sábado, fevereiro 03, 2018

Confira as minhas leituras de janeiro!

Fiz um registro dos livros que li nesse mês de janeiro, com direito a resenha de dois deles. Vem ver!

Eu não costumo fazer posts contando os livros que leio, mas estou experimentando esse ano. Vamos ver se consigo manter o ritmo: de posts e de livros lidos. Consegui ler 3 livros em janeiro, e avancei bastante com "Deuses Americanos" do Neil Gaiman.



Confere as minhas leituras de janeiro!


A menina submersa: memórias, de Caitlín R Kiernan [Resenha]

A história do livro é narrada pela personagem "Imp.", uma menina esquizofrênica tentando se entender e superar um trauma. A narrativa não é linear, é como uma colcha de retalhos, e bastante desafiadora.

A menina submersa: memórias, é um texto para ser apreciado. Dá vontade de voltar e reler trechos, marcar parágrafos. Definitivamente não se trata de um texto para se ler às pressas. Apesar disso, achei a leitura muito fluida e gostosa. E, embora tenha dito que é melhor ler com calma, terminei ele em três dias. Simplesmente porque não conseguia largar. Leia a resenha que fiz para o Estação Nerd aqui.


Estorvo, de Chico Buarque


Um livro difícil de aceitar. É uma boa definição para a publicação de estreia do autor. Quando soube que era o primeiro, tentei ser menos dura com a crítica. A estória é confusa, não se sabe se o personagem principal está sonhando, delirando ou inventando tudo aquilo que nos conta. As passagens são confusas e, começa e termina sem pé nem cabeça.

A escrita é impecável, o texto muito bom, mas a estória, pra mim, deixou muito a desejar. Uma vez um amigo me disse que o conteúdo importa menos do que a forma Bem, depois de ler tantos livros maravilhosos em forma e conteúdo, me nego a concordar com isso. Parece-me que o Chico se preocupou demais com a forma, e deixou de lado conteúdo, e isso afundou a perspectiva de ser um bom livro.


Laranja mecânica, de Anthony Burgess [Resenha]


Um clássico da literatura inglesa e da cultura pop, famoso pelo filme, e muito melhor no livro, é claro e como sempre! O livro conta a estória de "Alex" um jovem que faz parte de uma gangue violenta e sem noção. Em determinado momento ele sofre as consequências por seus atos (pelo menos por parte deles) de maneira bem questionável abrindo espaço para reflexões bem profundas. A obra discute comportamento, amadurecimento, política, crítica social, liberdade. Tem de tudo nesse “livrinho” de 191 páginas pra dar aquela bagunçada nas ideias da gente. Tem coisa melhor?

E a forma é coisa de outro mundo. O autor criou uma linguagem própria para os jovens, o Nadsat, e Alex nos conta sua história nessa linguagem. Cheia de gírias e palavras esquisitas, um desafio! Muito difícil e louco, mas que diverte demais. Tem resenha que escrevi no Estação Nerd, acesse aqui.



Deuses Americanos, Neil Gaiman


Esse ficou pela metade, mas vou falar dele assim mesmo. Já li dois livros do Gaiman (O Oceano no fim do caminho e Lugar Nenhum - ainda sem resenha, que feio!) e estou cada dia mais impressionada com a versatilidade desse autor. Ele escreve mistério, humor, fantasia, e consegue misturar tudo em cada livro de um jeito único. A leitura é super fluida e gostosa, as histórias incríveis e criativas.

Em Deuses Americanos acompanhamos a jornada de Shadow. Um cara normal, recém saído da cadeia, que perdeu a esposa (e soube no dia do enterro que ela morreu o traindo com seu melhor amigo) e se vê trabalhando para um Deus. E descobre um mundo fantástico de deuses esquecidos distribuídos pelo solo americano, tentando se reerguer. É uma história simples, real/irreal, com passagens meio arrastadas, e outras que não dá vontade de largar. Quando terminar, vou tentar escrever uma resenha (mas, isso não é uma promessa!).

E vocês, conseguiram ler em janeiro? Me contem como foi!

E para quem quiser acompanhar mais de perto as minhas leituras, segue o blog lá no Instagram. Faço posts diariamente com diários de leituras, os livros que compro e outras coisinhas mais.

 - @blogsabeoque


=P

sexta-feira, janeiro 26, 2018

Resenha: Um centauro no jardim, de Moacyr Scliar

Um centauro no Jardim, do Moacyr Scliar foi um dos livros mais legais que li ano passado. Como essa resenha estava publicada no Estação Nerd (tão sabendo que colabora com resenhas por lá também?) achei justo publicá-la aqui no blog também. Espero que gostem!



Resenha: Um centauro no jardim, de Moacyr Scliar


Tive contato com esse livro quando fui a um sarau em homenagem a obra do autor. Fiquei
impressionada com a diversidade de temas e gêneros que ele escreveu. “O centauro no jardim” chamou a minha atenção pelo uso do centauro para representar o homem que “não se encaixa”. Um centauro!!!

