor entre mulheres. Algumas mais cedo, outras mais tarde. E além de tudo, precisam lidar com o preconceito, com seus medos e toda questão envolvida nesse tema. Sempre que penso sobre isso, tento imaginar como seria viver sem ser eu mesma. Se me fosse tirado o direito de ser o que eu sou. É muita crueldade querer regular outra pessoa por ela não ser normatizada nessa sociedade doente. "Apenas".

A leitura flui, os parágrafos são curtos e o texto é leve, de fácil compreensão. Li em poucos dias. Mas, não é um texto fácil de digerir. Alguns capítulos foram um soco no estômago e precisei dar um tempo. É pesado, e quando penso no todo, acredito que não poderia ser diferente. Acho que a obra tem um papel importante, poucos se atrevem a tocar nesse assunto. E não podemos deixar assim. Que bom que a Lilian teve a coragem e a iniciativa de colocar essa história no papel.


Sobre a autora:


Lilian Farias é autora dos livros O Céu Está Logo Ali e Mulheres Que Não Sabem Chorar. Em seus livros ela aborda temas como sexualidade, liberdade, amor, preconceito, homossexualidade, violência sexual e alcoolismo. A escritora mantém um blog literário e está sempre bem informada sobre questões sociais que acontecem em nosso país. É defensora da tese de que todos são diferentes e merecem ser tratados com equidade. Ela adora escrever sobre temas que incomodam e diz não ter medo do preconceito.






Sinopse:


A vida de Marisa é regida pelo controle. Seja à frente do seu trabalho ou da vida dos filhos, ela é racional, mantendo-se sempre fria, um ser à parte das banalidades, cuja única preocupação é ser um exemplo. Olga é sua antítese. Sentimentos à flor da pele, dor flagelando a carne, pensamentos embaçados pelo esquecimento proporcionado pelo álcool. Sozinha, preocupa-se em apenas ser, em um mundo cercado por fatos que não reconhece mais como seus. Enquanto isso, Ana e Verônica esbarram com o acaso. Duas senhoras solitárias, vizinhas e antagônicas. Será que um dia alguém acharia que poderiam viver em paz? Mais ainda, será que poderiam se apaixonar? Duas jovens livres e independentes. O que as impede de ficar juntas? Mulheres que não sabem chorar é mais que uma história de amor entre iguais. Junto a estas personagens tão humanas, o leitor vê-se despido dos preconceitos, pudores e medos. Ora crua, ora poética, a trama nos obriga a enfrentar o espelho e se ver como nunca imaginou antes. Pois ao mergulhar neste romance, o que fará você
pensar não é a forma como vê o amor, mas sim a forma com que ele se volta em sua direção. Esteja preparado.

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quarta-feira, agosto 02, 2017

Resenha: Neuromancer, por William Gibson

Mais do que uma resenha, vou neste post vou falar um pouco sobre o que esperar de Neuromancer, quem é William Gibson e o que é a trilogia do Sprawl.




O que esperar de Neuromancer


A obra de William Gibson praticamente inaugura o termo Cyberpunk, um sub gênero de Ficção Científica, quando o termo era bastante desconhecido, a ponto de nem o autor saber se era esse gênero mesmo que ele tinha escrito. Publicado em 1984, o livro tem uma linguagem suja, futurista e cheia de termos e jargões próprios. 

É um desafio e tanto imaginar todo o universo que ele constroi ao longo da história. Tudo é novo, diferente e tem nomes próprios. Nem a organização das cidades do mundo são as mesmas, o dinheiro quase não existe fisicamente. E se isso é difícil de conceber para quem vive em 2017, imagine o que foi o lançamento desse livro nos anos 80? Isso é o que torna essa obra única!

Então, a primeira coisa que se precisa entender ao mergulhar nesse universo, é que o início vai ser meio truncado até ajustar as ideias e passar a compreende-lo melhor. Vale dizer que não se trata de um livro mal escrito, mas escrito em de uma forma diferente, sobre coisas com as quais não estamos habituados. E quem gosta de ficção científica (raiz), não tem como não gostar.


Como cheguei ao Neuromancer


A primeira notícia que tive do livro foi nas aulas de Cibercultura na faculdade. Sempre achei que aquelas aulas não tinham servido para muita coisa. Mas, no fim, o professor falava tanto desse livro, de cyber punk e da questão da libertação do corpo e do homem pós-moderno, que algum conhecimento despertou minha curiosidade e me fez (anos mais tarde) recuperar essa obra. Se tivesse lido naquela época talvez as aulas do Rüdiger tivessem sido melhor aproveitadas.



Quem é William Gibson?


Gibson cunhou o termo "ciberespaço", em seu conto Burning Chrome e posteriormente popularizou o conceito em seu romance de estréia e obra mais conhecida, Neuromancer, que é o primeiro volume da aclamada trilogia Sprawl.

O autor idealizou o que conhecemos como ciberespaço como conhecemos hoje (isso explica porque conheci ele em uma disciplina de cibercultura), idealizou ambientes virtuais utilizados em games, e seus conceitos e ideias influenciaram diretamente a trilogia cinematográfica Matrix, de autoria das Irmãs Wachowski. E este é outro bom motivo para ler Neuromancer: quem gosta de Matrix, precisa ler.


O que é o Sprawl?


Sprawl é nome dado à megacidade composta pela junção entre todo o terreno urbano existente entre Boston e Atlanta, incluindo Nova York e Washington, nos Estados Unidos. Por isso, também é conhecido pelo nome de BAMA (Boston-Atlanta Metropolitan Axis, ou seja, Eixo Metropolitano Boston-Atlanta). 

Para terem uma ideia essa informação está no glossário que encontrei nas últimas páginas do Neuromancer. Além dessa palavra, várias outras estão nesse glossário para facilitar/assustar os leitores.

A trilogia do Sprawl é, por tanto, o nome dado ao conjunto de três livros: Neuromancer, Count Zero e Monalisa Overdrive. Histórias diferentes (até onde li de Count Zero) independentes, todas acontecendo no universo criado por Gibson, o Sprawl.


E, finalmente a resenha de Neuromancer


Quando li "Admirável mundo novo", por Aldous Huxley, esperava me surpreender como fui surpreendida em Neuromancer. E agora posso explicar melhor porque daquela resenha amarga escrita antes (leia aqui). A obra escrita muito tempo atrás, sem noção do que viria a se tornar o mundo da ficção científica pode se tornar obsoleta. Como acredito que aconteceu em "Admirável mundo novo". Tudo é espetacular, mas as invenções de lá pra cá são tão mais surpreendentes, que ficamos com a análise dos personagens, do enredo, e isso é fraco. 

