quinta-feira, julho 20, 2017

Resenha de Pareidolia, por Luiz Franco

Sabe aquele livro que tu começa a ler cheio de vontade e de repente vai diminuindo o ritmo para aproveitá-lo ao máximo? Assim é "Pareidolia" de Luiz Franco (Poeta de Chapéu). Eu nem sei bem por onde começar essa resenha, porque são tantas observações a fazer. Espero não esquecer de nada, nem desmerecer a obra a mim confiada com tanto carinho pelo autor.



O Livro Pareidolia


A capa dura, o aspecto velho, as folhas grossas de cores diferentes, as fontes em tamanho e formatos, diagramadas diferentemente pelas páginas de acordo com o conto, só aí já dá vontade de ler o livro e entender essa confusão. Aproveitando o ensejo, parabéns ao ilustrador Gustavo Lambreta pelo excelente trabalho.

Pareidolia, de acordo com a wikipédia, é: um fenômeno psicológico que envolve um estímulo vago e aleatório, geralmente uma imagem ou som, sendo percebido como algo distinto e com significado. É comum ver imagens que parecem ter significado em nuvens, montanhas, solos rochosos, florestas, líquidos, janelas embaçadas e outros tantos objetos e lugares. Ela também acontece com sons, sendo comum em músicas tocadas ao contrário, como se dissessem algo. A palavra pareidolia vem do grego para, que é junto de ou ao lado de, e eidolon, imagem, figura ou forma. Pareidolia é um tipo de apofenia.

Ok! Com essa informação, comecei a leitura.


Pareidolia é um livro de contos. 


O primeiro deles já me tirou da zona de conforto. Um caso envolvendo Pombos, um assassinato e um julgamento. Passado o desconforto causado pela estória, o final é poético e surpreendente. Ao ler os momentos finais, um filmezinho foi passando na minha cabeça. "Beto e as pombas" tem o que mais me encanta em um texto, a capacidade do autor de observar algo aparentemente banal, do nosso dia-a-dia e transformar em algo surreal.


Procura-se um novo domingo


É o segundo conto. Saí do "Beto e as pombas" leve... Comecei a ler esse texto que tem folhas pretas pensando que seguiria a mesma linha. De fato é leve, mas é curioso. Uma repetição maluca acontece, um looping infinito de possibilidades. Quem já acompanha meu blog e instagram sabe que eu amo ficção científica e histórias que mexem com o tempo. Esse conto é simples, mas vai esgotando um tema de um jeito tão curioso e particular. Só lendo para entender.







Perlavado


Esse outro conto é o que os "jovens" chamariam de "um tapa na cara da sociedade". Tem lição de moral, tem surrealismo, tem o ser humano sendo exposto em toda a sua imbecilidade diante de algo que não entende. A construção do texto segue/acompanha a história, com mudança de fundo indo do branco, passando pelo cinza e chegando no preto, ideia de movimento meio perturbadora. Eu ainda não sei como o Luiz Franco fez isso! O conto termina e eu fico pensando...


Instante


É um conto que se passa num instante, um giro pelo apartamento, a cidade, o mundo, a hipocrisia e toda incoerência humana. O espaçamento entre as letras e palavras é quase zero, deixando uma sensação muito boa de ideias se sobrepondo. Um tipo de texto descritivo meio lunático. Curioso.


O relógio da estação


O curioso caso da relatividade do tempo, das obrigações, do tempo que não passa, do tempo que passou. Em poucos minutos, numa estação de trem, um rapaz fica perturbado com a passagem do tempo e o horário "registrado" nos relógios. É angustiante. Eu, como pessoa atrapalhada e atrasada que sou, senti toda a tensão do personagem. Terminei de ler o conto sentindo o peso das reflexões provocadas.


E daí começo a ler "Uma dose de rum a menos"


Imaginei o autor sentado em algum lugar bebendo e pensando nessa história. Talvez até fumando um cigarro. De chapéu, camisa branca abotoada só até a metade, bermuda bege e chinelo de dedo, nem aí pra nada. Rindo das próprias loucuras. Sim, porque o conto que fecha o livro é de rir alto no ônibus e deixar as pessoas a tua volta te julgando. É engraçado e com uma lição muito importante sobre "aparências".

Algo inusitado acontece com um dos personagens e, a partir dali, o no sense é tão grande que eu nem quis mais questionar como aquilo tinha acontecido. Fiquei só querendo saber no que iria dar aquela loucura toda. E o final é um final. A diversão vem em todo o conto antes dele.


Considerações importantes!


Pareidolia mexe com nossos sentidos, com o nosso humor de várias formas, mexe com os sentidos. Ler esse livro, além de tudo é delicioso para quem gosta de cheiro de livro novo. O cheiro da tinta vai nos enfeitiçando.



Algumas questões rondaram as minhas ideias enquanto andava com esse livro para cima e para baixo nos dias em que o li. Mostrei-o para todos os meus colegas de trabalho. Como trabalho com comunicação, com designers, achei que eles precisavam ver aquilo. Um livro que se comunica não só com texto.

Num tempo em que se fala tanto em eBooks, fim do livro físico, editoras como a Cosacnaify fechando, Fnac sendo comprada por outra empresa que, dizem, está falindo. É de se pensar em edições assim. Nada pode superar a experiência de ler um livro como esse, todo pensado para te provocar. Agradeço ao autor, Luiz Franco, pelo envio da obra, por ter me proporcionado momentos maravilhosos com essa leitura.


E para quem chegou até aqui: compre o livro! Vocês não vão se arrepender.
Tem aqui oh na loja SOS Nave Mãe (com frete grátis!)

Também tem a versão digital na Amazon, no Kindle Ilimitado. Mas, por todos os motivos descritos antes, o livro físico tá valendo muito mais.

=P

segunda-feira, julho 17, 2017

"Acidentalmente apaixonados", por Juliana Santander [Primeiras Impressões]

Ganhei um tira gosto do livro "Acidentalmente apaixonados: o amor não estava nos seus planos" da autora Juliana Santander. A distribuição foi feita pela Editora Essência Literária dentro da parceria que temos aqui no Blog Sabe o que é? O objetivo era ter uma ideia da história e falar um pouco sobre. E justo quando a coisa começa a esquentar, a amostra acabou e fiquei na vontade de ler mais.



E aqui estão as minhas "primeiras impressões" sobre o livro


Logo de início percebi que o texto da autora é muito bom. Bem leve, muito fluido. Como gaúcha, achei bem legal ler a protagonista com seu "gauchês". Nada de regionalismos, só o português bem empregado, com tu e todos os "Ss" que ele pede. Acho charmoso.

Outra característica interessante é que o livro é narrado em 1ª pessoa, alternando a narrativa entre Mel e Tom. Algo parecido com o que vimos em "Eleonor & Park" e "Alriet". Esse tipo de narrativa nos deixa a par de ambas visões e vai completando nossas impressões sobre os acontecimentos. Gosto muito!

Mel é uma mulher moderna, decidida, independente e que gosta de curtir a vida e os homens, sem se apegar. Ela encontra Thomas, ex-soldado, com o mesmo estilo de vida que ela.
A história se passa em Nova Iorque. Mel vai morar lá com duas amigas depois de terminar a faculdade. Thomas é seu vizinho. O encontro dos dois é explosivo e fica claro que um grande romance, episódio inédito para ambos,  está para acontecer.

Até o ponto que li, a história estava nesse ponto de apresentações e engrenando. Mel precisa se estabilizar, em outro país, fora da casa dos pais, arrumar trabalho, estudar. Thomas tem pendências ainda por resolver do tempo que serviu no exército. Faz terapia e teve um grande problema no passado que ainda o atormenta. Além disso, no Apartamento em que mora com dois amigos, eles têm uma regra: não namorar vizinhas. Então acredito que muitos conflitos ainda surjam nessa trama até que esse casal se acerte.

Será que ele volta pro exército? Ela para o Brasil? Quanto eles vão negar um amor que venha a surgir? Quantos desencontros? E quanto aos encontros?

A história começa quente, a conversa entre Mel e suas amigas, e as de Thomas com os amigos dele, são bem atrevidas. Em um breve diálogo ele já estava ficando excitado, imaginando ele e Mel transando. Ou seja, para quem gosta de literatura assim, explícita, sensual e sem censura, essa é "o" livro.
A minha expectativa é que Mel se mantenha firme em seus ideais, seja forte e não caia de quatro por Thomas, mudando a sua personalidade. Se alguém tiver que sofrer, que seja ele. Precisamos, nós mulheres, de exemplos assim.

Quem se interessar, acompanhe o site da Editora Essência Literária para verificar a data de lançamento. ;)


Sobre a autora Juliana Santander.


Gaúcha que vive entre o Rio Grande do Sul e Santa Catarina, tem uma história de amor com livros desde criança, quando suas avós liam contos de fadas para ela dormir. Ama se perder nas histórias e viver as fantasias que lê. Começou a escrever numa brincadeira entre amigas, depois disso, os personagens nunca mais a deixaram. Sonha em viajar pelo mundo e ter uma biblioteca particular parecida com a da Bela e a Fera, seu conto de fadas preferido no mundo todo.

terça-feira, julho 11, 2017

Resenha de "Uma vez você, uma vez eu" por Diego Martello

Hoje quero falar de um livro que me surpreendeu positivamente. "Uma vez você, uma vez eu" é, a primeira vista, uma estória simples. Quando li a sinopse pensei "é um drama familiar, ok!". Mas, leia esse post até o fim para ver que as coisas não são BEM assim.



Um pouco de história sobre essa aventura para "Uma vez você, uma vez eu"


Quando o livro chegou, surpreendi-me com a mensagem do autor, Diego Martello, de quem recebi o exemplar: "Ótimas reflexões para você", escreveu ele na dedicatória. Ali uma dúvida pairou sobre a minha cabeça. "O que será que isso quer dizer?". Tinha outras leituras em andamento, então tratei de ir terminando tudo para finalmente começar a ler esse livro.


Um sábado desses, no dia em que o último episódio da 10ª temporada de Doctor Who foi exibido. Em meio as lágrimas provocadas pelo "show", decidi pegar "Uma vez você, uma vez eu", um chazinho e me mandar para a praça começar uma nova leitura. O episódio tinha sido pesado, aflorado emoções, e ler é uma coisa que costuma me acalmar, distrai. Vale ressaltar que estava fazendo isso pela primeira vez na vida. Nunca tinha ido ler naquela praça.

Desci a rua pensativa, imaginando ainda os desfechos do episódio de Doctor Who. Ao chegar na praça, vi de longe o lugar que iria pegar. sentaria nos degraus do monumento ao Brigadeiro, pegar o solzinho de fim de tarde. Sentei-me e levei um tempo para me ambientar e me concentrar na leitura.