O ser mitológico, diz a sinopse, faz alusão a dualidade etnica e religiosa dos judeus. E, é
claro, a obra do autor tem esse compromisso de falar da questão judaica e mostrar a adaptação dos imigrantes no Brasil. Mas, vi no personagem conflitos muito comuns a qualquer pessoa. A fragilidade e a sapiência do homem, a brutalidade “das patas”.

Ser ele mesmo causa horror “à sociedade” então precisa esconder-se, mutilar-se para fazer
parte dela. E aqui me vieram inúmeras analogias possíveis. Porque em um determinado momento ele consegue se integrar a sociedade, mas a felicidade nunca está completa. Ainda se sente esquisito, errado, um impostor. E depois, bem… Depois de livrar-se desse peso, é de galopar nos campos que ele mais sente falta. Ou seja, a gente é o que é. Guedali vai ter sempre alma de centauro. E pensar sobre isso deixa essa história meio triste.

A sorte que Scliar usa essa dualidade, fantasia realidade, o tempo todo e vai nos distraindo, dando leveza ao conto. É certo que a imersão é tanta que já nem lembramos que centauros não existem (não?). E logo esquecemos das tristezas da vida do personagem.

São tantos acontecimentos, tantas reviravoltas que chegou um determinado ponto que eu não podia mais largar o livro. Entrei madrugada a dentro para saber o que iria acontecer e como a história do centauro se encontraria naquele almoço tranquilo com os amigos narrado no primeiro capítulo. É tudo muito incrível, fantasioso, mas os sentimentos e conflitos muito reais. É emocionante!




Ah! A história é narrada em primeira pessoa, pelo próprio Guedali, passando para 3ª pessoa, às vezes, quando fala do centauro, num tom mais resignado, amargo, ou lírico. Ele conta a história no presente, vai descrevendo as cenas, nos convidando para participar dos acontecimentos. Em meio as descrições, vai inserindo os demais personagens, contando as
suas aflições, as suas histórias. Sério, gente, é impressionante a forma sutil e convidativa com que o autor articula presente e passado, realidade e fantasia.

E no final, um presente para nós leitores. Uma provocação daquelas de nos deixar pensando por horas. Não posso entrar em detalhes para não dar spoiler. O autor brinca com a sua própria criação, transformando a sua fantasia em realidade em um capítulo que pode ser interpretado de muitas formas: fuga da realidade, simplificação dos conflitos do Guedali, apenas uma brincadeira da sua esposa, ou a superação de um trauma.

Alguém aí já leu esse livro? O que acharam?

=P

sexta-feira, dezembro 22, 2017

Os melhores livros do ano, entre as minhas leituras!

Eu tenho muita dificuldade de escolher o livro favorito, o autor favorito, e com o melhor livro do ano, claro, não seria diferente. Mas, posso fazer aqui um resumo das melhores leituras do ano. Ah, isso sim!

Esse ano comecei com o projeto de Instabook @blogsabeoque onde diariamente (ou quase isso) eu posto sobre livros ou diários de leituras, livros comprados, etc. Quem ainda não conhece, clique aqui siga, curta, reclame. Estamos aí pra isso!

Tinha estabelecido em 2016 que iria ler todos os livros que tinha antes de voltar a comprar. Assim começou essa saga. E com essa função de Instagram, meio que comprei muito mais livros, e li muitos livros (viciei). Continuo com uma lista grande de livros pra ler, mas tenho certeza que darei conta disso muito em breve. Essa coisa toda acabou virando um bom hobby.


Os melhores livros que li esse ano

Os livros estão na ordem que eu fui lembrando ao olhar a estante. De alguns gostei mais, ou menos, mas todos têm um porque de estar aqui.

Cavalos da Chuva, Cadão Volpato

Simplesmente lindo! É literatura infantil, cheio de boas lições para os adultos. De um lirismo sem igual que deixa a leitura gostosa. Ri e me diverti muito com ele. Foi uma compra aleatória, pelo título, que deu muito certo. Tem promo na Amazon, é bem baratinho.

Memórias do Subsolo, Fiódor Dostoiévski

Esse foi indicação do professor da oficina de escrita criativa que fizesse ano. A oficina tinha a "memória" como tema e por isso a indicação. Li alguns meses depois, não achei muita relação com a escrita, mas foi uma leitura maravilhosa. Dostoiévski... Tinha esquecido como ele é bom em realismo e loucura.

Eu, Robô, Isaac Asimov

Um livro de ficção científica como eu nunca vi. Ele é suave, quase real, apesar de distópico, e a escrita do Asimov é encantadora. A estória nos faz pensar muito sobre todas as coisas, não só em como seria o mundo com robôs inteligentes; faz pensar sobre como lidamos com a aceitação do diferente. Vale muito a leitura mesmo para quem não gosta de Ficção Científica, porque no final, não é bem isso.

Neuromancer, William Gibson

Como eu disse na resenha, estava a algum tempo querendo ler esse livro. E adorei o estilo cyber punk. Me ajudou muito com as coisas que tenho escrito, e me divertiu muito. É um livro que estimula muito a imaginação, um mundo novo, cheio de termos e coisas diferentes do nosso. Foi uma aventura e tanto!