Em Neuromancer, também uma distopia futurista, o mundo é outro, bem construído, descrito em detalhes (muitos detalhes). Mistura coisas que temos hoje com outras muito ultrapassadas, que até poderiam não fazer sentido. Mas, estamos observando esse universo sob a perspectiva de quem está à margem da sociedade, roubando tecnologia (na maioria das vezes). Isso explica alguns equipamentos e improvisos. Sempre se tem a possibilidade de do lado rico a realidade ser diferente. E de fato é. Estou vendo isso na sequência, Count Zero.

O enredo é até simples: Cage, um "cowboy" do ciberespaço e hacker da Matrix que, após tentar enganar seus patrões, é demitido e afastado da vida de cowboy para sempre. Como punição pelo seus atos a empresa injeta nele toxinas que o impedem de acessar o mundo virtual. Ele vive em Tóquio numa vida de merda, cometendo pequenos crimes para sobreviver, até que se envolve numa empreitada esquisita e perigosa.

A forma como William Gibson conta essa história é bastante envolvente. Narrada em 3ª pessoa, cheia de diálogos e descrições bastante realistas (algumas parnasinistas até) que nos aproxima dos fatos dando vida aos personagens. Há bastante descrições dos cenários, o que nos permite "ver" os ambientes, a experiência de imersão é muito boa. Quando terminou eu queria ler tudo de novo.

É bom avisar que o livro tem um milhão de personagens, todos bem caracterizados, e isso bagunçou um pouco as minhas ideias. Eu tenho dificuldade para gravar nomes e, como o texto já trás uma infinidade de palavras novas, muitas vezes eu me perdi. Algumas partes eu tive que ler mais de uma vez, às vezes voltava no início para conferir um nome. 

O ambiente virtual é bem confuso, Cage fala com IAs que se passam pelos personagens, menciona os equipamentos, nome de empresas. Mas, nada que uma leitura bem atenta não dê conta de entender e se entreter!

Como eu disse antes, quem gosta de ficção científica, universo cyberpunk, Matrix, inteligência artificial, vai gostar muito desse livro. Pra mim ele foi perfeito. 

E tem a edição nova da Editora Aleph. Um à parte nessa história. Os livros da trilogia são lindos, tamanho ideal, páginas amarelas, cheio de tinta cheirosa (vício). 


=P

quinta-feira, julho 20, 2017

Resenha de Pareidolia, por Luiz Franco

Sabe aquele livro que tu começa a ler cheio de vontade e de repente vai diminuindo o ritmo para aproveitá-lo ao máximo? Assim é "Pareidolia" de Luiz Franco (Poeta de Chapéu). Eu nem sei bem por onde começar essa resenha, porque são tantas observações a fazer. Espero não esquecer de nada, nem desmerecer a obra a mim confiada com tanto carinho pelo autor.



O Livro Pareidolia


A capa dura, o aspecto velho, as folhas grossas de cores diferentes, as fontes em tamanho e formatos, diagramadas diferentemente pelas páginas de acordo com o conto, só aí já dá vontade de ler o livro e entender essa confusão. Aproveitando o ensejo, parabéns ao ilustrador Gustavo Lambreta pelo excelente trabalho.

Pareidolia, de acordo com a wikipédia, é: um fenômeno psicológico que envolve um estímulo vago e aleatório, geralmente uma imagem ou som, sendo percebido como algo distinto e com significado. É comum ver imagens que parecem ter significado em nuvens, montanhas, solos rochosos, florestas, líquidos, janelas embaçadas e outros tantos objetos e lugares. Ela também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo. A palavra pareidolia vem do grego para, que é junto de ou ao lado de, e eidolon, imagem, figura ou forma. Pareidolia é um tipo de apofenia.

Ok! Com essa informação, comecei a leitura.


Pareidolia é um livro de contos. 


O primeiro deles já me tirou da zona de conforto. Um caso envolvendo Pombos, um assassinato e um julgamento. Passado o desconforto causado pela estória, o final é poético e surpreendente. Ao ler os momentos finais, um filmezinho foi passando na minha cabeça. "Beto e as pombas" tem o que mais me encanta em um texto, a capacidade do autor de observar algo aparentemente banal, do nosso dia-a-dia e transformar em algo surreal.


Procura-se um novo domingo


É o segundo conto. Saí do "Beto e as pombas" leve... Comecei a ler esse texto que tem folhas pretas pensando que seguiria a mesma linha. De fato é leve, mas é curioso. Uma repetição maluca acontece, um looping infinito de possibilidades. Quem já acompanha meu blog e instagram sabe que eu amo ficção científica e histórias que mexem com o tempo. Esse conto é simples, mas vai esgotando um tema de um jeito tão curioso e particular. Só lendo para entender.







Perlavado


Esse outro conto é o que os "jovens" chamariam de "um tapa na cara da sociedade". Tem lição de moral, tem surrealismo, tem o ser humano sendo exposto em toda a sua imbecilidade diante de algo que não entende. A construção do texto segue/acompanha a história, com mudança de fundo indo do branco, passando pelo cinza e chegando no preto, ideia de movimento meio perturbadora. Eu ainda não sei como o Luiz Franco fez isso! O conto termina e eu fico pensando...


Instante


É um conto que se passa num instante, um giro pelo apartamento, a cidade, o mundo, a hipocrisia e toda incoerência humana. O espaçamento entre as letras e palavras é quase zero, deixando uma sensação muito boa de ideias se sobrepondo. Um tipo de texto descritivo meio lunático. Curioso.


O relógio da estação


O curioso caso da relatividade do tempo, das obrigações, do tempo que não passa, do tempo que passou. Em poucos minutos, numa estação de trem, um rapaz fica perturbado com a passagem do tempo e o horário "registrado" nos relógios. É angustiante. Eu, como pessoa atrapalhada e atrasada que sou, senti toda a tensão do personagem. Terminei de ler o conto sentindo o peso das reflexões provocadas.


E daí começo a ler "Uma dose de rum a menos"


Imaginei o autor sentado em algum lugar bebendo e pensando nessa história. Talvez até fumando um cigarro. De chapéu, camisa branca abotoada só até a metade, bermuda bege e chinelo de dedo, nem aí pra nada. Rindo das próprias loucuras. Sim, porque o conto que fecha o livro é de rir alto no ônibus e deixar as pessoas a tua volta te julgando. É engraçado e com uma lição muito importante sobre "aparências".

Algo inusitado acontece com um dos personagens e, a partir dali, o no sense é tão grande que eu nem quis mais questionar como aquilo tinha acontecido. Fiquei só querendo saber no que iria dar aquela loucura toda. E o final é um final. A diversão vem em todo o conto antes dele.


Considerações importantes!


Pareidolia mexe com nossos sentidos, com o nosso humor de várias formas, mexe com os sentidos. Ler esse livro, além de tudo é delicioso para quem gosta de cheiro de livro novo. O cheiro da tinta vai nos enfeitiçando.