Quando finalmente mergulhei na estória, deparei-me com um texto bem escrito, português claro, bem empregado, leitura fluída. Meu cérebro vibrou (adoro!), ajeitei-me no degrau do "Seu Brigadeiro" para ficar mais confortável e deixei-me levar pelas palavras. Cinco ou seis minutos depois eu estava observando a figueira a minha frente, pensando na vida. Oi? Voltei à leitura sem entender o que tinha me distraído.

"'Uma vez você, uma vez eu' surpreende pela forma como uma pessoa pode se comportar ao ser afetada por pensamentos e lembranças (...)" Esse é o início do prefácio, e depois de me distrair muitas vezes no início da leitura eu finalmente compreendi o que Diego quis dizer sobre "boas reflexões" e o que Roque Aloísio Weschenfelder nos conta no prefácio. O cenário descrito pelo autor é simples, mas nada raso. Um tipo de conteúdo ao qual raramente eu tenho contato. E foi aqui que ele me ganhou. Daí pra frente a leitura foi num ritmo bom, nada alucinante, porque eu tinha que parar para pensar. Li em duas "sentadas" na praça.


Sobre a leitura e os mistérios de "Uma vez você, uma vez eu"


Como disse antes, o texto é muito bom, nota-se um zelo com cada sentença. Não tem erros de digitação, concordância, lapsos, nada. É curioso e muito gostoso de ler.  Embora não seja muito extenso, não é do tipo "objetivo demais". É todo feito de reflexões, e causa uma sensação de "andar nas nuvens". Sabe o efeito de sonho que vemos em filmes, uma névoa, passagem do tempo diferente, às vezes lenta, às vezes rápida? "Uma vez você, uma vez eu" vai se passando assim. 

Pouco a pouco vamos nos envolvendo com o drama de William, conhecendo a sua pequena família e sua história e simpatizando com ela. Começamos a desejar um bom final para tudo aquilo, até que vem a surpresa. Descubro porque do "Uma vez você" e entro em choque. - Como ele pode ter feito isso? - Sério! Um pouco adiante na história, descubro o "Uma vez eu" e saio da praça boquiaberta, quase tensa pelo cenário desenhado pelo autor. Não é possível!

Quando vem a terceira surpresa, o desfecho, eu já nem acreditava mais. A facilidade com que o autor cria cenários, desfaz esses cenários, conduz o nosso entendimento sobre os acontecimentos é impressionante. Tecnicamente perfeito.


A moral da história e o traço profissional do autor


Talvez não seja bem isso, mas, a narrativa no livro lembrou-me muito da que vi no que chamávamos na faculdade de "romance administrativo", o livro "A meta". Como Diego Martello tem formação na administração, imediatamente associei a isso essa "faceta" do seu livro. Em algumas passagens e diálogos ele descreve situações de gestão da empresa do pai, e uma dinâmica que está sendo organizada. Explica com muita propriedade esses acontecimentos e suscita bastante a reflexão sobre forças e fraquezas (alguns recordarão da FOFA ou SWOT) e também percebi alguns discursos empreendedores, sobre como vencer desafios, como estar preparado.

É provável que a minha formação tenha contribuído para perceber essas nuances que são, na verdade, o pano de fundo do aparente "drama". "Uma vez você, uma vez eu" é o tipo de livro que cada um pode encontrar uma interpretação diferente, porque ele nos faz refletir, comparar, e cada um tem o seu conjunto de experiências, de vivências e dramas, que certamente darão tons diferentes para cada situação no livro. Acredito também que seja o tipo de leitura para se fazer em diferentes momentos da vida, justamente para ter uma experiência literária nova com o mesmo texto. E isso que o faz tão especial.


Se recomendo? É claro que sim!



E pra facilitar a tua vida, segue o link da Amazon para compra-lo. Hoje (11/07/2017) tem promoção, e está por R$14,20 - Comprar Uma vez você, uma vez eu - tem também em versão digital.


Ficha técnica


ISBN: 9788542806298
Edição: 1
Páginas: 184
Data de Publicação: 23/07/2015
Autor: Diego Martello


Sinopse de "Uma vez você, uma vez eu"

Marcos e Willian, pai e filho, tentam se reconciliar após anos de desentendimento. Em paralelo, Eva, mulher de Willian, quer a todo custo engravidar, o que frustra o casal. A partir da visão do interior de cada um, esses personagens terão de reconfigurar o modo de pensar para enfrentar os seus conflitos. Nessa fase tão conturbada para todos, reflexões acompanham cada segundo da trajetória deles. Narrada de forma surpreendente, provocativa e crítica, esta obra não tem a pretensão de apresentar soluções para os problemas enfrentados, mas, sim, mostrar as armadilhas de nosso fluxo de consciência, para compreendermos que as soluções dos problemas dependem, muitas vezes, da forma como se lida com as ilusões, ou, ao contrário, como se enxerga verdadeiramente a realidade.


Sobre o autor: Diego Martello

Diego Martello é formado em Administração e Comércio Exterior. Trabalha com projetos automobilísticos, especialmente na área de Compras - nacionais e internacionais. Tem a leitura como seu principal passatempo e, durante anos, acumulou experiências que nortearam a origem deste livro. "Uma vez você, uma vez eu" é sua obra de estreia.


Clique aqui para saber mais sobre a obra e o autor.
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quinta-feira, julho 06, 2017

Review da 10ª temporada de Doctor Who

A 10ª Temporada de Doctor Who acabou, e hoje vou fazer um review SEM SPOILER para quem ainda pensa em assistir a série, e sendo solidária aos whovians que estão se sentindo meio órfãos com esse Finale e tensão até o episódio especial no natal.

Eu ainda não tinha me pronunciado sobre a era moderna de Doctor Who, pelo menos não formalmente em um post como esse. Mas, essa décima temporada foi tão arrasadora que não me contive. E vou começar a New Who falando do Doutor que está despedaçando nossos corações com esse sai não sai.

Vamos combinar algumas coisas sobre Spoilers

A BBC fez a maravilha de entregar quase tudo de todos os episódios da série e segue esfregando algumas verdades na nossa cara. Então, não vou dizer nada aqui que já não seja meio óbvio para quem acompanha algum site oficial, dos atores, da BBC ou da SyFy Br. Pelos tópicos vocês vão ter uma noção do nível de aprofundamento e vou colocar fotos para que vocês decidam se seguem a leitura ou se já tá demais.

Além disso, vou tentar explicar algumas coisas para quem não tem conhecimento da série clássica. Não que eu seja expert no assunto, quero apenas esclarecer algumas coisas, porque tem episódios bobos nessa décima temporada que só fizeram sentido para quem já tem alguma ideia do que aconteceu quando Doctor Who era em preto e branco (e para quem sabe o que é re-con - AAAAHHHH).



Review Geral da 10ª temporada de Doctor Who

A décima temporada foi mais do que aguardada e já estava gerando polêmica antes mesmo de entrar no ar. Tudo porque Peter Capaldi, que interpreta o Doutor desde a 8ª temporada) anunciou sem preparar o coração whovian que estava deixando o posto. Dali para frente os grupos e sites de fãs enlouqueceram. A BBC confirmou a mudança do doutor e começaram as especulações: sobre como seria a mudança, quando seria, e claro quem e de que sexo seria a próximo Doutor. Não se sabe ainda (eu pelo menos não sei e não quero saber) quem vai ser.

Quando a temporada finalmente começou, fomos presenteados com uma nova Companion. Antes de começar já sabíamos, mas no primeiro episódio descobrimos Bill Potts: negra, lésbica, trabalhadora comum da faculdade onde o Doutor está lecionando. Ora! Que legal! Doctor Who sendo Doctor Who, trazendo temas tão interessantes como racismo, sexismo, homosexualidade.

E mais! Bill é também uma menina que curte ficção científica. Ou seja, não é só uma companion que vai se encantar com o que o Doutor tem para oferecer. Ela chega questionando praticamente tudo. Além de curioso e divertido ver que o Doutor nem sabe mais como responder algumas questões óbvias, o comportamento da nova companheira do Doutor é um presente para quem começar a assistir a série agora. Porque todas as perguntas mais básicas que ajudam a compor o personagem e a série Doctor Who são respondidas. Isso foi genial!

Outra informação que não chega a ser uma novidade é que Nardole, personagem que é introduzido em Doctor Who no especial de natal "The Husbands of River Song" exibido em dezembro de 2017. No episódio em questão ele está como companion de River Song, personagem interpretado por Alex Kingston cujo papel em Doctor Who eu não vou comentar. Ela é misteriosa e importante, por isso deve ser descoberta na série e não contada.


Voltando a Nardole, trata-se de um personagem curioso, meio caricato, não humano, o que o torna bem misterioso. Não temos muita noção do que ele faz com  o Doctor, mas a temporada começa com um segredo guardado pelos dois. Os dois estão "presos" na Terra para guardar esse segredo. A BBC ESTRAGOU ESSA SURPRESA, mas eu não vou falar aqui. Vai que vocês tenham mais sorte. A relação entre ele e o Doctor é, portanto, bastante íntima, cúmplice. E Nardole vai nos conquistando a cada episódio. É muito legal acompanhar esse crescimento do personagem.

O interessante dessa impossibilidade de deixar a Terra já é uma referência por si só. Como falei aqui no blog um tempo atrás em O 3º Doutor da Série Clássica, o Doctor fica preso na Terra. Na verdade um exílio aplicado pelos Senhores do Tempo - seus conterrâneos. Então, soma-se a isso a abertura do episódio em que vemos na mesa do Doctor fotografias antigas (da primeira temporada, do primeiro Doutor) e de River Song, a gente se dá conta de que a temporada pode ser mesmo muito boa.

Mas, é claro, era preciso esperar até o final, porque Mr. Moffat (Showrunner da série) adora deixar ponta solta e não entregar o que promete. Os episódios foram passando, e a alegria de ver tanta referência à série clássica foi crescendo e gerando expectativas. Tanto que os episódios em que nenhuma referência era feita, eu ficada chateada. Nunca estou contente com nada mesmo.

O que foi prometido para a 10º temporada de Doctor Who



A volta do Mestre, da Missy, Ice Worriors (guerreiros de Marte) e Cyberman de Mondas. De brinde teve Dalek clássico e uma Embaixador. Eu surtei quando o Doctor contata o Embaixador. Esse personagem aparece em dois arcos da série clássica (do que eu vi até agora) e é quase insignificante. Ele faz parte de um conselho intergalático, e nada fez mais sentido nessa vida Whovian do que contatá-lo justo no episódio de referência mais direta. Foi perfeito!