Lugar Nenhum, Neil Gaiman

Foi o primeiro livro do autor que eu li, surpreendente a capacidade dele de nos prender numa história sem ser clichê. Não tem aqueles dispositivos comuns em best sellers, mas é eletrizante, humorísticos e dramático ao mesmo tempo. Nunca tinha lido nada parecido até aqui.

12 Doutores, 12 Histórias, Vários Autores

Se não tivesse lido um livro de Doctor Who esse ano eu teria inventando uma forma de colocar um livro nessa lista. Esse, com 12 contos, foi um presente aos Whovians. Mas, pode ser lido por qualquer pessoa que sequer tenha ouvido falar do Doutor. Histórias independentes da série, muito bem elaboradas, fantásticas e bonitinhas. Tem de tudo!

Caixa de Pássaros, Josh Malermann

Esse livro... Primeiro suspense (horror?) que li na vida. Fiquei muito impressionada com a capacidade do autor de escrever de modo tão sucinto e transmitir tanta tensão. A imersão na história é incrível, a gente fica tenso, e quando para de ler fica pensativo, imaginando-se andando vendado pelo mundo. Indico muito!

Agência de investigações holísticas Dirk Gently, Douglas Adams

Há tempos namorava esse livro. A leitura foi um banho no mar da criatividade, ironia e loucuras de Douglas Adams. É peculiar a forma como ele escreve coisas aparentemente sem sentido e que se encaixa tão bem no final da trama. É diversão garantida do primeiro ao último capítulo.

Pareidolia, Luiz Franco

E pra não dizer que esqueci dos brasileiros, e dos novos escritores, aí está Pareidolia. Livro concedido a mim pelo autor, e uma das leituras mais gostosas do ano. Contos muito divertidos, curiosos, livro físico cheio de conceito, arte linda. Se chegou a esse post em busca de dicas do que ler, é esse que você tem que escolher e comprar!

Não li só Pareidolia de brasileiro, "Um passeio no jardim da vingança", do Daniel Nonohay, também quase entrou nessa lista. Isso para não falar de clássicos como "Angústia" do Graciliano Ramos e "Um centauro no jardim" do Moacyr Scliar.

No fim, acho que li uns 38 livros esse ano. E estou lendo mais um, "A longa e sombria hora do chá da alma", do Douglas Adams. Quis encerrar o ano com ele, porque tem se mostrado meu autor preferido. Curioso pra saber o que tanto li? Aí está a lista completa, com link para as resenhas que consegui escrever!


Lista dos livros lidos em 2017

  • Caim, José Saramago [Resenha]
  • Um passeio no jardim da vingança, Daniel Nonohay [Resenha]
  • Admirável mundo novo, Aldous Huxley [Resenha
  • Um estudo em vermelho, Arthur Conan Doyle [Resenha]
  • O signo dos quatro, Arthur Conan Doyle [Resenha]
  • O cão de Baskerville, Arthur Conan Doyle 
  • O vale do terror, Arthur Conan Doyle
  • Um escândalo na boêmia, Arthur Conan Doyle 
  • A menina que não sabia ler, John Harding [Resenha]
  • Além da amizade, Clara Alves [Resenha
  • Alriet, Grazi Fontes [Resenha]
  • O demônio das comparações, Maurício Ferrante [Resenha
  • Lá vem todo mundo, Clay Shirky [Resenha]
  • Terra sonâmbula, Mia Couto [Resenha]
  • 12 doutores 12 histórias, vários autores [Resenha]
  • Caixa de pássaros, Josh Malermann [Resenha]
  • Agência de investigações holísticas Dirk Gently, Douglas Adams [Resenha
  • Neuromancer, William Gibson [Resenha]
  • Count zero, William Gibson [Resenha]
  • Monalisa Overdrive, William Gibson [Resenha]
  • Coração Satânico, William Hjortsberg [Resenha]
  • A revolução dos bichos, George Orwell 
  • Eu, Robô, Isaac Asimov [Resenha] [Nota de ódio ao filme]
  • Uma vez você, uma vez eu, Diego Martello [Resenha
  • Mulheres que não sabem chorar, Lilian Farias [Resenha]
  • Pareidolia, Luiz Franco [Resenha]
  • Memórias do subsolo, Fiódor Dostoiévski  
  • O jogador, Fiódor Dostoiévski 
  • Angústia, Graciliano Ramos 
  • Insônia, Graciliano Ramos 
  • O centauro no jardim, Moacyr Scliar [Resenha]
  • Cavalos da chuva, Cadao Volpato
  • O planeta dos macacos, Pierre Boulle
  • A Metamorfose, Franz Kafka 
  • Eleonor & Park, Rainbow Rowell
  • Os últimos dias de Krypton, Kevin J. Anderson [Resenha]
  • Lugar Nenhum, Neil Gaiman
  • O Oceano no fim do caminho, Neil Gaiman


E pro ano que vem, tem muita coisa pra ler... E esses da foto são só alguns deles.



E vocês, já fizeram o balanço do ano? Contem aí!

=P

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