Algumas questões rondaram as minhas ideias enquanto andava com esse livro para cima e para baixo nos dias em que o li. Mostrei-o para todos os meus colegas de trabalho. Como trabalho com comunicação, com designers, achei que eles precisavam ver aquilo. Um livro que se comunica não só com texto.

Num tempo em que se fala tanto em eBooks, fim do livro físico, editoras como a Cosacnaify fechando, Fnac sendo comprada por outra empresa que, dizem, está falindo. É de se pensar em edições assim. Nada pode superar a experiência de ler um livro como esse, todo pensado para te provocar. Agradeço ao autor, Luiz Franco, pelo envio da obra, por ter me proporcionado momentos maravilhosos com essa leitura.


E para quem chegou até aqui: compre o livro! Vocês não vão se arrepender.
Tem aqui oh na loja SOS Nave Mãe (com frete grátis!)

Também tem a versão digital na Amazon, no Kindle Ilimitado. Mas, por todos os motivos descritos antes, o livro físico tá valendo muito mais.

=P

segunda-feira, julho 17, 2017

"Acidentalmente apaixonados", por Juliana Santander [Primeiras Impressões]

Ganhei um tira gosto do livro "Acidentalmente apaixonados: o amor não estava nos seus planos" da autora Juliana Santander. A distribuição foi feita pela Editora Essência Literária dentro da parceria que temos aqui no Blog Sabe o que é? O objetivo era ter uma ideia da história e falar um pouco sobre. E justo quando a coisa começa a esquentar, a amostra acabou e fiquei na vontade de ler mais.



E aqui estão as minhas "primeiras impressões" sobre o livro


Logo de início percebi que o texto da autora é muito bom. Bem leve, muito fluido. Como gaúcha, achei bem legal ler a protagonista com seu "gauchês". Nada de regionalismos, só o português bem empregado, com tu e todos os "Ss" que ele pede. Acho charmoso.

Outra característica interessante é que o livro é narrado em 1ª pessoa, alternando a narrativa entre Mel e Tom. Algo parecido com o que vimos em "Eleonor & Park" e "Alriet". Esse tipo de narrativa nos deixa a par de ambas visões e vai completando nossas impressões sobre os acontecimentos. Gosto muito!

Mel é uma mulher moderna, decidida, independente e que gosta de curtir a vida e os homens, sem se apegar. Ela encontra Thomas, ex-soldado, com o mesmo estilo de vida que ela.
A história se passa em Nova Iorque. Mel vai morar lá com duas amigas depois de terminar a faculdade. Thomas é seu vizinho. O encontro dos dois é explosivo e fica claro que um grande romance, episódio inédito para ambos,  está para acontecer.

Até o ponto que li, a história estava nesse ponto de apresentações e engrenando. Mel precisa se estabilizar, em outro país, fora da casa dos pais, arrumar trabalho, estudar. Thomas tem pendências ainda por resolver do tempo que serviu no exército. Faz terapia e teve um grande problema no passado que ainda o atormenta. Além disso, no Apartamento em que mora com dois amigos, eles têm uma regra: não namorar vizinhas. Então acredito que muitos conflitos ainda surjam nessa trama até que esse casal se acerte.

Será que ele volta pro exército? Ela para o Brasil? Quanto eles vão negar um amor que venha a surgir? Quantos desencontros? E quanto aos encontros?

A história começa quente, a conversa entre Mel e suas amigas, e as de Thomas com os amigos dele, são bem atrevidas. Em um breve diálogo ele já estava ficando excitado, imaginando ele e Mel transando. Ou seja, para quem gosta de literatura assim, explícita, sensual e sem censura, essa é "o" livro.
A minha expectativa é que Mel se mantenha firme em seus ideais, seja forte e não caia de quatro por Thomas, mudando a sua personalidade. Se alguém tiver que sofrer, que seja ele. Precisamos, nós mulheres, de exemplos assim.

Quem se interessar, acompanhe o site da Editora Essência Literária para verificar a data de lançamento. ;)


Sobre a autora Juliana Santander.


Gaúcha que vive entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, tem uma história de amor com livros desde criança, quando suas avós liam contos de fadas para ela dormir. Ama se perder nas histórias e viver as fantasias que lê. Começou a escrever numa brincadeira entre amigas, depois disso, os personagens nunca mais a deixaram. Sonha em viajar pelo mundo e ter uma biblioteca particular parecida com a da Bela e a Fera, seu conto de fadas preferido no mundo todo.

terça-feira, julho 11, 2017

Resenha de "Uma vez você, uma vez eu" por Diego Martello

Hoje quero falar de um livro que me surpreendeu positivamente. "Uma vez você, uma vez eu" é, a primeira vista, uma estória simples. Quando li a sinopse pensei "é um drama familiar, ok!". Mas, leia esse post até o fim para ver que as coisas não são BEM assim.



Um pouco de história sobre essa aventura para "Uma vez você, uma vez eu"


Quando o livro chegou, surpreendi-me com a mensagem do autor, Diego Martello, de quem recebi o exemplar: "Ótimas reflexões para você", escreveu ele na dedicatória. Ali uma dúvida pairou sobre a minha cabeça. "O que será que isso quer dizer?". Tinha outras leituras em andamento, então tratei de ir terminando tudo para finalmente começar a ler esse livro.


Um sábado desses, no dia em que o último episódio da 10ª temporada de Doctor Who foi exibido. Em meio as lágrimas provocadas pelo "show", decidi pegar "Uma vez você, uma vez eu", um chazinho e me mandar para a praça começar uma nova leitura. O episódio tinha sido pesado, aflorado emoções, e ler é uma coisa que costuma me acalmar, distrai. Vale ressaltar que estava fazendo isso pela primeira vez na vida. Nunca tinha ido ler naquela praça.

Desci a rua pensativa, imaginando ainda os desfechos do episódio de Doctor Who. Ao chegar na praça, vi de longe o lugar que iria pegar. sentaria nos degraus do monumento ao Brigadeiro, pegar o solzinho de fim de tarde. Sentei-me e levei um tempo para me ambientar e me concentrar na leitura.

Quando finalmente mergulhei na estória, deparei-me com um texto bem escrito, português claro, bem empregado, leitura fluída. Meu cérebro vibrou (adoro!), ajeitei-me no degrau do "Seu Brigadeiro" para ficar mais confortável e deixei-me levar pelas palavras. Cinco ou seis minutos depois eu estava observando a figueira a minha frente, pensando na vida. Oi? Voltei à leitura sem entender o que tinha me distraído.