Missy e Mestre dando show!




Sobre os antagonistas mais fodásticos de Doctor Who, Missy e Mestre. Eles vêm para reforçar a nossa capacidade de acreditar que exista algo de bom em seus corpinhos. Um show de interpretação da Michele Gomez (Missy) e entrada triunfal do John Sinn, que volta com um Mestre de cavanhaque, nos fazendo lembrar do personagem que infernizava a vida dos primeiros doutores. A dupla Mestre/Missy foi o ponto alto de episódios que já prometiam muito. Para quem já sabe do que o Mestre é capaz, eles confirmaram que são o demônio e a senhorita maldade. Genial!


E lá vem os Cyberman MONDAS!



Quando estávamos perto do fim e nada dos Cyberman de Mondas aparecer, pensei: deu ruim! Os previews dos episódios começaram a ficar sinistros e eu lembrei que foram esses malditos que levaram o Primeiro Doutor (que coisa mais triste, maquiavélica e maravilhosa). Eu estava pensando que não tinha mais surpresas e esses Cybermans, olha! Quem ainda não viu, antes de assistir, dá uma olhadinha no último arco do Primeiro Doutor. De repente dá uma olhada em outros episódios com Cyberman também.

Acontece que o Cyberman é um monstro que volta e meia aparece na série, mas nem todo mundo curte muito. Eu acho o máximo! A gente fala tanto em evoluir, e eles são evolução. Seres humanos bem sucedidos parece que não têm sentimentos. E os Cyberman são um upgrade perfeito. Máquinas com base humana transformada para não sentir coisa alguma. São implacáveis em suas ações. E deixam o Doutor louco com aquele DELETE do capeta.

E então o Moffat vem com a novidade (que não vou contar). Sério. Respeitei o cara pela primeira vez desde que ouvi o nome dele pela primeira vez. Todos as temporadas dele têm problemas, tem resoluções questionáveis, pontas soltas, o caramba! E junto em sua última temporada, última temporada do Capaldi, ele faz um fechamento brilhante!


CORRE QUE LÁ VEM SPOILERS




É claro que o homem não poderia deixar a série sem dar a sua última cagadinha. Achei repetitivo colocar a companion dentro de um dos monstros (de novo) sem perceber no que tinha se transformado. Pior ainda foi não matar a mulher de uma vez, transformá-la em algo fantástico e mandá-la passear pelo universo. Para fazer isso, algumas besteiras de edição/texto, não sei, aconteceram. Algumas falas e ações finais da Bill foram toscas.

Uma delas foi "confirmar" com o Doutor e o Nardole que eles sabiam que ela gostava de meninas da idade dela. Isso ficou solto, justo na despedida, que era para ser dramática. E depois, na despedida final, dentro da Tardis, a mocinha fala que o universo é imenso, mas que ela espera encontrar ele ainda algum dia. Mas, como, se ela nem sabe do truque dos Senhores do Tempo para enganar a morte?

Eu, inclusive acho que ela só deixou a Tardis porque achou que ele não voltava mais, que tinha acabado. Então... O que raios foi aquela despedida? Serviu somente para dar a pontinha de desperança, a lágrima que fez o doutor acordar (Olha o clichêzão aí gente!). 


Capaldi tá possuído, ele não vai não!



O 12º Doutor passa dois episódios em estado de quase regeneração, aquela mãozinha brilhando o episódio inteiro. Quando ele é acertado pelo maldito Cyberman já estava mais pra lá do que pra cá. E quando acorda, entre lágrimas, a gente vê todas as companions maravilhosas, a Clara e a Martha também (KKKKK) chamando por ele, que se levanta "o 11º" lembrando de quando era o Doutor, vê "o 10º" fazendo birra dizendo que não quer ir. E todos esses Doutores no corpo do baita ator que é o Peter Capaldi. Foi brilhante literalmente.

E daí eu já estava soluçando querendo entrar para dentro da TV quando nada mais, nada menos, do que o Primeiro Doutor surge no episódio, esnobando o 12º Doutor. GE-NI-AL. Eu me arrepio só de lembrar disso. E é assim que o episódio termina. Não tem regeneração (ainda), eu já tô querendo que o 12º faça como o 10º e nos dê mais uma palhinha de uma temporada. Estamos cansados de mudar tambem, fica Capaldi!


O Especial de Natal - E que especial!




Parei de clicar em links assim que o episódio final da 10ª temporada acabou. Eu não quero saber quem vai ser o próximo, nem como vai ser esse episódio MAIS QUE ESPECIAL com um pouco mais do Primeiro Doutor.

É claro que William Hartnell, que interpretou o 1º Doutor (saiba mais dele aqui) já foi pro céu de Gallyfrey. A BBC achou um outro ator com a voz e aparência muito parecidas. É emocionante vê-lo interpretar o personagem. Ah! Nostalgia. Assistir Doctor Who em re-com (vídeo com áudio original montado com fotos) faz a gente amar esse Doutor. Não dá pra explicar. Os episódios são toscos, o Doutor é meio tosco, e quando ele vai embora dá aquela saudade.

Doctor Who é um personagem rico, não por acaso é série mais antiga do mundo ainda no ar. Fãs foram assumindo roteiro, direção, elenco, e o resultado está aí. Peter Capaldi é um grande fã da série. E só pode ter sido ideia dele oferecer "jelly baby" em meio ao caos. Assim como as falas dos seus antecessores, o discurso final.

Fico me perguntando o quanto ele e Moffat confabularam sobre esse final apocalíptico com direito Cyrber Mondas e 1º Doutor. Um especial de Natal mágico se aproxima. Minha sugestão é que quem leu esse texto até aqui corra pra página do Universo Who, baixe tudo, assista tudo, ainda dá tempo de se tornar um Whovian.

Ainda não estou pronta para dizer adeus ao 12º Doutor. As sessões de rock na TARDIS vão deixar saudades. Sem mais...


=P

sexta-feira, junho 23, 2017

DC Legends of Tomorrow, quando o spin off é melhor que a série original!

Apaixonados por Arrow (vulgo Arqueiro) e The Flash (grupo no qual me incluo) que me desculpem. Mas, Legends of Tomorrow, spin off dessas séries, é melhor do que Arrow, pelo menos. E nesse post vou apresentar a série para quem ainda não a conhece, ou só ouviu falar.

Bem, infelizmente a rede grôbo acabou com o aspecto "lado b" trazendo ao ar no início deste ano a série "Lendas do Amanhã". Digo infelizmente porque é sempre chato quando uma série que a gente gosta cai na boca do povo, com título e nome dos personagens em português e dublagens ridículas. Sem falar quando a série tem todo um porquê de existir que é ignorado pela emissora. Arrow está sendo exibido no SBT, então nem faz sentido passar Legends of Tomorrow em outra emissora. Enfim... Vamos aos fatos!


Legends of Tomorrow

Legends of Tomorrow é um spin off. Termo usado para indicar que os personagens, e parte de suas histórias, cruzam-se com a história de alguma outra série. No caso de Legends, ela é dita spin off de Arrow, mas, também pode ser de The Flash. Como há crossover (histórias em comum entre séries) entre The Flash e Arrow, em Legends aproveitaram personagens de ambas as séries. Sendo assim, começamos a assistir a série já conhecendo os principais personagens, o que facilita o envolvimento.


A estória em Legends of Tomorrow

A série tem como personagem principal Rip Hunter, um Time Master que vem do ano 2166 para convocar alguns "super heróis" para uma missão: salvar o futuro do mundo do imortal Vandal Savage. Os heróis convocados são os mais problemáticos, afastados, e até anti-heróis, das séries Arrow e The Flash. Como todos estão sem muita perspectiva (são quase perdedores) resolvem embarcar nessa e aderir a missão para fazer alguma diferença no mundo - tornando-se "lendas".

Assim, Rip consegue reunir: a recém ressuscitada Sara Lance - Canário Negro (que vira Branco), a dupla Martin Stein e Jefferson Jackson que formam o Nuclear, o Átomo - Ray Palmer, os vilões Mick Rory (Heat Wave) e Leonard Snart (Captain Cold), além do casal Mulher e Homem Gavião, os quais têm muito interesse em derrotar o vilão Vandal Savage, trama iniciada nas séries anteriores.

Ah! Como disse antes, Rip Hunter é um Time Master. Um viajante do tempo, que faz parte de um grande conselho do futuro (time lords?) e, como descobrimos já no primeiro episódio, fugiu do futuro roubando uma nave chamada Waverider. Uma máquina do tempo de alta tecnologia e dotada de inteligência artificial com uma interface chamada Gideon.

E aí vocês podem se perguntar, um quase senhor do tempo, interpretado pelo ator britânico Arthur Davill - o Rory, companion do 11º Doctor Who, roubando uma nave e viajando por aí. Onde mesmo já vimos uma história parecida? Claro! As semelhanças são muitas, mas Rip Hunter está longe de ser um louco em uma caixa. É um homem em busca de uma vingança (vocês saberão assistindo), e a série está loooonge de ser parecida com Doctor Who. As semelhanças param por aí.

Porque acho que o spin off é melhor que a série original

Todos esses personagens advindos das outras séries tinham papeis bem bobos. Sara Lance era muito inconsistente, assim como Ray e a dupla Nuclear e os demais. Não apenas por serem coadjuvantes, a narrativa de Arrow já estava desgastada quando Sara abandona a trupe do arqueiro, por exemplo, e não tinha muito espaço para ela ou para os demais na série. Era muita informação.

Em Legends of Tomorrow eles vêm com essa bagagem e atuação fraca, mas as personagens vão crescendo, ficando mais consistentes conforme a história vai avançando. Até os vilões bobos, Leonard e Rory, ficam mais interessantes. A direção também é melhor, porque os atores inexpressivos de Arrow e The Flash melhoraram muito também na representação dos seus papeis em Legends.


E vou dar um destaque (de um parágrafo) para Sara Lance, interpretada pela atriz Caity Lotz. Essa menina cresceu muito, assim como a sua personagem. Em Arrow eu torcia para que ela morresse de uma vez, fiquei irritada quando foi ressuscitada (sou muito má). E quase não assisto Legends Of Tomorrow por causa dela, e fiquei super contente com o que aconteceu com ela na segunda temporada. Se não tivesse assistido essa evolução, se me contassem eu não acreditaria na forma como recuperaram uma personagem transformando-a em uma líder (meio spoiler - sorry!).

A primeira temporada parece uma brincadeira, tudo é bem superficial, mas a segunda vem com uma produção e uma temática mais sólida. As "Lendas do Amanhã" passam a enfrentar novos adversários, também vindos de Arrow e The Flash, e a trama fica mais interessante.