"'Uma vez você, uma vez eu' surpreende pela forma como uma pessoa pode se comportar ao ser afetada por pensamentos e lembranças (...)" Esse é o início do prefácio, e depois de me distrair muitas vezes no início da leitura eu finalmente compreendi o que Diego quis dizer sobre "boas reflexões" e o que Roque Aloísio Weschenfelder nos conta no prefácio. O cenário descrito pelo autor é simples, mas nada raso. Um tipo de conteúdo ao qual raramente eu tenho contato. E foi aqui que ele me ganhou. Daí pra frente a leitura foi num ritmo bom, nada alucinante, porque eu tinha que parar para pensar. Li em duas "sentadas" na praça.


Sobre a leitura e os mistérios de "Uma vez você, uma vez eu"


Como disse antes, o texto é muito bom, nota-se um zelo com cada sentença. Não tem erros de digitação, concordância, lapsos, nada. É curioso e muito gostoso de ler.  Embora não seja muito extenso, não é do tipo "objetivo demais". É todo feito de reflexões, e causa uma sensação de "andar nas nuvens". Sabe o efeito de sonho que vemos em filmes, uma névoa, passagem do tempo diferente, às vezes lenta, às vezes rápida? "Uma vez você, uma vez eu" vai se passando assim. 

Pouco a pouco vamos nos envolvendo com o drama de William, conhecendo a sua pequena família e sua história e simpatizando com ela. Começamos a desejar um bom final para tudo aquilo, até que vem a surpresa. Descubro porque do "Uma vez você" e entro em choque. - Como ele pode ter feito isso? - Sério! Um pouco adiante na história, descubro o "Uma vez eu" e saio da praça boquiaberta, quase tensa pelo cenário desenhado pelo autor. Não é possível!

Quando vem a terceira surpresa, o desfecho, eu já nem acreditava mais. A facilidade com que o autor cria cenários, desfaz esses cenários, conduz o nosso entendimento sobre os acontecimentos é impressionante. Tecnicamente perfeito.


A moral da história e o traço profissional do autor


Talvez não seja bem isso, mas, a narrativa no livro lembrou-me muito da que vi no que chamávamos na faculdade de "romance administrativo", o livro "A meta". Como Diego Martello tem formação na administração, imediatamente associei a isso essa "faceta" do seu livro. Em algumas passagens e diálogos ele descreve situações de gestão da empresa do pai, e uma dinâmica que está sendo organizada. Explica com muita propriedade esses acontecimentos e suscita bastante a reflexão sobre forças e fraquezas (alguns recordarão da FOFA ou SWOT) e também percebi alguns discursos empreendedores, sobre como vencer desafios, como estar preparado.

É provável que a minha formação tenha contribuído para perceber essas nuances que são, na verdade, o pano de fundo do aparente "drama". "Uma vez você, uma vez eu" é o tipo de livro que cada um pode encontrar uma interpretação diferente, porque ele nos faz refletir, comparar, e cada um tem o seu conjunto de experiências, de vivências e dramas, que certamente darão tons diferentes para cada situação no livro. Acredito também que seja o tipo de leitura para se fazer em diferentes momentos da vida, justamente para ter uma experiência literária nova com o mesmo texto. E isso que o faz tão especial.


Se recomendo? É claro que sim!



E pra facilitar a tua vida, segue o link da Amazon para compra-lo. Hoje (11/07/2017) tem promoção, e está por R$14,20 - Comprar Uma vez você, uma vez eu - tem também em versão digital.


Ficha técnica


ISBN: 9788542806298
Edição: 1
Páginas: 184
Data de Publicação: 23/07/2015
Autor: Diego Martello


Sinopse de "Uma vez você, uma vez eu"

Marcos e Willian, pai e filho, tentam se reconciliar após anos de desentendimento. Em paralelo, Eva, mulher de Willian, quer a todo custo engravidar, o que frustra o casal. A partir da visão do interior de cada um, esses personagens terão de reconfigurar o modo de pensar para enfrentar os seus conflitos. Nessa fase tão conturbada para todos, reflexões acompanham cada segundo da trajetória deles. Narrada de forma surpreendente, provocativa e crítica, esta obra não tem a pretensão de apresentar soluções para os problemas enfrentados, mas, sim, mostrar as armadilhas de nosso fluxo de consciência, para compreendermos que as soluções dos problemas dependem, muitas vezes, da forma como se lida com as ilusões, ou, ao contrário, como se enxerga verdadeiramente a realidade.


Sobre o autor: Diego Martello

Diego Martello é formado em Administração e Comércio Exterior. Trabalha com projetos automobilísticos, especialmente na área de Compras - nacionais e internacionais. Tem a leitura como seu principal passatempo e, durante anos, acumulou experiências que nortearam a origem deste livro. "Uma vez você, uma vez eu" é sua obra de estreia.


Clique aqui para saber mais sobre a obra e o autor.
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quinta-feira, julho 06, 2017

Review da 10ª temporada de Doctor Who

A 10ª Temporada de Doctor Who acabou, e hoje vou fazer um review SEM SPOILER para quem ainda pensa em assistir a série, e sendo solidária aos whovians que estão se sentindo meio órfãos com esse Finale e tensão até o episódio especial no natal.

Eu ainda não tinha me pronunciado sobre a era moderna de Doctor Who, pelo menos não formalmente em um post como esse. Mas, essa décima temporada foi tão arrasadora que não me contive. E vou começar a New Who falando do Doutor que está despedaçando nossos corações com esse sai não sai.

Vamos combinar algumas coisas sobre Spoilers

A BBC fez a maravilha de entregar quase tudo de todos os episódios da série e segue esfregando algumas verdades na nossa cara. Então, não vou dizer nada aqui que já não seja meio óbvio para quem acompanha algum site oficial, dos atores, da BBC ou da SyFy Br. Pelos tópicos vocês vão ter uma noção do nível de aprofundamento e vou colocar fotos para que vocês decidam se seguem a leitura ou se já tá demais.

Além disso, vou tentar explicar algumas coisas para quem não tem conhecimento da série clássica. Não que eu seja expert no assunto, quero apenas esclarecer algumas coisas, porque tem episódios bobos nessa décima temporada que só fizeram sentido para quem já tem alguma ideia do que aconteceu quando Doctor Who era em preto e branco (e para quem sabe o que é re-con - AAAAHHHH).



Review Geral da 10ª temporada de Doctor Who

A décima temporada foi mais do que aguardada e já estava gerando polêmica antes mesmo de entrar no ar. Tudo porque Peter Capaldi, que interpreta o Doutor desde a 8ª temporada) anunciou sem preparar o coração whovian que estava deixando o posto. Dali para frente os grupos e sites de fãs enlouqueceram. A BBC confirmou a mudança do doutor e começaram as especulações: sobre como seria a mudança, quando seria, e claro quem e de que sexo seria a próximo Doutor. Não se sabe ainda (eu pelo menos não sei e não quero saber) quem vai ser.

Quando a temporada finalmente começou, fomos presenteados com uma nova Companion. Antes de começar já sabíamos, mas no primeiro episódio descobrimos Bill Potts: negra, lésbica, trabalhadora comum da faculdade onde o Doutor está lecionando. Ora! Que legal! Doctor Who sendo Doctor Who, trazendo temas tão interessantes como racismo, sexismo, homosexualidade.

E mais! Bill é também uma menina que curte ficção científica. Ou seja, não é só uma companion que vai se encantar com o que o Doutor tem para oferecer. Ela chega questionando praticamente tudo. Além de curioso e divertido ver que o Doutor nem sabe mais como responder algumas questões óbvias, o comportamento da nova companheira do Doutor é um presente para quem começar a assistir a série agora. Porque todas as perguntas mais básicas que ajudam a compor o personagem e a série Doctor Who são respondidas. Isso foi genial!

Outra informação que não chega a ser uma novidade é que Nardole, personagem que é introduzido em Doctor Who no especial de natal "The Husbands of River Song" exibido em dezembro de 2017. No episódio em questão ele está como companion de River Song, personagem interpretado por Alex Kingston cujo papel em Doctor Who eu não vou comentar. Ela é misteriosa e importante, por isso deve ser descoberta na série e não contada.


Voltando a Nardole, trata-se de um personagem curioso, meio caricato, não humano, o que o torna bem misterioso. Não temos muita noção do que ele faz com  o Doctor, mas a temporada começa com um segredo guardado pelos dois. Os dois estão "presos" na Terra para guardar esse segredo. A BBC ESTRAGOU ESSA SURPRESA, mas eu não vou falar aqui. Vai que vocês tenham mais sorte. A relação entre ele e o Doctor é, portanto, bastante íntima, cúmplice. E Nardole vai nos conquistando a cada episódio. É muito legal acompanhar esse crescimento do personagem.

O interessante dessa impossibilidade de deixar a Terra já é uma referência por si só. Como falei aqui no blog um tempo atrás em O 3º Doutor da Série Clássica, o Doctor fica preso na Terra. Na verdade um exílio aplicado pelos Senhores do Tempo - seus conterrâneos. Então, soma-se a isso a abertura do episódio em que vemos na mesa do Doctor fotografias antigas (da primeira temporada, do primeiro Doutor) e de River Song, a gente se dá conta de que a temporada pode ser mesmo muito boa.

Mas, é claro, era preciso esperar até o final, porque Mr. Moffat (Showrunner da série) adora deixar ponta solta e não entregar o que promete. Os episódios foram passando, e a alegria de ver tanta referência à série clássica foi crescendo e gerando expectativas. Tanto que os episódios em que nenhuma referência era feita, eu ficada chateada. Nunca estou contente com nada mesmo.

O que foi prometido para a 10º temporada de Doctor Who



A volta do Mestre, da Missy, Ice Worriors (guerreiros de Marte) e Cyberman de Mondas. De brinde teve Dalek clássico e uma Embaixador. Eu surtei quando o Doctor contata o Embaixador. Esse personagem aparece em dois arcos da série clássica (do que eu vi até agora) e é quase insignificante. Ele faz parte de um conselho intergalático, e nada fez mais sentido nessa vida Whovian do que contatá-lo justo no episódio de referência mais direta. Foi perfeito!


Missy e Mestre dando show!




Sobre os antagonistas mais fodásticos de Doctor Who, Missy e Mestre. Eles vêm para reforçar a nossa capacidade de acreditar que exista algo de bom em seus corpinhos. Um show de interpretação da Michele Gomez (Missy) e entrada triunfal do John Sinn, que volta com um Mestre de cavanhaque, nos fazendo lembrar do personagem que infernizava a vida dos primeiros doutores. A dupla Mestre/Missy foi o ponto alto de episódios que já prometiam muito. Para quem já sabe do que o Mestre é capaz, eles confirmaram que são o demônio e a senhorita maldade. Genial!


E lá vem os Cyberman MONDAS!



Quando estávamos perto do fim e nada dos Cyberman de Mondas aparecer, pensei: deu ruim! Os previews dos episódios começaram a ficar sinistros e eu lembrei que foram esses malditos que levaram o Primeiro Doutor (que coisa mais triste, maquiavélica e maravilhosa). Eu estava pensando que não tinha mais surpresas e esses Cybermans, olha! Quem ainda não viu, antes de assistir, dá uma olhadinha no último arco do Primeiro Doutor. De repente dá uma olhada em outros episódios com Cyberman também.

Acontece que o Cyberman é um monstro que volta e meia aparece na série, mas nem todo mundo curte muito. Eu acho o máximo! A gente fala tanto em evoluir, e eles são evolução. Seres humanos bem sucedidos parece que não têm sentimentos. E os Cyberman são um upgrade perfeito. Máquinas com base humana transformada para não sentir coisa alguma. São implacáveis em suas ações. E deixam o Doutor louco com aquele DELETE do capeta.

E então o Moffat vem com a novidade (que não vou contar). Sério. Respeitei o cara pela primeira vez desde que ouvi o nome dele pela primeira vez. Todos as temporadas dele têm problemas, tem resoluções questionáveis, pontas soltas, o caramba! E junto em sua última temporada, última temporada do Capaldi, ele faz um fechamento brilhante!


CORRE QUE LÁ VEM SPOILERS




É claro que o homem não poderia deixar a série sem dar a sua última cagadinha. Achei repetitivo colocar a companion dentro de um dos monstros (de novo) sem perceber no que tinha se transformado. Pior ainda foi não matar a mulher de uma vez, transformá-la em algo fantástico e mandá-la passear pelo universo. Para fazer isso, algumas besteiras de edição/texto, não sei, aconteceram. Algumas falas e ações finais da Bill foram toscas.

Uma delas foi "confirmar" com o Doutor e o Nardole que eles sabiam que ela gostava de meninas da idade dela. Isso ficou solto, justo na despedida, que era para ser dramática. E depois, na despedida final, dentro da Tardis, a mocinha fala que o universo é imenso, mas que ela espera encontrar ele ainda algum dia. Mas, como, se ela nem sabe do truque dos Senhores do Tempo para enganar a morte?

Eu, inclusive acho que ela só deixou a Tardis porque achou que ele não voltava mais, que tinha acabado. Então... O que raios foi aquela despedida? Serviu somente para dar a pontinha de desperança, a lágrima que fez o doutor acordar (Olha o clichêzão aí gente!). 


Capaldi tá possuído, ele não vai não!



O 12º Doutor passa dois episódios em estado de quase regeneração, aquela mãozinha brilhando o episódio inteiro. Quando ele é acertado pelo maldito Cyberman já estava mais pra lá do que pra cá. E quando acorda, entre lágrimas, a gente vê todas as companions maravilhosas, a Clara e a Martha também (KKKKK) chamando por ele, que se levanta "o 11º" lembrando de quando era o Doutor, vê "o 10º" fazendo birra dizendo que não quer ir. E todos esses Doutores no corpo do baita ator que é o Peter Capaldi. Foi brilhante literalmente.