É claro que tem um pouco de romancinho bobo e dramalhão de novela das oito também nessa série, mas nem se compara ao desastre que se tornou Arrow e The Flash. Deter os vilões ainda é o foco, seguem as cenas de luta, bem como resolver alguns conflitos gerados pelas viagens no tempo. É uma série de super heróis -ainda - e eu viciei. Já estou com saudades.


Mas, nem tudo é perfeito. 


A série apresenta problemas nas questões que envolvem TEMPO. Viagens no tempo são complexas. Rip Hunter, como Time Master, tenta ensinar os perigos de mudar a história, mas pouco se vê na prática. Tem uns furos muito evidentes para quem está acostumada com essa temática. Eu com toda minha experiência (nossa! grande coisa) em Doctor Who e "De volta para o futuro" tento não me apegar a esses detalhes para continuar curtindo a série.

E essa é uma das poucas críticas negativas que tenho a fazer sobre Legends of Tomorrow. Como já estão indo para a terceira temporada, a história está ficando séria, eles deveriam ter esse cuidado, deveriam pesquisar mais as consequências que envolvem as viagens no tempo.

No mais, recomendo muito a série. O ponto chato é que para compreender bem a história é preciso assistir pelo menos as primeiras temporadas de The Flash e Arrow. O que não chega a ser um martírio, as primeiras temporadas do Arrow são boas (até), e The Flash fica muito boa a partir da segunda temporada. É uma série que ainda está valendo a pena acompanhar, apesar de a terceira ter ficado meio novelinha no final (e cheia de problemas com viagens no tempo também).

Para quem se interessou, a boa notícia é que a primeira temporada está no Netflix, assim como as primeiras temporadas do Arrow e do Flash. Isso facilita muito as coisas!

E pra encerrar, trailers para ver se angario mais uns fãs para Legends of Tomorrow!!

Primeira temporada




Segunda temporada




=P

sexta-feira, junho 09, 2017

Mulher-Maravilha é o melhor filme no melhor momento!

Resenha do filme do ano, para mim, sem spoilers! Mulher-Maravilha é um filme incrível, intenso e veio em boa hora.



Estava bem ansiosa para o filme da Mulher-Maravilha nos cinemas, desde o seu anúncio, e ainda mais depois da aparição dela no filme "Batman vs Superman". O filme foi tão bem produzido que é difícil estabelecer a causa desse sucesso.

A atuação da atriz israelense Gal Gadot está impecável, o roteiro manteve um ritmo muito bom, sendo muito intenso e extremamente delicado, quando necessário e os efeitos especiais a altura de qualquer super produção de super herói. Aliás, esse é um ponto que eu mais gostei. A cada conflito do filme eu procurava lembrar de como os personagens masculinos eram retratados, como agiam, e Diana, recebeu os mesmos destaques, e talvez até mais.

E o que falar da vilã?

Sim, porque além de uma heroína mulher, sua antagonista é uma mulher, a impressionante Elena Anaya, que interpreta uma química brilhante. Só essa notinha, pra lembrar que as mulheres estão mesmo com tudo nesse filme.


Impossível não mencionar a emoção de ver as mulheres no centro do "universo". 

As amazonas no seu mundo bem estruturado, maduro, forte. As guerreiras poderosas e, acima de tudo, mulheres, vivendo a seu modo. Durante as cenas de treinamento ou de lutas cheguei a arrepiar, de tão real e intenso que foram esses momentos. Vê-las se defendendo, voando pelos céus e organizando-se estrategicamente para derrotar os inimigos foi inexplicável. Acho que só outras mulheres, e ainda mais, as que estão acima dos 30 anos, conseguem perceber a importância e a maravilha dessa produção.

Eu assisti ao seriadinho da Mulher-Maravilha quando era muito criança, não tive o prazer de ler os quadrinhos, então não tive essa influência do meu crescimento. Eu adoro histórias de super heróis, principalmente o Superman e hoje percebo que senti muito mais falta dessa referência do que imaginava. É mágico ter essa representatividade de sucesso. Saí do cinema pensando "Que mulherão da porra" e fiquei imaginando quantas meninas e adolescentes influenciadas por essa onda de consumo desumano vão ter acesso a essa obra e vão sair motivadas pelos conceitos feministas e libertários que a personagem exala.

Voltando às questões do filme, gostei muito de como a história da personagem foi contada. Uma narrativa inevitável, seguida de ação e por fim, outros detalhes sendo explicados em diálogos no seu contato com Steve. O primeiro homem que ela viu na vida. Encontro que gerou um dos momentos mais hilários do filme. Uma conversa meio sem graça em que ela mostra a maturidade feminina de mulher empoderada e conhecedora das (in)habilidades masculinas quanto ao prazer. SENSACIONAL.

Quanto às comparações com a história original da personagem dos quadrinhos. Pelo que li, parece que foi bastante fiel, apesar de algumas perdas terem sido mais precoces e algumas pequenas distorções terem sido feitas. Como por exemplo a motivação para deixar a ilha das amazonas, e onde ela vai "parar" em seguida. Nos quadrinhos ela atua nos EUA, no filme ela está na Europa. Mas, tudo é muito bem justificado e faz muito sentido. A história é coerente e pouco fantástica tanto quanto é possível, considerando que a personagem é uma Deusa (pois é, Deusa, não semi) com ferramentas especiais e super poderes.

Em paralelo a sua chegada a Terra dos Homens, além das discussões feministas inerentes à personagem, a Guerra é muito questionada, as consequências, as motivações, e o AMOR, e a verdade. Sim, porque a nossa guerreira é mulher e tem como missão tornar o mundo melhor acreditando que o amor e a verdade pode fazer isso. E isso fica muito evidente no enredo, e passa uma mensagem muito bonita, nada piegas, e necessária para o nosso tempo.

Se lá em 1941 ela foi ousada, hoje a simbologia em torno da personagem é ainda mais significativa. Já sabemos da nossa capacidade, que podemos, mas pouco avançamos. O machismo ainda impera, ainda há desigualdade, paternalismo, disparidade no reconhecimento profissional, a violência contra a mulher ainda existe - e muito. Ter esse acesso a essa estória pode resgatar essa garra e essa vontade de ser mulher e de querer muito mais.

É claro que tem outros personagens femininos fortes e etc. Mas, nenhum deles tem a força que essa tal mulher maravilha. Espero que ela inspire muitas meninas e que isso acelere as coisas de modo que o mundo fique mais justo, independentemente do gênero. Coisa mais antiga, em pleno 2017 ainda ter que discutir esse assunto. E que momento perfeito para a mensagem vir embrulhada na melhor representante feminina dos quadrinhos.

Entendam que me refiro a grandiosidade, alcance e distribuição comercial que tem a DC Comics e sua personagem. É claro que os quadrinhos estão há muito tempo trazendo grandes personagens, assim como o cinema, mas ela é a primeira, e na minha opinião a mais bem concebida, com fundamento, princípios e objetivos.

Quem ainda não assistiu, vá! Se não encontrar nada do que eu disse aqui sobre feminismo e etc, pelo menos terão uma ótima experiência em entretenimento.

E que venha o filme da Liga da Justiça. Com Superman e a Wonder Woman!


Assista ao trailer oficial da Mulher-Maravilha.




Trailer da Liga da Justiça 2017, que estreia em novembro.




=P

quinta-feira, junho 01, 2017

Resenha: Caixa de Pássaros, por Josh Malermann

Aprendi uma nova lição com esse livro. Todo mundo sabe que não se deve julgar um livro pela capa. Pois, aprendi que também não se deve julgar um livro pelo que falam dele!

Depois que li a sinopse do "Caixa de Pássaros" fiquei bem interessada em comprá-lo. Sempre que alguém publicada alguma resenha eu dava uma lida por cima, para tentar evitar spoilers. E li algumas que quase me desanimaram. Muitas pessoas elogiavam o enredo, mas consideravam o final decepcionante, ou no mínimo "que deixa a desejar". Apesar disso, não pensei duas vezes quando o vi numa promoção da Amazon e comprei.

E já digo agora: valeu cada centavo, o livro é muito bom. Não deixem de ler se tiverem a oportunidade. Link para comprar na Amazon aqui.



Resenha: Caixa de Pássaros, por Josh Malermann

Comecei a ler sem muita expectativa, ignorei inclusive os elogios tecidos na capa, que comparavam a genialidade de Malermann com a de Stephen King. Não é bem isso, mas fala que quem gosta de Stephen, pode vir a gostar de "Caixa de pássaros". Eu ainda não li Stephen King, e esse foi meu primeiro livro de suspense/terror. Então, tudo foi novo nessa experiência.

A história tem um narrador à parte dos fatos, como se estivesse assistindo ao que acontece. Ele vai descrevendo tudo nas cenas, e a forma como o faz, gera ansiedade. Frases curtas. Pontos e novos parágrafos, repetições, que vão te enchendo de expectativa e te fazendo vivenciar o que se passa com os personagens. Por vezes, a narrativa passa para Malorie, personagem principal, e temos acesso aos seus pensamentos, sua visão sobre o que se passa, e quase enlouquecemos junto com ela. Achei isso genial.

Malorie está saindo de casa e pegando o rio com seus dois filhos, uma menina e um menino, ambos com 4 anos de idade. Os três estão vendados e ela repete o tempo todo para eles não tirarem a venda em hipótese alguma. É assim que somos apresentados a personagem e a essa história. Além do esquisito, por que uma pessoa tem que sair de casa e descer o rio vendada?, bate aquela curiosidade de saber como eles chegaram a esse ponto.

Os capítulos vão sendo intercalados entre a aventura da mãe com seus filhos no rio e flashbacks do que aconteceu até que eles chegassem ali. Seja no presente ou no passado, tudo é surpreendente e fiquei vidrada na história querendo saber o que acontecia em ambas as situações. Suspense puro, um toque leve de terror, e uma narrativa que te prende do início ao fim.

Eu leio nos ônibus ao me deslocar durante o dia. A cada vez que precisava interromper a leitura, ficava pensando sobre o que estava acontecendo naquele universo, e pensando como eu reagiria no lugar de Malorie. Imaginava como seria viver nesse mundo, em que não se pode mais usar a visão. Ou seja, era uma imersão total na estória, e até agora não sei ao certo que estratégia maravilhosa é essa que o autor usou. 