E daí eu já estava soluçando querendo entrar para dentro da TV quando nada mais, nada menos, do que o Primeiro Doutor surge no episódio, esnobando o 12º Doutor. GE-NI-AL. Eu me arrepio só de lembrar disso. E é assim que o episódio termina. Não tem regeneração (ainda), eu já tô querendo que o 12º faça como o 10º e nos dê mais uma palhinha de uma temporada. Estamos cansados de mudar tambem, fica Capaldi!


O Especial de Natal - E que especial!




Parei de clicar em links assim que o episódio final da 10ª temporada acabou. Eu não quero saber quem vai ser o próximo, nem como vai ser esse episódio MAIS QUE ESPECIAL com um pouco mais do Primeiro Doutor.

É claro que William Hartnell, que interpretou o 1º Doutor (saiba mais dele aqui) já foi pro céu de Gallyfrey. A BBC achou um outro ator com a voz e aparência muito parecidas. É emocionante vê-lo interpretar o personagem. Ah! Nostalgia. Assistir Doctor Who em re-com (vídeo com áudio original montado com fotos) faz a gente amar esse Doutor. Não dá pra explicar. Os episódios são toscos, o Doutor é meio tosco, e quando ele vai embora dá aquela saudade.

Doctor Who é um personagem rico, não por acaso é série mais antiga do mundo ainda no ar. Fãs foram assumindo roteiro, direção, elenco, e o resultado está aí. Peter Capaldi é um grande fã da série. E só pode ter sido ideia dele oferecer "jelly baby" em meio ao caos. Assim como as falas dos seus antecessores, o discurso final.

Fico me perguntando o quanto ele e Moffat confabularam sobre esse final apocalíptico com direito Cyrber Mondas e 1º Doutor. Um especial de Natal mágico se aproxima. Minha sugestão é que quem leu esse texto até aqui corra pra página do Universo Who, baixe tudo, assista tudo, ainda dá tempo de se tornar um Whovian.

Ainda não estou pronta para dizer adeus ao 12º Doutor. As sessões de rock na TARDIS vão deixar saudades. Sem mais...


=P

sexta-feira, junho 23, 2017

DC Legends of Tomorrow, quando o spin off é melhor que a série original!

Apaixonados por Arrow (vulgo Arqueiro) e The Flash (grupo no qual me incluo) que me desculpem. Mas, Legends of Tomorrow, spin off dessas séries, é melhor do que Arrow, pelo menos. E nesse post vou apresentar a série para quem ainda não a conhece, ou só ouviu falar.

Bem, infelizmente a rede grôbo acabou com o aspecto "lado b" trazendo ao ar no início deste ano a série "Lendas do Amanhã". Digo infelizmente porque é sempre chato quando uma série que a gente gosta cai na boca do povo, com título e nome dos personagens em português e dublagens ridículas. Sem falar quando a série tem todo um porquê de existir que é ignorado pela emissora. Arrow está sendo exibido no SBT, então nem faz sentido passar Legends of Tomorrow em outra emissora. Enfim... Vamos aos fatos!


Legends of Tomorrow

Legends of Tomorrow é um spin off. Termo usado para indicar que os personagens, e parte de suas histórias, cruzam-se com a história de alguma outra série. No caso de Legends, ela é dita spin off de Arrow, mas, também pode ser de The Flash. Como há crossover (histórias em comum entre séries) entre The Flash e Arrow, em Legends aproveitaram personagens de ambas as séries. Sendo assim, começamos a assistir a série já conhecendo os principais personagens, o que facilita o envolvimento.


A estória em Legends of Tomorrow

A série tem como personagem principal Rip Hunter, um Time Master que vem do ano 2166 para convocar alguns "super heróis" para uma missão: salvar o futuro do mundo do imortal Vandal Savage. Os heróis convocados são os mais problemáticos, afastados, e até anti-heróis, das séries Arrow e The Flash. Como todos estão sem muita perspectiva (são quase perdedores) resolvem embarcar nessa e aderir a missão para fazer alguma diferença no mundo - tornando-se "lendas".

Assim, Rip consegue reunir: a recém ressuscitada Sara Lance - Canário Negro (que vira Branco), a dupla Martin Stein e Jefferson Jackson que formam o Nuclear, o Átomo - Ray Palmer, os vilões Mick Rory (Heat Wave) e Leonard Snart (Captain Cold), além do casal Mulher e Homem Gavião, os quais têm muito interesse em derrotar o vilão Vandal Savage, trama iniciada nas séries anteriores.

Ah! Como disse antes, Rip Hunter é um Time Master. Um viajante do tempo, que faz parte de um grande conselho do futuro (time lords?) e, como descobrimos já no primeiro episódio, fugiu do futuro roubando uma nave chamada Waverider. Uma máquina do tempo de alta tecnologia e dotada de inteligência artificial com uma interface chamada Gideon.

E aí vocês podem se perguntar, um quase senhor do tempo, interpretado pelo ator britânico Arthur Davill - o Rory, companion do 11º Doctor Who, roubando uma nave e viajando por aí. Onde mesmo já vimos uma história parecida? Claro! As semelhanças são muitas, mas Rip Hunter está longe de ser um louco em uma caixa. É um homem em busca de uma vingança (vocês saberão assistindo), e a série está loooonge de ser parecida com Doctor Who. As semelhanças param por aí.

Porque acho que o spin off é melhor que a série original

Todos esses personagens advindos das outras séries tinham papeis bem bobos. Sara Lance era muito inconsistente, assim como Ray e a dupla Nuclear e os demais. Não apenas por serem coadjuvantes, a narrativa de Arrow já estava desgastada quando Sara abandona a trupe do arqueiro, por exemplo, e não tinha muito espaço para ela ou para os demais na série. Era muita informação.

Em Legends of Tomorrow eles vêm com essa bagagem e atuação fraca, mas as personagens vão crescendo, ficando mais consistentes conforme a história vai avançando. Até os vilões bobos, Leonard e Rory, ficam mais interessantes. A direção também é melhor, porque os atores inexpressivos de Arrow e The Flash melhoraram muito também na representação dos seus papeis em Legends.


E vou dar um destaque (de um parágrafo) para Sara Lance, interpretada pela atriz Caity Lotz. Essa menina cresceu muito, assim como a sua personagem. Em Arrow eu torcia para que ela morresse de uma vez, fiquei irritada quando foi ressuscitada (sou muito má). E quase não assisto Legends Of Tomorrow por causa dela, e fiquei super contente com o que aconteceu com ela na segunda temporada. Se não tivesse assistido essa evolução, se me contassem eu não acreditaria na forma como recuperaram uma personagem transformando-a em uma líder (meio spoiler - sorry!).

A primeira temporada parece uma brincadeira, tudo é bem superficial, mas a segunda vem com uma produção e uma temática mais sólida. As "Lendas do Amanhã" passam a enfrentar novos adversários, também vindos de Arrow e The Flash, e a trama fica mais interessante.

É claro que tem um pouco de romancinho bobo e dramalhão de novela das oito também nessa série, mas nem se compara ao desastre que se tornou Arrow e The Flash. Deter os vilões ainda é o foco, seguem as cenas de luta, bem como resolver alguns conflitos gerados pelas viagens no tempo. É uma série de super heróis -ainda - e eu viciei. Já estou com saudades.


Mas, nem tudo é perfeito. 


A série apresenta problemas nas questões que envolvem TEMPO. Viagens no tempo são complexas. Rip Hunter, como Time Master, tenta ensinar os perigos de mudar a história, mas pouco se vê na prática. Tem uns furos muito evidentes para quem está acostumada com essa temática. Eu com toda minha experiência (nossa! grande coisa) em Doctor Who e "De volta para o futuro" tento não me apegar a esses detalhes para continuar curtindo a série.

E essa é uma das poucas críticas negativas que tenho a fazer sobre Legends of Tomorrow. Como já estão indo para a terceira temporada, a história está ficando séria, eles deveriam ter esse cuidado, deveriam pesquisar mais as consequências que envolvem as viagens no tempo.

No mais, recomendo muito a série. O ponto chato é que para compreender bem a história é preciso assistir pelo menos as primeiras temporadas de The Flash e Arrow. O que não chega a ser um martírio, as primeiras temporadas do Arrow são boas (até), e The Flash fica muito boa a partir da segunda temporada. É uma série que ainda está valendo a pena acompanhar, apesar de a terceira ter ficado meio novelinha no final (e cheia de problemas com viagens no tempo também).

Para quem se interessou, a boa notícia é que a primeira temporada está no Netflix, assim como as primeiras temporadas do Arrow e do Flash. Isso facilita muito as coisas!

E pra encerrar, trailers para ver se angario mais uns fãs para Legends of Tomorrow!!

Primeira temporada




Segunda temporada




=P

sexta-feira, junho 09, 2017

Mulher-Maravilha é o melhor filme no melhor momento!

Resenha do filme do ano, para mim, sem spoilers! Mulher-Maravilha é um filme incrível, intenso e veio em boa hora.



Estava bem ansiosa para o filme da Mulher-Maravilha nos cinemas, desde o seu anúncio, e ainda mais depois da aparição dela no filme "Batman vs Superman". O filme foi tão bem produzido que é difícil estabelecer a causa desse sucesso.

A atuação da atriz israelense Gal Gadot está impecável, o roteiro manteve um ritmo muito bom, sendo muito intenso e extremamente delicado, quando necessário e os efeitos especiais a altura de qualquer super produção de super herói. Aliás, esse é um ponto que eu mais gostei. A cada conflito do filme eu procurava lembrar de como os personagens masculinos eram retratados, como agiam, e Diana, recebeu os mesmos destaques, e talvez até mais.

E o que falar da vilã?

Sim, porque além de uma heroína mulher, sua antagonista é uma mulher, a impressionante Elena Anaya, que interpreta uma química brilhante. Só essa notinha, pra lembrar que as mulheres estão mesmo com tudo nesse filme.


Impossível não mencionar a emoção de ver as mulheres no centro do "universo". 

As amazonas no seu mundo bem estruturado, maduro, forte. As guerreiras poderosas e, acima de tudo, mulheres, vivendo a seu modo. Durante as cenas de treinamento ou de lutas cheguei a arrepiar, de tão real e intenso que foram esses momentos. Vê-las se defendendo, voando pelos céus e organizando-se estrategicamente para derrotar os inimigos foi inexplicável. Acho que só outras mulheres, e ainda mais, as que estão acima dos 30 anos, conseguem perceber a importância e a maravilha dessa produção.

Eu assisti ao seriadinho da Mulher-Maravilha quando era muito criança, não tive o prazer de ler os quadrinhos, então não tive essa influência do meu crescimento. Eu adoro histórias de super heróis, principalmente o Superman e hoje percebo que senti muito mais falta dessa referência do que imaginava. É mágico ter essa representatividade de sucesso. Saí do cinema pensando "Que mulherão da porra" e fiquei imaginando quantas meninas e adolescentes influenciadas por essa onda de consumo desumano vão ter acesso a essa obra e vão sair motivadas pelos conceitos feministas e libertários que a personagem exala.

Voltando às questões do filme, gostei muito de como a história da personagem foi contada. Uma narrativa inevitável, seguida de ação e por fim, outros detalhes sendo explicados em diálogos no seu contato com Steve. O primeiro homem que ela viu na vida. Encontro que gerou um dos momentos mais hilários do filme. Uma conversa meio sem graça em que ela mostra a maturidade feminina de mulher empoderada e conhecedora das (in)habilidades masculinas quanto ao prazer. SENSACIONAL.

Quanto às comparações com a história original da personagem dos quadrinhos. Pelo que li, parece que foi bastante fiel, apesar de algumas perdas terem sido mais precoces e algumas pequenas distorções terem sido feitas. Como por exemplo a motivação para deixar a ilha das amazonas, e onde ela vai "parar" em seguida. Nos quadrinhos ela atua nos EUA, no filme ela está na Europa. Mas, tudo é muito bem justificado e faz muito sentido. A história é coerente e pouco fantástica tanto quanto é possível, considerando que a personagem é uma Deusa (pois é, Deusa, não semi) com ferramentas especiais e super poderes.

Em paralelo a sua chegada a Terra dos Homens, além das discussões feministas inerentes à personagem, a Guerra é muito questionada, as consequências, as motivações, e o AMOR, e a verdade. Sim, porque a nossa guerreira é mulher e tem como missão tornar o mundo melhor acreditando que o amor e a verdade pode fazer isso. E isso fica muito evidente no enredo, e passa uma mensagem muito bonita, nada piegas, e necessária para o nosso tempo.

Se lá em 1941 ela foi ousada, hoje a simbologia em torno da personagem é ainda mais significativa. Já sabemos da nossa capacidade, que podemos, mas pouco avançamos. O machismo ainda impera, ainda há desigualdade, paternalismo, disparidade no reconhecimento profissional, a violência contra a mulher ainda existe - e muito. Ter esse acesso a essa estória pode resgatar essa garra e essa vontade de ser mulher e de querer muito mais.

É claro que tem outros personagens femininos fortes e etc. Mas, nenhum deles tem a força que essa tal mulher maravilha. Espero que ela inspire muitas meninas e que isso acelere as coisas de modo que o mundo fique mais justo, independentemente do gênero. Coisa mais antiga, em pleno 2017 ainda ter que discutir esse assunto. E que momento perfeito para a mensagem vir embrulhada na melhor representante feminina dos quadrinhos.