Enquanto lia Caixa de Pássaros foi inevitável comparar com outras histórias de certo modo semelhantes. Como em "Ensaios sobre a cegueira", de Saramago, em que as pessoas precisam se adaptar ao mundo novo, em que todo mundo é cego. O caos que se instala é parecido, mas a ameaça vem dos mais adaptados e não do desconhecido como em Caixa de Pássaros. Também me fez lembrar de "The walking dead", afinal as pessoas acabam se isolando, sem saber quem ainda vive nesse novo mundo. Mas, em "The walking dead" eles podem ver e fugir do "zumbi", que é a ameaça que muda a existência na Terra.

O mundo em Caixa de Pássaros é apocalíptico, fim do mundo como o conhecemos por razões bem atípicas e desconhecidas. Por isso, mais do que uma aventura e um suspense, a obra suscita algo do comportamento humano. Como cada pessoa reage diante do inesperado, provavelmente sobrenatural? A loucura, o ceticismo, a inovação, a liderança, a capacidade de se relacionar com outras pessoas, a bondade, a maldade, a solidariedade, tudo é colocado a prova em cada um dos personagens. E vamos nos identificando com uns, odiando outros, compreendendo a todos.

Assim como em "The walking dead" e em "Ensaios sobre a cegueira", em "Caixa de pássaros" as pessoas também chegam no limite paranoico de temer perder o pouco que tem: a comida escassa, o abrigo, a pouca segurança conquistada. É quando os conflitos começam, onde seus limites "humanos" são colocados a prova. Todas essas histórias fala sobre sobreviver em um mundo hostil, complicado. Mas, só em "Caixa de pássaros" tem um medo do desconhecido.

Os personagens questionam o tempo todo o que pode ser, o que de fato causa e o que quer causar as pessoas. Para alguns a ameaça não passa do uso do medo e paranoia do próprio ser humano contra ele mesmo. A verdade é que tentar descobrir é arriscado, e com medo, muitos enlouquecem. E nós, lendo essa história, vamos ficando com as mesmas dúvidas e tentando desvendar o mistério.

E no fim, que para alguns foi decepcionante, eu me emocionei. Não posso falar nada que comprometa a história. O que posso dizer é que entendi que o livro se trata de uma mulher, uma sobrevivente, descendo o rio com os filhos em busca de salvação (ou algo do tipo), como os sobreviventes de "The walking dead" procurando um lugar melhor, quando saem de Atlanta e vão para Washington. Aceitando isso, o final fica coerente e muito bom.

O alívio depois do ápice tenso e triste, a alegria das crianças e da Malorie com o momento família que acontece ali, pequeno, singelo, mas tão representativo. Acho que o autor foi sábio e fechou a história da melhor maneira possível.


>>>POTENCIAL SPOILER<<<<
Tentar explicar algo tão misterioso poderia, daí sim, acabar com o livro e dar desgosto pela leitura feita até ali. Só acho. 

=P

segunda-feira, maio 29, 2017

Resenha de Terra Sonâmbula, por Mia Couto

E, finalmente, saiu a resenha de "Terra Sonâmbula" do autor moçambicano Mia Couto. Precisei de um pouco mais de tempo para escrevê-la, para ser mais justa acerca da minha opinião sobre a obra. E já já vocês entenderão o porquê.

A África é um continente muito distante para mim. Por mais que se ouça falar de lá em diversas narrativas, principalmente jornalísticas, nada se compara a proximidade de acompanhar a vida de um personagem em uma obra literária. E eu confesso que não estava muito preparada para esse choque de realidade. Imaginei que o livro tratasse de algo mais lúdico, como no primeiro livro em que tive contato com a obra de Mia Couto, "Antes de nascer o mundo".


Sinopse de Terra Sonâmbula

Um ônibus incendiado em uma estrada poeirenta serve de abrigo ao velho Tuahir e ao menino Muidinga, em fuga da guerra civil devastadora que grassa por toda parte em Moçambique. Depois de dez anos de guerra anticolonial (1965- 1975), o país do sudeste africano viu-se às voltas com um longo e sangrento conflito interno que se estendeu de 1976 a 1992. O veículo está cheio de corpos carbonizados. Mas há também um outro corpo à beira da estrada, junto a uma mala que abriga os 'cadernos de Kindzu', o longo diário do morto em questão. A partir daí, duas histórias são narradas paralelamente - a viagem de Tuahir e Muidinga e, em flashback, o percurso de Kindzu em busca dos naparamas, guerreiros tradicionais, abençoados pelos feiticeiros, que são, aos olhos do garoto, a única esperança contra os senhores da guerra.


Resenha de Terra Sonâmbula, por Mia Couto

Terminei de ler o livro há mais de uma semana, e só agora resolvi escrever sobre ele para não descarregar toda a negatividade que senti ao terminar a obra. Precisava assentar as ideias, pensar melhor sobre tudo que li antes de comentá-lo. Terra Sonâmbula é uma leitura densa, por vezes difícil, devido a linguagem usada pelo autor e também pelos sentimentos que ela suscita.

Quando li a sinopse, não poderia imaginar o conteúdo do livro. Não que ela não seja verdadeira, na verdade a história é exatamente isso. Mas, não esperava me deparar com tamanho realismo. E muito menos um realismo tão surreal. Isso porque, por vezes, a impressão que se tem é que aquilo não pode ser verdade. Ao mesmo tempo, devido ao conhecimento superficial que tenho das culturas dos povos que vivem na áfrica, via aquilo como absoluta verdade. Às vezes, comparava as crendices populares absurdas com o que ouvimos por aqui de pessoas antigas, ou do que se ouve da cultura nordestina, e acreditava em cada palavra como se o livro fosse sobre fatos reais.

Acreditar que um personagem é real normalmente é fantástico durante uma leitura. Mas, quando a vida desses personagens é mais triste do que eles percebem, pode ser devastadora para o leitor. E foi assim que os capítulos das histórias de Kindzu e de Muindinga foram me afetando. Quando terminei de ler o livro, escrevi no Instagram que não recomendaria para ninguém. É muita tortura psicológica, eu pensei.

Por outro lado, a narrativa é lírica, a linguagem nos insere naquele universo, apresenta-nos um povo, suas culturas, e isso é muito positivo. Demonstra a qualidade das obras de Mia Couto. Aquelas palavras truncadas, o choque do português moçambicano com o nosso, que eu sequer sei se é assim, ou se foi apenas um estilo adotado pelo autor, para retratar um passado recente. Seja como for, cumpre o papel de transmitir sentimentos, de provocar reflexão, de pensar sobre como essas pessoas vivem. Em um continente distante, quase sem atenção, com guerras e vivendo em um mundo que a gente nem poderia imaginar.

Alguns relatos da história eu já tinha visto no documentário "O sal da Terra", de Sebastião Salgado (tem na Netflix e recomendo). Por isso ler sobre a história de Muindinga me pareceu tão real. Além disso, a fome e as desgraças que as pessoas passam em períodos de guerras. E aquela sensação horrível de nascer e morrer em tempos assim. A descrença de que exista um mundo que não seja assim. Conseguem entender? É um livro que suscita a tristeza. Faz refletir, coloca o assunto em pauta, mas nos deixa triste.

E eu fiquei duplamente triste porque adoro o autor, o seu jeito de escrever, sua sensibilidade, mas neste caso, ainda sinto que não deveria indicar a leitura. Parece que ao fazer isso estaria entregando um fardo para outra pessoa carregar.

Mas, para leitores experientes, que já leem de tudo, que gostam de Saramago, desesperanças, realidade nua e crua, e que aprecie um bom texto. Para eles, indico a leitura do livro. Porque, trata-se de um ótimo livro, apesar de tudo.

Para comprar, tem no site da Amazon em eBook ou capa comum bem barato. É um livro de bolso, curtinho. Dá pra ler "numa sentada". E para ver outras obras do Mia Couto clique aqui.

quinta-feira, maio 18, 2017

Review do novo e primeiro álbum da Banda Valente

E depois de algum tempo, vamos falar de música? Para hoje, escolhi falar do novo álbum da Banda Valente.

A banda Valente é aquela que foi apresentada ao Brasil (e para mim) pelo programa da rede grôbo, o Superstar. Com um repertório lindo, a banda alternou músicas autorais e alguns covers cheios de personalidade e foram longe. Mas, nem tanto, assim como tantas bandas muito boas, não ganharam o programa.

Não vencer o programa não significou a morte da banda Valente, é claro. E recentemente eles lançaram seu primeiro álbum que leva o nome da banda. Quando soube do lançamento nas plataformas de streaming fui logo para o Spotify baixar as músicas e descobrir o que a Valente tinha preparado. Depois do lançamento de uma outra banda aí, estava com receio de não ser tão bom. Fui com a expectativa baixa, e a surpresa foi boa!

Sobre a banda

Valente é uma banda brasileira de rock com base em Estância Velha RS, fundada em 2008 pelos irmãos Raoni (guitarra e voz) e Raynê Forian (piano, teclado e sintetizadores), o baterista Marcelo Koch e o baixista Raoní Santos. Com uma sonoridade muito honesta e letras que te fazem refletir, possui fortes referências de nomes como The Beatles, Radiohead e Jeff Buckley, entre outros.

Review do novo e primeiro álbum da Banda Valente

Simplesmente não consegui parar de cantarolar e de querer escutar mais e mais quase todas as faixas do álbum. O que me chamou a atenção na Valente lá no Superstar foi o estilo Indie Rock, pelo menos o que eu acredito que seja o estilo. Rock rico em arranjos, melodias, boas letras (não que seja essencial, mas ajuda muito) e personalidade. O novo álbum da Valente tem tudo isso!

Sem querer comparar, apenas como referência, ouvi sons que me lembrou o primeiro álbum do The Killers, a sonoridade é muito próxima de algumas bandas do norte do Reino Unido, e apesar disso, as músicas são muito da Valente, reconhecível, identificável. São perfeitas. Toques de nostalgia, uma imensidão de sentimentos e cada música. Perfeitas também são as letras. De um português perfeito que chega arrepiar. Para que entendam um pouco do que estou falando, fiz um faixa a faixa! 


Faixa a faixa: Álbum Valente

1 - 36 Horas

A música começa com uma batida perturbadora, mais voz, piano e arranjos em perfeita harmonia. E uma letra que tira o sono "... laços são refeitos meu irmão, faltam-me são horas pra viver...".

2 - Meu Andar

Um pouco mais animada, é uma canção bonitinha, não de "bobinha", e sim de bela mesmo. "Se tudo ficar como está, eu quero ser outro lugar." Letra nada bobinha.

3 - Sinais

Com rifes marcantes, muita personalidade, e sintetizadores (aqui lembrei de The Killers), e a letra, sério, essa banda me perturba! "Não vá mais, já não tenho pernas pra correr". Tem que ouvir para entender.

4 - Antes de Sonhar

Uma música perfeita precisa de uma melodia e um refrão marcante, e essa música tem muito disso. E o reef dessa guitarra, meus amigos, toca na alma. "Tente não pensar o que eles vão dizer, isso te deixará, sem sede de viver".

5 - Teu Ser

Essa é uma das músicas que eles tocaram no Superstar, foi a mais marcante para mim, embora "Meu Andar" também tenha sido apresentada no programa. Ela é puro indie rock. "Alguém dirá, errados estão, nunca entenderão, deixa estar".

6 - Silêncio

Essa foge um pouco do ritmo das demais. Começa em voz e violão, a tom é outro, tem um acordeão ao fundo. Lembra um pouco Nenhum de nós e, embora eu goste de Nenhum, não curti muito essa. A letra é linda. "Hoje te digo que o tempo que estive sozinho foi bom pra esquecer."

7 - Insossego

Essa é a música com a qual eu mais me identifiquei. Vou parar de falar da qualidade musical, porque vai começar a parecer que é puxação de saco, que perdi os critérios. A música começa assim: "Será que é o sol que insiste em me tomar como vilão por dele não gostar", e lá pelas tantas vem com essa estrofe:

Será que vivo em sombras porque quero
E a falta de coragem é o que me mantém
Me afasto de todos a quem conheço
Será que eu posso voltar pro começo

8 - Tudo Bem

Tom sombrio, letra perturbadora, voz perfeita. 

Pois já não lembro mais, 
de nós dois tão felizes sem se ver
Diz porque o tempo não curou
(...) Hoje eu descobri um jeito de ser, quem sou.

9 - Já Me Acostumei

Efeito de som vazado do estúdio, é uma música linda demais. Aqui também tem acordeon, mas é muito mais rica musicalmente e tem uma batida empolgante. E a letra...

Já acostumei a viver com nó
Que você me fez, fez de mim tão só
(...) Por mim, eu não vou mais voltar...

10 - Sem Toda Minha Alegria

Outra indie rock pura e maravilhosa. Essa me lembra muito o rock inglês, e tem os sintetizadores mais marcantes. É mais animadinha, mas a melodia e a letra são profundas, tocam fundo!

Como eu posso não lembrar?
Se eu não vou me acostumar
Como eu posso só esquecer?

11 - Viver só por viver

Para mim essa tem o mesmo estilo da "Silêncio", não parece tão "Valente". Embora a letra seja muito boa, tem alguma coisa no ritmo que me incomoda (por enquanto). Às vezes é uma questão de tempo até se apaixonar por uma música. Veremos! 

12 -  Alguém à Esperar 

Guitarras perfeitas, voz distorcida, sintetizador, melodia incrível. "Alguém à Esperar" é digna de encerrar um álbum como esse. Ela dá vontade de não parar mais de ouvir, a música, o álbum. É digna de looping infinito. Ela parece animadinha, a letra. E no fim, aquele piano solitário, dedilhando tristezas, angústias, incertezas...

Vem ser quem eu mais queria ser
Sorte não me falta mais
E assim continuo sem te ver
Vou levando o meu viver
Só pra ter alguém a me esperar, a me esperar...

Como sempre, deixo aqui o link para quem quiser ouvir. Ouçam, e depois me digam se não estava certa em quase todos os exagerados elogios tecidos a essas canções.



=P

quinta-feira, maio 11, 2017

Resenha de Alriet, por Grazi Fontes

Começo essa resenha dizendo que romance romântico está longe de ser meu gênero preferido. Apesar disso, volta e meia eu baixo alguns ebooks de autoras nacionais, e irremediavelmente, a sua grande maioria é de romance romântico. Nem todos que baixei eu li, alguns eu abandonei porque simplesmente não deu. Então acreditem, se li e estou escrevendo essa resenha é porque no mínimo a leitura vale a pena.

Para saber mais sobre a autora, Grazi Fontes, clique aqui. Além de informações sobre ela, tu pode comprar Alriet físico. Para comprar o ebook na Amazon, por R$ 5,99 clique aqui.


Resenha de Alriet, por Grazi Fontes

Participei recentemente de uma oficina de escrita criativa. Isso mudou um pouco a minha relação com a leitura. Li sobre algumas técnicas, e inevitavelmente passei a prestar mais atenção no estilo, escrita, linguagem, formas de narrar. O texto de Alriet é fácil de ler, a leitura flui, e se não tiver que acordar cedo no dia seguinte, dá pra ler todo ele numa virada. Quase fiz isso.

Apesar disso, quando comecei a ler Alriet, confesso que quase desisti. Isso porque a edição que eu li (não voou saber dizer se foi um problema só comigo) estava com problemas de revisão. Um errinho de concordância aqui, uma confusãozinha num trecho ali, detalhes que me incomodaram bastante.

Eu vi tantas vezes esse livro na minha time line do Instagram, tantas avaliações boas, resolvi insistir. E ainda bem que consegui ignorar alguns detalhes e seguir lendo. Não precisei ler metade do livro pra estória me pegar. É muito boa! Parece clichê, mas o modo que é contada não é. Os capítulos são narrados alternadamente entre os protagonistas, o casal Harriet e Alec.

Ou seja, até o último capítulo, vamos conhecendo os dois pontos de vista. Ficava furiosa com a Harriet num determinado capítulo narrado pelo Alec, e no capítulo seguinte via o lado dela, e meu desprezo recaía sobre Alec. Ás vezes estava lá torcendo pra alguma coisa acontecer junto com a personagem, e depois com o relato de Alec percebia que não aconteceria mesmo. É um modo de narrativa que te envolve, e tu fica querendo se meter e mudar as coisas, e se irrita com o fato de só estar dentro da cabeça de um e de outro sem poder fazer nada.

Sobre o enredo


Alriet conta a história de Alec e Harriet. Eles se conhecem na escola, literalmente se esbarram a caminho do colégio. Nasce uma amizade, muita água passa por de baixo dessa ponte, e eles se apaixonam.

E quando eu falo "muita água passa por de baixo dessa ponte" é realmente muita coisa. Eles têm uma amizade extraordinária, muitas coisas em comum, como gostar de rock (amam U2, como não amá-los?) e serem leitores inveterados (Agata Christie Divando nas estantes). Ambos são antissociais, mas, vida que segue. Vão se ajudando e sobrevivendo, integrando-se ao mundo. E é quando se aproximam da idade adulta que as coisas vão se complicando.

Aqui tem uns clichezinhos inevitáveis: Harriet amadurece primeiro, se doa mais para o relacionamento, aceita coisas inaceitáveis em 2017, poxa! Alec é o cafajeste estereotipado, tocando em uma banda, pegando mulher a rodo. A cada briga ele transa com mil mulheres, e ela trabalha, trabalha, no máximo visita uma amiga.

E sofre a pobre Harriet. Mesmo entendendo seu amor quase incondicional e total dedicação pela manutenção daquela amizade, achei um pouco demais. Até os últimos instantes Alec age daquela forma, foi quando quis dar na cara deles! hahaha Dela por não se respeitar, e dele por ser tão cretino.

Passada essa fase, o fechamento do livro é perfeito. E no epílogo, o desfecho sobre a música do pai que ele tentava lembrar... Foi simplesmente genial! É o tipo de detalhe que faz qualquer final, por mais simples e previsível que seja, se tornar apoteótico.

Único detalhe que pra mim ficou sem muito nexo é o fato de a história se passar em Bruxelas. Não temos uma visão muito clara da cidade, só em alguns momentos somos lembrados de que eles vivem lá. Isso não chega a interferir no enredo, não prejudica e também não acrescenta muito.

Se eu indico a leitura? Claro que sim!
Mas, tirem as crianças de perto desse livro! Tem cenas picantes, não muitas, mas explicitas.

Enquanto lia o livro tive contato com o novo álbum da banda Valente. Eu sei que o mais "normal" seria associar a história ao U2, mas achei que uma música fazia tão mais sentido como trilha. Vou deixar o link aí para vocês ouvirem.


E já aproveito assim para anunciar que no próximo post vamos falar de música, e de música muito boa!
=P

sexta-feira, maio 05, 2017

Resenha; 12 Doutores 12 Histórias

Finalmente, e infelizmente, terminei de ler "12 Dourores 12 Histórias". Finalmente, porque o bichinho é grande e pesado, são 460 páginas! E infelizmente porque esse livro definitivamente vai deixar saudades.

Ficha (nem tão) técnica!

O livro "12 Doutores 12 Histórias" é uma compilação de 12 histórias, como o título sugere. Uma de cada regeneração do Doctor Who. Esqueça por agora o que regeneração quer dizer, tente se prender aos fatos, ao longo da resenha que vem a seguir prometo que essa questão vai ficar um pouco menos esquisita.

Sobre as 12 histórias

Cada uma delas foi escrita por um autor, cada autor falou de um doutor. Este é, portanto, um livro de contos, ou histórias curtas. Por serem curtas, nota-se que quase todos autores optaram por contar uma "escapadinha" do Doutor da sua linha temporal como a conhecemos da série.

E sobre os autores, vale ressaltar que é uma seleta lista, com um pessoal que escreve muitas histórias fantásticas. Em cada nome, na resenha, coloquei o link para quem tiver curiosidade de saber um pouco mais sobre eles.

Explicando a essência que permite esse "recurso"

Doctor Who (sim esse é o seu nome) é um habitante do planeta Gallifrey. O planeta é habitado por uma raça conhecida como "Senhores do Tempo". Se autodenominam dessa forma por conseguirem perceber e, de certa forma, controlar o tempo. Além de "verem" o tempo, suas naves (que se chamam TARDIS) têm tecnologia capaz de viajar no tempo e no espaço.

Ou seja. Um Senhor do Tempo pode sair, viver mil anos, e voltar para o instante seguinte a sua saída. Ele vai, vive, volta e você acha que ele fez coisa nenhuma. Ao longo da série, por uma questão de narrativa, vemos o Doctor vivendo uma história de cada vez. Isso acontecia principalmente no que chamamos de "série clássica".

Explicando a cronologia da série

A chamada série clássica foi exibida entre os anos 60, 70, 80 e 90. Entre 1997 e 2004 a série passou por um hiato voltando a ser produzida a partir de 2005.

Com a série moderna várias mudanças ocorreram. Além de mais recursos de efeitos especiais, ainda que em 2005 tenha sido meio bizarro, novas linguagens audiovisuais foram sendo introduzidas. E o resultado foi mais liberdade para explorar esse ponto fundamental em Doctor Who que são as viagens no tempo. Imagine quanta coisa se pode fazer nesse "pulinho" dentro de uma máquina do tempo que se move também no espaço!