Entendam que me refiro a grandiosidade, alcance e distribuição comercial que tem a DC Comics e sua personagem. É claro que os quadrinhos estão há muito tempo trazendo grandes personagens, assim como o cinema, mas ela é a primeira, e na minha opinião a mais bem concebida, com fundamento, princípios e objetivos.

Quem ainda não assistiu, vá! Se não encontrar nada do que eu disse aqui sobre feminismo e etc, pelo menos terão uma ótima experiência em entretenimento.

E que venha o filme da Liga da Justiça. Com Superman e a Wonder Woman!


Assista ao trailer oficial da Mulher-Maravilha.




Trailer da Liga da Justiça 2017, que estreia em novembro.




=P

quinta-feira, junho 01, 2017

Resenha: Caixa de Pássaros, por Josh Malermann

Aprendi uma nova lição com esse livro. Todo mundo sabe que não se deve julgar um livro pela capa. Pois, aprendi que também não se deve julgar um livro pelo que falam dele!

Depois que li a sinopse do "Caixa de Pássaros" fiquei bem interessada em comprá-lo. Sempre que alguém publicada alguma resenha eu dava uma lida por cima, para tentar evitar spoilers. E li algumas que quase me desanimaram. Muitas pessoas elogiavam o enredo, mas consideravam o final decepcionante, ou no mínimo "que deixa a desejar". Apesar disso, não pensei duas vezes quando o vi numa promoção da Amazon e comprei.

E já digo agora: valeu cada centavo, o livro é muito bom. Não deixem de ler se tiverem a oportunidade. Link para comprar na Amazon aqui.



Resenha: Caixa de Pássaros, por Josh Malermann

Comecei a ler sem muita expectativa, ignorei inclusive os elogios tecidos na capa, que comparavam a genialidade de Malermann com a de Stephen King. Não é bem isso, mas fala que quem gosta de Stephen, pode vir a gostar de "Caixa de pássaros". Eu ainda não li Stephen King, e esse foi meu primeiro livro de suspense/terror. Então, tudo foi novo nessa experiência.

A história tem um narrador à parte dos fatos, como se estivesse assistindo ao que acontece. Ele vai descrevendo tudo nas cenas, e a forma como o faz, gera ansiedade. Frases curtas. Pontos e novos parágrafos, repetições, que vão te enchendo de expectativa e te fazendo vivenciar o que se passa com os personagens. Por vezes, a narrativa passa para Malorie, personagem principal, e temos acesso aos seus pensamentos, sua visão sobre o que se passa, e quase enlouquecemos junto com ela. Achei isso genial.

Malorie está saindo de casa e pegando o rio com seus dois filhos, uma menina e um menino, ambos com 4 anos de idade. Os três estão vendados e ela repete o tempo todo para eles não tirarem a venda em hipótese alguma. É assim que somos apresentados a personagem e a essa história. Além do esquisito, por que uma pessoa tem que sair de casa e descer o rio vendada?, bate aquela curiosidade de saber como eles chegaram a esse ponto.

Os capítulos vão sendo intercalados entre a aventura da mãe com seus filhos no rio e flashbacks do que aconteceu até que eles chegassem ali. Seja no presente ou no passado, tudo é surpreendente e fiquei vidrada na história querendo saber o que acontecia em ambas as situações. Suspense puro, um toque leve de terror, e uma narrativa que te prende do início ao fim.

Eu leio nos ônibus ao me deslocar durante o dia. A cada vez que precisava interromper a leitura, ficava pensando sobre o que estava acontecendo naquele universo, e pensando como eu reagiria no lugar de Malorie. Imaginava como seria viver nesse mundo, em que não se pode mais usar a visão. Ou seja, era uma imersão total na estória, e até agora não sei ao certo que estratégia maravilhosa é essa que o autor usou. 

Enquanto lia Caixa de Pássaros foi inevitável comparar com outras histórias de certo modo semelhantes. Como em "Ensaios sobre a cegueira", de Saramago, em que as pessoas precisam se adaptar ao mundo novo, em que todo mundo é cego. O caos que se instala é parecido, mas a ameaça vem dos mais adaptados e não do desconhecido como em Caixa de Pássaros. Também me fez lembrar de "The walking dead", afinal as pessoas acabam se isolando, sem saber quem ainda vive nesse novo mundo. Mas, em "The walking dead" eles podem ver e fugir do "zumbi", que é a ameaça que muda a existência na Terra.

O mundo em Caixa de Pássaros é apocalíptico, fim do mundo como o conhecemos por razões bem atípicas e desconhecidas. Por isso, mais do que uma aventura e um suspense, a obra suscita algo do comportamento humano. Como cada pessoa reage diante do inesperado, provavelmente sobrenatural? A loucura, o ceticismo, a inovação, a liderança, a capacidade de se relacionar com outras pessoas, a bondade, a maldade, a solidariedade, tudo é colocado a prova em cada um dos personagens. E vamos nos identificando com uns, odiando outros, compreendendo a todos.

Assim como em "The walking dead" e em "Ensaios sobre a cegueira", em "Caixa de pássaros" as pessoas também chegam no limite paranoico de temer perder o pouco que tem: a comida escassa, o abrigo, a pouca segurança conquistada. É quando os conflitos começam, onde seus limites "humanos" são colocados a prova. Todas essas histórias fala sobre sobreviver em um mundo hostil, complicado. Mas, só em "Caixa de pássaros" tem um medo do desconhecido.

Os personagens questionam o tempo todo o que pode ser, o que de fato causa e o que quer causar as pessoas. Para alguns a ameaça não passa do uso do medo e paranoia do próprio ser humano contra ele mesmo. A verdade é que tentar descobrir é arriscado, e com medo, muitos enlouquecem. E nós, lendo essa história, vamos ficando com as mesmas dúvidas e tentando desvendar o mistério.

E no fim, que para alguns foi decepcionante, eu me emocionei. Não posso falar nada que comprometa a história. O que posso dizer é que entendi que o livro se trata de uma mulher, uma sobrevivente, descendo o rio com os filhos em busca de salvação (ou algo do tipo), como os sobreviventes de "The walking dead" procurando um lugar melhor, quando saem de Atlanta e vão para Washington. Aceitando isso, o final fica coerente e muito bom.

O alívio depois do ápice tenso e triste, a alegria das crianças e da Malorie com o momento família que acontece ali, pequeno, singelo, mas tão representativo. Acho que o autor foi sábio e fechou a história da melhor maneira possível.


>>>POTENCIAL SPOILER<<<<
Tentar explicar algo tão misterioso poderia, daí sim, acabar com o livro e dar desgosto pela leitura feita até ali. Só acho. 

=P

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