Por isso falei que as histórias do livro parecem essas escapadas do Doutor. Alguns autores, inclusive, exploraram algumas "janelas de tempo" que vimos na série para escrever as suas histórias. É o que vemos na 12ª por exemplo.

Outro detalhe das histórias é que nem todas elas explicam muita coisa. Em algumas, o Doutor já está em ação, ou chega e "vida que segue". Nós, Whovians podemos encarar de boa, e temos somos transportados para uma viagem mágica. Ali está o Doutor fazendo referências de suas passagens pela TV, quadrinhos, áudios e outros livros. Em outras, ele é apresentado, reforçando a personalidade de cada Doutor, dando mais vida ao personagem. Ganha-se de um jeito ou de outro: Whovian ou não.
 Para quem não conhece a história toda, são 12 histórias de ficção científica muito boas - umas mais, outras menos.

E para quem quiser ler mais sobre Doctor Who, tenho já alguns textos aqui no Blog, é só clicar nesse link #DoctorWho



Resenha; 12 Doutores 12 Histórias

Primeira História, Primeiro Doutor. É o Doutor ainda com o mesmo corpo que veio ao mundo, diretamente de Gallifrey para a Terra. Na série, esse Doctor já é velhinho, tem umas manias, era como os sábios costumavam ser retratados na época. E na história de Eoin Colfer, "Uma mãozinha para o Doutor", achei o personagem um pouco ágil demais. Eu amo a 6ª parte de "O Guia do Mochileiro das Galáxias" escrita por esse autor, "E tem outra coisa" é magnífica. Ele consegue captar muito bem a essência do Guia e fiquei chateada do mesmo não ter acontecido em Doctor Who. Achei estranhíssima a história da mãozinha (sem spoilers). Mas, para quem não assistiu ainda o Primeiro Doutor, a história é boa e vale muito a pena. Ótima para inicia um livro!

Segunda História, Segundo Doutor. É com ele que os fãs de Doctor Who descobrem mais esse truque dos "Senhores do Tempo de Gallifrey". Quando estão perto de morrer, o seu corpo se regenera modificando cada célula e entregando um corpo novinho, mantendo o "ser" e o "cérebro" que o habita. E além do corpo, sua personalidade muda. Mesma memória, pessoa afetada!

A Cidade sem nome, de Michael Scott, é maravilhosa! Primeiro porque o Companion da vez é Jamie, o melhor de todos os tempos. O autor captou bem a essência maluca e desajeitada o Doutor. Foi muito bom ter esse contato com esses personagens mais uma vez. E o conto é fantástico, quase que tudo dá errado, é emocionante como todo bom episódio da série.

Terceira História, Terceiro Doutor. Esse Doutor é o que mais tenho vivo na memória, dos doutores da clássica. Acabei de assistir a sua regeneração (ainda tô sofrendo). E a história "A lança do destino" contada por Marcus Sedgwick é boa mesmo! Tem o início tranquilo, conflito, o ápice e um final a altura do terceiro Doutor. Outra curiosidade é que essa leitura coincidiu com os episódios finais da 2ª temporada de Legends Of Tomorrow, que também é sobre viagens no tempo, tem Senhores do Tempo (humanos) e também tinha uma "lança do destino" causando problemas.

Quarta História, Quarto Doutor. "As Raízes do Mal", de Philip Reeve, é incrível. Super fantástica, fala de uma população que se organizou em uma estrutura capaz de criar a atmosfera de um planeta. E a super população é da Terra, humanos, é claro, sempre fugindo do planetinha que nós detonamos e tornamos inabitável. Eu não conheço a companion ótima dessa aventura porque recém comecei a assistir o quarto doutor. Eu achei ela a versão feminina do Jamie. Adorei! Mal posso esperar para vê-la em ação fora do livro.

Quinta História, Quinto Doutor. Patrick Ness escreveu "Na ponta da língua". Uma história de muita ficção científica misturada com comportamento humano doentio. É impressionante, quase uma distopia, e ao mesmo tempo, muito Doctor Who. Eu ainda não conheço o Quinto Doutor, a história quase não envolve viagem no tempo. É simples e muito forte, daria um ótimo episódio para a TV.

Sexta História, Sexto Doutor. Outro doutor que não conheço ainda. Em "Algo emprestado" de Richelle Mead, temos um tema muito recorrente na série, com fundo meio político. Ele trata de ciência, de cientistas loucos, de experiências em seres vivos, de racismo. Não posso dizer se o Doutor foi bem retratado, mas história é muito boa, de deixar qualquer apaixonado por sy-fy vibrar - ainda mais se for Whovian!

Sétima História, Sétimo Doutor. "O efeito de propagação", por Malorie Blackman, testa os nervos do Doutor confrontando e questionando o seu ódio! Sim, o Senhor do Tempo vive tempo demais, se mete demais onde não é chamado, faz inimigos no universo. Um dos principais são Os Daleks, habitantes do planeta Skaro. Nessa história, para resolver um problema o Doutor acaba criando outro ainda maior (olha que inesperado!). Não quero dar Spoilers, mas tem Dalek e é bom. Sem mais! :D

Oitava História, Oitavo Doutor: Esporo, por Alex Scarrow, é uma boa aventura do Doutor na Terra, enfrentando militares, e fazendo referência direta à Clássica. Para ter autorização ele diz que é da Unit, e manda falarem com o Brigadeiro Lethbridge-Stewart. E o que vem depois é algo muito série moderna, apesar de ser com um Doutor da clássica. Eu achei ótimo, mesmo não conhecendo esse doutor. Talvez o autor tenha se passado, deixado ele moderno demais. Whovians de passagem que me corrijam.

Nona História, Nono Doutor. Em "A Besta da Babilônia", por Charlie Higson, chegamos finalmente em terreno conhecido. O autor foi muito fiel ao personagem. O Nono Doutor tem toda uma questão de ser "novo" depois do hiato. Fato que foi justificado com uma Grande Guerra do Tempo em que o Doctor teve uma participação misteriosa, sendo o único sobrevivente da sua Raça no universo. Bem, e o conflito que ele se envolve é a cara do nono Doutor. E para quem não é Whovian vai ter uma ótima experiência de história fantástica.

Décima História, Décimo Doutor. Colocaria coraçõezinhos aqui se não fosse brega demais! Em "O Mistério da Cabana Assombrada" Derek Landy apresenta uma aventura do melhor Doutor Ever com uma das piores companions, a Martha Jones. O personagem ganha vida, a cena, é inacreditável o que o autor fez. Até a sem graça da Martha parece ela mesma. E eu amei o fora que ela leva do Doutor. Não seria o relacionamento Martha-Tenth se não tivesse algo assim. O conto se passa em uma história, a dos Encrenqueiros, aparentemente uma coleção bem conhecida na Inglaterra. Entre passagens pela vida de leituras de Martha, até Bella Swann e seu vampirinho aparecem. Um conto com o melhor Doutor falando sobre livros. Tem como ser melhor? Tem, se tivesse um Companion melhor, mas OK, a história é tão boa que nem vou reclamar muito.

Décima Primeira História... Já entenderam, né? 11º Doutor. "Hora nenhuma" tem como autor nada mais nada menos que Neil Gaiman. E eu detesto o 11º (não de verdade, mas não é meu preferido), e o conto é a cara do 11º que foi premiado na série por excelentes episódios. E esse é mais um deles. A companion é a Amy, thank God não é a Clara, e tem um vilão gigante, muito bom. O planeta Terra é comprado, inteirinho. Coisa fácil já que humanos adoram dinheiro. E o que acontece a partir disso, e como isso acontece, só lendo para acreditar. É genial!

Décima Segunda História, Ah! O 12º Doutor. Holly Black escreveu "Luzes apagadas". Antes, para quem não acompanha Doctor Who, conto-lhes que este Doutor está em sua última temporada, prestes a dizer adeus. A BBC fez a "boa ação" de contar aos fãs da saída do ator antes de iniciar a temporada (isso obriga o personagem a regenerar, como vocês já podem imaginar). Bem, então estou assistindo a série pensando no fim. E em meio a isso, esse conto, do Doutor recém regenerado do 11º, ainda em conflito sobre quem é. Quando a sua cara de mau e as suas sobrancelhas ainda assustavam. Essa é uma das histórias que comentei que aproveitam uma entrada do Doutor na TARDIS.

Na série ele entra sob o pretexto de ir buscar um café (ou entra e sai com um café simplesmente - não tenho certeza). A TARDIS parece que vai partir e volta. Nesse conto, tomamos conhecimento de que ele foi em um planeta distante, mas precisamente na estação espacial de um planeta, especializada em café. O terceiro melhor do universo, segundo nosso Doctor. O texto é quase uma poesia de tão lindo, super reflexivo, de uma sensibilidade única. Um dos contos mais bonitos literariamente falando. O personagem principal e narrador, que não é o Doutor, está passando por conflitos devido a uma transformação pela qual ele nem sabe direito que está passando. Ele e o Doutor estão em momentos semelhantes, e a forma como eles se ajudam é sensacional.


Sobre o conjunto total da obra, pra resumir, já que o post foi longo: Leiam!

E pra despedida, um pouquinho de Peter Capaldi, o 12º Doctor Espetaculoso, na sua primeira aparição.




=P

segunda-feira, maio 01, 2017

Resenha: A menina que não sabia ler, por John Harding

Cheguei a esse livro a partir de indicações no Instagram. Muitas pessoas que sigo estavam postando fotos da capa e tecendo elogios a obra. E justo nesse momento, surgiu a promoção na Amazon oferecendo esse ebook gratuitamente. Baixei o livro e alguns dias depois comecei a ler. Como estava em ebook, só o lia em casa ou em "viagens mais longas". E, além disso, estava lendo junto com "12 histórias, 12 doutores". Motivos pelos quais demorei um pouco para finalizar a leitura. Mas, ontem resolvi terminar de uma vez, e acabei lendo em uma sentada.


O autor "John Harding" é o mesmo do best-seller "What we did on our hollyday", que foi adaptado para a TV. A história acontece na Escócia, é também sobre crianças que agem estranhamente. É bem interessante, e fiquei surpresa de saber que ele escreveu também essa história,


Resenha: A menina que não sabia ler

A escrita é bastante fluida e fácil. Não por ter palavras fáceis, bem pelo contrário, mas por ser um texto muito bem escrito. É gostoso de ler. Logo de início percebi uma semelhança com "A menina que roubava livros". Aliás, confesso que esse título meio parecido foi um estímulo a mais. Porém, a coincidência termina no fato de que ambas meninas gostam muito de ler.

Florence, personagem principal de "A menina que não sabia ler" começa sendo descrita com um toque de feminismo que me interessou. A menina é impedida de aprender a ler, apesar da sua curiosidade, porque tradicionalmente só os meninos podem ser educados. Apesar disso, ela consegue escapar para a biblioteca onde aprende a ler sozinha, dando início as suas aventuras. Ela precisa manter em segredo essa nova atividade, que fica mais difícil a cada dia, devido a sua compulsão pela leitura.

Florence e seu irmão vivem numa casa no interior, próximo à cidade de Nova York. Órfãos, vivem com criados em um casarão degradado pelo tempo. O tio responsável por eles vive na cidade, e eles o conhecem mais por fotos, já que, sempre muito ocupado, ele nunca aparece. Ele é quem proíbe a menina de receber educação formal. Mesmo distante, preocupa-se com o desenvolvimento dela. Teme que enlouqueça como uma antiga namorada sua, é o que conta a governanta da casa quando Florence questiona sobre o fato.

A partir da trama apresentada no primeiro capítulo, a leitura parece promissora. Mas, conforme os acontecimentos vão sendo contados, a história não empolga tanto. Eu fiquei esperando alguma coisa acontecer, um problema mais sério. E foi um pouco decepcionante que isso só aconteceu nas últimas páginas. Até lá, conhecemos um pouco mais o dia a dia das crianças, a relação deles com os empregados e a paixão de Florence por seu irmão, do seu ponto de vista, a única família que ela tem.

O curioso nessa leitura é que só no fim, eu me dei conta de que algumas informações contadas em meio a acontecimentos nem tão importantes eram fundamentais para construir a personagem principal, e direcionar para o desfecho da trama. É o que tornam os seus atos aceitáveis, apesar de não nos parecer capaz de tudo o que fez. A mim pareceu que ela "pirou" meio do nada. Então, parei para pensar em tudo e fui construindo essa linha entre a protetora e a louca. Achei, portando, a personagem um pouco inconsistente, mas isso só fica claro no final. Até lá a história só parece um pouco fraca. Não sei se a intenção da obra era ser de terror, mas no final ela brinca com esse gênero. Bem de leve, mas fica um suspense no ar. Em algumas páginas parece até outra história, tem um salto no comportamento de Florence. O bom é que os demais personagens também se assustam, então acredito que era para ser assim.

Apesar disso, recomendo a leitura. É uma boa opção para passar o tempo, ainda que não entregue uma grande e gratificante experiência literária.


=P

sexta-feira, abril 21, 2017

Doctor Who: O 3º Doutor da Série Clássica

Faz alguns dias que terminei de assistir os episódios do 3º Doutor na sequência da série clássica, e aqui estou para fazer alguns comentários sobre essa fase da minha série favorita.




A chegada do novo Doctor

Jon Pertwee chegou na série de uma forma bem atípica para Whovians que acompanham a série moderna e sabem que o Doutor se regenera. Como anunciei no post sobre o Segundo Doutor, ele passa um julgamento, acusado de bagunçar irresponsalvelmente o tempo, e foi penalizado pelo conselho dos Senhores do Tempo com uma regeneração forçada, uma espécie de exílio na Terra (sua TARDIS foi modificada para não funciona mais) e, o que é pior, seus companions foram levados de volta para as suas linhas temporais, antes de conhecer o Doutor (esquecendo tudo o que viveram, que triste).

Então o Terceiro Doutor "cai na Terra" com aquela confusão normal pós regeneração, sem amigos, sem coisa nenhuma. "Por sorte" (aspas significando ironia, não existem coincidências em Doctow Who) ele vai parar na Terra justamente na Inglaterra, onde está havendo uma tentativa de invasão alienígena, onde a UNIT faz uma investigação.

Ele é encontrado desacordado e levado para um hospital onde as confusões fisiológicas começam. Os médicos se assustam com o sistema diferente, principalmente quando detectam dois coração no homem. Assim, um informante da UNIT contata o Brigadeiro Lethbridge-Stewart (amigo de Doctor de outros eventos), e este corre ao hospital para verificar a informação.

Neste meio tempo o Doutor foge (ele sempre acorda confuso), e até que o Brigadeiro Lethbridge-Stewart o encontra e entende que se trata do mesmo Doutor, passa aí um bom tempo do arco (episódio dividido em 4 ou 6 partes - estilo de apresentação da série clássica). Quando resolvem o caso da invasão, tudo já está explicado e o Doctor, preso na Terra, aceita trabalhar com a UNIT, numa divisão especial, como "consultor científico".


Os Arcos do 3º Doutor

De início eu só queria passar logo essa fase, não curtia muito esses episódios com problemas da Terra. Gosto mais das histórias fantásticas da série. Mas, tenho que admitir que alguns roteiros foram mesmo muito bons. Teve invasão alienígena, teve universo paralelo, e até algumas viagens ao espaço. Sim, porque quando convém para os Senhores do Tempo, eles enviam o Doutor pra resolver umas tretas em outras galáxias,

Foram nos arcos do 3º Doutor aliás que conhecemos o Mestre, o arquirrival do Doutor. Um outro Senhor do Tempo que foge de Gallifrey, mas pura e simplesmente para bagunçar o universo e tirar proveito da sua condição, e não para se divertir e ajudar as pessoas como o personagem principal da série, O Doctor Who.

Foi também nas temporadas do 3º Doutor que vimos o primeiro encontro de Doutores, um dos episódios que mais aguardei. Isso porque nele teve a participação do Segundo e do Primeiro, sim!! O Velhinho William Hartnell fez a sua participação. Infelizmente ele não esteve atuando fisicamente com os outros dois, mas falando com eles pelo vídeo. A situação foi explicada por uma tempestade na zona temporal ou whatever.

Mas, Patrick Troughton esteve presente e deu show! Foi muito legal ver os dois juntos, analisando o modo de vestir um do outro, as diferenças de estilo e físicas, assim como a decoração da TARDIS (que muda a cada regeneração para "acompanhar" a mudança do Doutor). Vê-los trabalhando juntos, com suas manias e rabugices, somada à confusão do Brigadeiro Lethbridge-Stewart foi hilário. Deu pra matar as saudades do Segundo Doutor e gostar ainda mais do Terceiro.


E o 3º Doutor da Série Clássica marca época!

Uma das novidades da série foi a transição das imagens preto e branco para em cores. Foi onde vimos a TARDIS pela primeira vez na sua cor azul, que antes só sabíamos por ouvir falar. Sem recons (episódios em áudio montados com fotos) ou episódios perdidos, o período do Terceiro Doutor veio completo, e não demora muito para ele nos cativar.

Ao contrário do que eu imaginei, não foi chato acompanhar as aventuras do novo Doutor na Terra. O personagem é louco, rabugento e bem humorado. Um pouco arrogante, mas com aquele carisma tradicional de Doctor Who que nos faz esquecer e/ou amar o personagem. As farpas entre ele e o Brigadeiro ficam mais acentuadas pela convivência, mostrando um clima de muita amizade entre os dois, o que fica nítido quando a TARDIS volta a operar normalmente e o oficial da UNIT demonstra sua preocupação de que o Doctor parta e não volte mais.


E chega a hora do adeus para o 3º Doutor

Quando foi me aproximando do fim, fiquei um pouco empolgada por finalmente poder assistir ao quarto Doutor, que é o queridinho da maioria dos Whovians. Mas, fiquei também um pouco sentida, por ter que dizer adeus a esse Doutor brilhante interpretado por Jon Pertwee.

O fim se dá em um episódio em que ARANHAS querem invadir a Terra. Ora! Nada poderia ser pior para uma pessoa que sofre de aracnofobia (no caso, eu) do que um fim trágico como esse. Mas, por sorte a tecnologia estava bem ruim (ainda) no Terceiro Doutor e as aranhas sequer pareciam com aranhas (hahaha). E o Doutor se despede de uma forma heroica e muito nobre, tentando evitar inclusive a morte da espécie aracnídea.

A regeneração aconteceu, mas né? Aquela decepção, nada parecida com as da atualidade, em que as pessoas têm que sair de perto, e fogo saltando para todos os lados. Ele simplesmente muda de corpo em frente à Sara Jane Smith e o Brigadeiro Lethbridge-Stewart. Assim, o seu período de volta à realidade fica facilitado, ele está dentro do prédio da UNIT e recebe de pronto o atendimento para ficar em segurança.

Ou quase! O próximo Doutor é louco, esquisito e já chega fazendo maluquices. Assisti dois arcos e ainda estou no período de estranhamento. Não sei se ele vai ser para mim o melhor de todos, mas engraçado ele é, isso não tem como negar.


Sobre a loucura que é acompanhar Doctor Who

Aproveito o momento de transição para comentar sobre o livro "12 Doutores 12 Histórias" que comecei a ler essa semana. Já passei pelos 4 primeiros capítulos, e estou lento o quinto Doutor. Totalmente estranho para mim. Primeiro contato sem qualquer informação é no mínimo estranho.

E ao mesmo tempo, na semana passada a série moderna voltou, com a 10ª temporada, e já prometendo ser a última do Peter Capaldi, 12º Doutor. A tristeza de perder um excelente Doutor veio junto com a estreia.

Para consolar, ele ganha uma nova companion e ela é tudo que nós fãs sempre sonhamos: apaixonada por SyFy e muito ciente de que está diante de algo extraordinário (leia mais sobre ela nesse post do Doctor Who Brasil). A Bill, interpretada pela atriz Pearl Mackie, é jovem, trabalha na cantina da faculdade, é lésbica, negra, gente como a gente. E me fez lembrar a Rose, ou a Donna, minhas companions favoritas.

E, o que é melhor, o Doutor está trabalhando na universidade, tem uma sala, onde ele guarda a TARDIS, e por ser um espaço dele, fixo, está finamente decorado, cheio de referências da série clássica. Isso é fantástico! Nunca vi tantas referências juntas em um episódio. E, aparentemente, esse vai ser o tom dessa temporada de despedida, que vai ter os primeiros Cyberman, Mondas (que por sinal foram os responsáveis pela primeira regeneração do Doutor), Ice Warriors, e já falam de uma possível participação do 1º Doutor (acharam um ator muito parecido com ele).

Resumindo: é uma fase muito boa fãs de Doctor Who (whovians)! E toda essa confusão pode ser acompanhada em qualquer tempo. Vocês já viram uma série capaz de se reinventar dessa forma, sem perder as origens, e que permite as pessoas embarcarem em qualquer ponto? Eu nunca. Por isso gosto mais a cada dia!

E é isso por hoje! Pra deixar uma amostra do que está passando agora na TV, para quem sabe te motivar a começar, deixo o trailer dessa 10ª temporada!



=P

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